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TEORIA DO PKMB (*)

 

Horta Santos

 

Todos os fenômenos paranormais conhecidos e estudados pela Metapsíquica e pela Parapsicologia  têm sido observados ao longo de toda a história humana, quer sejam acontecimentos do tipo psi-gama (telepatia, clarividência, premonição, etc.) quer se trate de eventos da categoria psi-Kapa (deslocamento de objetos sem contato físico, teleportação ou metafanismo, parapirogenia, levitação de pessoas e objetos, materialização, etc.) ou os fenômenos considerados psi-teta (fenômenos mediúnicos, casas assombradas, poltergeist, vozes psicofônicas, etc.).

                                                          

Há, porém, um fenômeno que parece escapar a esta regra pois não recebemos do passado qualquer informação respeitante à sua existência: é, exatamente, a dobragem de metais sem ação física aparente e por ação de um sensitivo (ou de algumas pessoas normais e crianças, após algum treino). Não só os relatos de todos os prodígios, milagres e mágicas, vindos pela tradição e pela história, são omissos em relação ao amolecimento de metais por ação da consciência; também a Metapsíquica, dos fins do século passado, tão bem informada e tão ativa, parece desconhecer completamente este poderoso e intrigante efeito, tão claramente objetivo.

 

Poderíamos estar assim em presença de um novo salto evolutivo muito recente na história do mundo e que objetivaria a eclosão de uma nova capacidade psíquica do ser humano.

 

A dobragem psicocinética  é um efeito recente

 

Todos os fenômenos paranormais conhecidos e estudados pela Metapsíquica e pela Parapsicologia  têm sido observados ao longo de toda a história humana, quer sejam acontecimentos do tipo psi-gama (telepatia, clarividência, premonição, etc.) quer se trate de eventos da categoria psi-Kapa (deslocamento de objetos sem contato físico, teleportação ou metafanismo, parapirogenia, levitação de pessoas e objetos, materialização, etc.) ou os fenômenos considerados psi-teta (fenômenos mediúnicos, casas assombradas, poltergeist, vozes psicofônicas, etc.).

                                                          

Há, porém, um fenômeno que parece escapar a esta regra pois não recebemos do passado qualquer informação respeitante à sua existência: é, exatamente, a dobragem de metais sem ação física aparente e por ação de um sensitivo (ou de algumas pessoas normais e crianças, após algum treino). Não só os relatos de todos os prodígios, milagres e mágicas, vindos pela tradição e pela história, são omissos em relação ao amolecimento de metais por ação da consciência; também a Metapsíquica, dos fins do século passado, tão bem informada e tão ativa, parece desconhecer completamente este poderoso e intrigante efeito, tão claramente objetivo.

 

Poderíamos estar assim em presença de um novo salto evolutivo muito recente na história do mundo e que objetivaria a eclosão de uma nova capacidade psíquica do ser humano.

 

Que se saiba, o efeito de amolecimento de metais foi inicialmente apresentado por Uri Geller e  é hoje replicado por um número bastante grande de pessoas, particularmente sensitivos na área psicocinética, crianças e grupos de adultos entusiastas. Começam a proliferar, nos Estados Unidos da América, os clubes de “Dobradores de Metais“; a maioria dos membros (acima de 80 %) consegue o amolecimento de pequenos objetos metálicos após um treino psicológico de poucas horas!

 

As diferenças entre os superdotados paranormais e as “pessoas comuns”  serão mais de grau do que de qualidade. O que se pode supor é que os  dotados estariam menos bloqueados pelo sistema de crenças da educação coletiva do que a maioria das pessoas.   

                                          

Isso explicaria também a forte paranormalidade  de muitas crianças, até uma certa idade. Os normais seriam “paranormais latentes “ cujas capacidades se encontram  impedidas pelas regras culturais.

 

Experiências recentes mostram que a paranormalidade psicocinética pode ser induzida  em  pessoas comuns pela presença e o exemplo de paranormais poderosos como Geller ou Thomas.   Notável, por exemplo, foi a  multidão de crianças que , em todos os países do mundo onde Geller exibiu os seus dons nas emissoras de TV, passaram , subitamente, a entortar e a derreter metais .  Eu conheci algumas dessas crianças.

 

 O investigador Robert Cantor apresentou um resumo de muitos casos objetivos e muito bem documentados  sobre as “crianças de Geller”. Algumas dessas crianças nem sequer tinham visto Geller na TV; apenas tinham ouvido falar das suas habilidades.

                                   

Num conjunto de experiências sob rigoroso controle, elaboradas por Cantor, essas crianças produziram  o entortamento de metais de modo até mais intenso e profundo do que o manifestado por Geller. O estudo de Cantor está apoiado em fotos e depoimentos  muito importantes, das crianças e familiares sobre o modo como ocorreram as habilidades psicocinéticas.  

    

O físico francês Jean Pierre Girard e o físico inglês Hasted também realizaram uma série de testes de laboratório com alguns dos garotos dotados do "efeito Geller". Esses cientistas usaram equipamento laboratorial sofisticado munido de transdutores sensíveis. Puderam detectar alterações estruturais e ações psicocinéticas nos metais entortados  sem contato físico.  Isso revelou, claramente, numa escala macroscópica, a ação direta da consciência humana sobre a matéria .

 

O grupo de parapsicólogos da ABRAP e do IPRJ (Instituto de Parapsicologia do Rio de Janeiro), no qual  se contam físicos, engenheiros, médicos, filósofos  e matemáticos, tem observado, diretamente, um grande número de ocorrências do fenômeno e dispõem de um museu de peças metálicas  distorcidas paranormalmente, com muitas dezenas de exemplares.

 

Além de outros sensitivos psicocinéticos, foram especialmente estudados Thomas Green    Morton    M. Coutinho, Antônio Alves Ferreira e o próprio Uri Geller , todos bem conhecidos do público interessado no paranormal.

 

Designarei o fenômeno, no resto do artigo, pela abreviatura PKMB (Psychokinetic Metal Bending - Dobragem Psicocinética de Metais).        

 

Como atua o pkmb

 

Com muitos sensitivos, o fenômeno de PKMB ocorre de maneira imprevisível , nas suas proximidades imediatas  (sala onde se encontra ou salas vizinhas). O contato dos dedos com o objeto metálico pode facilitar o desencadear do efeito, mas não é essencial .

 

Às vezes acontece que o objeto visado pela atenção fica imune à deformação, ocorrendo esta, inesperadamente, em objetos próximos. Há casos em que o PKMB se estende, como uma súbita epidemia, a todos os objetos metálicos contidos numa casa inteira.

 

 Isto aconteceu durante uma visita de Thomas à casa do professor Mário Amaral, pouco tempo depois da vinda de Geller ao Brasil.  No decurso de um jantar oferecido a Thomas por Mário Amaral, este desafiou Thomas a repetir os feitos de Uri. Enchendo-se de brios, Thomas produziu uma poderosa convulsão em toda a casa, com  estrondos violentos e oscilações como as sísmicas;  quase todos os objetos metálicos especialmente garfos, colheres, facas e pratarias,  sofreram violentas deformações.  O fenômeno aconteceu dentro de gavetas e em armários fechados, em todas as divisões da casa e não só na sala onde Thomas se encontrava.   O professor Mário e a esposa, a parapsicóloga Glória Lintz, aceitaram os prejuízos com resignação, em nome da ciência!

 

O efeito de PKMB pode até alargar-se à totalidade de um país, como ocorreu na Inglaterra, Holanda e Espanha , durante exibições de Uri Geller na televisão.  No  Brasil, durante a visita de Geller em 1976, ocorreu uma coisa idêntica.  Muitos jovens aprenderam, bruscamente , a arte inconsciente de amolecer os metais. Conheci alguns deles.

 

Apesar do PKMB atuar com todos os metais, parece mostrar preferência por facas, garfos e colheres de aço inox e de prata, por moedas de cromo-níquel e por chaves de aço e latão , talvez por serem objetos muito generalizados.

 

O modo de deformação é muito variado, podendo ir de flexões laterais, facilmente falsificáveis com a força humana, até violentas torções helicoidais  dos cabos de  colheres e garfos de inox.  Em certos casos o metal apresenta sinais de fusão. Chegam a acontecer  fragmentações múltiplas das peças.

 

A fraude é facilmente excluída (apesar das opiniões iracundas de  um eclesiástico brasileiro, auto-nomeado parapsicólogo mas, na verdade exorcista  do paranormal ) . A explicação de fraude também é posta, com um encolher de ombros que pretende mostrar superioridade intelectual, pela  maioria das pessoas com o pensamento deformado e cristalizado por força dos dogmas da ciência mecanicista. Na verdade, não só a fraude não pode ocorrer nas condições de observação, como o fenômeno nem sequer pode ser reproduzido mesmo com equipamento  mecânico.

 

Os objetos são fornecidos pelos pesquisadores  e, na maioria dos casos , o sensitivo  nem sequer toca nos objetos.  De qualquer modo, eu gostaria  de ver a torção helicoidal do cabo de uma colher de aço inox duríssimo, formando 4 ou 5 espiras, com eixo longitudinal, apenas através da força de mãos humanas nuas. Atlas ou Sansão seriam incapazes , sem graves ferimentos nas mãos, sem arrancamento de carne, de introduzir uma torção de poucos graus  num objeto com esta resistência mecânica.

 

Em termos mecânicos,  para um braço de alavanca de 1 centímetro  (largura do cabo de uma colher de inox) seria necessário um binário com forças de cerca de 400 a 500 quilogramas. A pressão na pele seria da ordem de 1000 quilogramas por centímetro quadrado!

 

É preciso acrescentar que, mesmo que a torção fosse realizada numa oficina, e não à frente dos olhos dos investigadores, o material da colher não teria a elasticidade suficiente para formar as espiras muito apertadas que ocorrem. O aço inox quebraria antes de dobrar assim .  Além disso notar-se-iam as marcas das ferramentas e do torno de bancada.  Na verdade, a dobragem só poderia ser falsificada com meios oficiais se o aço sofresse um tratamento térmico para perder a têmpera e ficar mais plástico e depois, após a torção com meios mecânicos, fosse novamente temperado  por aquecimento a alta temperatura e esfriado de novo.  A oxidação que resultaria na superfície teria de ser retirada por polimento !   

 

Durante a ocorrência da dobragem, o metal amolece até à consistência do barro ou da goma de mascar.  Ao toque, o metal fica apenas morno; o aquecimento é muito ligeiro e apenas atinge uns  cinco a sete graus acima do ambiente.  Mesmo assim , temos exemplares que sofreram fusão parcial a esta temperatura.  Também podem ocorrer caldeamentos e soldaduras entre dois objetos.   Antes de qualquer hipótese sobre a natureza desta ocorrência psicocinética , é óbvio que o fenômeno acontece por diminuição das forças  internas de ligação que conferem a resistência ao metal.

 

A  descoberta  fundamental   da  parapsicologia:  a adimensionalidade  da  mente

 

O PKMB, além de interessar e impressionar o grande público, também tem suscitado o interesse de alguns físicos (Jack Sarfatti,  Harris E. Walker, John Taylor, J. Gribbin, Targ, Pottoff, etc) e de algumas universidades  (Stanford Research Institute, John Kennedy University, King’s College, etc) . 

 

Especialmente, os físicos quânticos mais abertos parecem receptivos às implicações do fenômeno no que se refere à ação direta do ser humano sobre o mundo físico.

 

É interessante notar-se que há uma significativa convergência entre os pontos de vista de alguns parapsicólogos mais avançados, e  com  formação científica (como alguns membros da ABRAP), e  as descobertas da microfísica quântica.

 

A Parapsicologia científica, desde os seus primórdios na Universidade de Duke,  no  Estado  de  Carolina  do  Norte,  onde foi fundada  por   J.Banks Rhine, mostrou claramente, por via de uma experimentação extremada, e  através do rigor da estatística matemática, que os eventos parapsicológicos  ocorrem de um modo que independe da distância e do tempo.

                                                      

A imensa quantidade de dados acumulada nessas experiências e a sua análise  demonstraram , de uma maneira muito clara,  que a mente humana, na sua interação com o mundo físico, se revela como um  fator isento do espaço-tempo, quer dizer , adimensional.   Pelo fato de a mente humana implicada nas  ações psicocinéticas, não se encontrar limitada nem pela extensão espacial, nem pela duração temporal, pode ser dito, sinteticamente, que a mente é  “não-local”.   

 

O espaço e o tempo são o referencial, a moldura, dentro da qual se  representa o desenvolvimento dinâmico do mundo material.   Mas este referencial só é válido para a matéria e não se aplica às realidades do domínio da consciência.

 

Numa analogia sugestiva, o mundo físico é como um jogo eletrônico num monitor de televisão; as duas dimensões da tela constituem o “espaço” desse universo e a seqüência ordenada das imagens corresponde ao tempo. Porém, aquilo que comanda o “display” dinâmico da projeção é um “programa” inteligente que não está no espaço-tempo da tela ( apesar de se manifestar, simultaneamente em toda a tela). Esse programa  é  imune  à  temporização  dos   sucessivos quadros, isto é, está fora do tempo da tela, apesar de comandar a sua evolução .

 

Também a representação do mundo físico e a sua arrumação na tela  tridimensional (espaço) e nas seqüências ordenadas (tempo)  são manifestações de um real universal e não-local  (domínio informacional) o qual não pode estar contido no seu  “display”.   Do ponto de vista de possíveis observadores bi-dimensionais, situados no universo da tela, a inteligência que comanda o programa manifesta-se em todos os lugares e em todos os instantes da ação. Quer dizer, o programa aparece, a esse observador, como onipresente e não localizado. No que se refere ao tempo, o programa contém toda a informação das imagens passadas e das imagens futuras e, desta maneira, ele é intemporal  (eterno) . Os estados futuros podem não ser determinados e sim sujeitos a alternativas e a escolha. Há lugar para o livre arbítrio.

 

Vetor de estado - colapso

 

 Na física clássica, os estados futuros de um sistema são determináveis desde que seja conhecido o estado inicial .

 

 Na formulação da mecânica quântica, um dado estado inicial fo  pode conduzir a qualquer estado seguinte dentro de um conjunto de estados possíveis f i  ( i=1....h ) . Este conjunto de estados possíveis é designado como vetor de estado . 

 

Os vários estados são termos da função de onda  y após serem  multiplicados  pelas   respectivas   probabilidades   de ocorrência.   Apenas um desses estados possíveis acontece e só após um ato de medida, isto é, em conseqüência de uma observação.

 

Há dois modos, aparentemente contraditórios, através dos quais o estado de um sistema quântico pode mudar.

 

O primeiro consiste numa mudança contínua  (e determinística)  de um sistema isolado, em função do tempo, de acordo com a equação de onda de Schrödinger    , sendo A um operador linear.

 

 O segundo processo é constituído por mudanças descontínuas, produzidas pelo ato de observação, conduzindo o vetor de estado  y a tomar um dos valores  fi (colapso do vetor de estado) , com a probabilidade  pi  .

 

O “ato” de observação estabelece a ligação entre os dois comportamentos , sendo um determinístico e o outro aleatório , ou melhor, dependente da “observação”.  Por quase unanimidade, dos físicos quânticos, é admitida a função da consciência do observador no colapso do vetor de estado (y -fi ).

 

Variáveis ocultas

 

 Um dos caminhos para a descrição simbólica da conexão observador-sistema consiste na introdução das “variáveis ocultas”.   Estas  variáveis,  de  caráter  não físico,  determinariam o estado para o qual o sistema evolui, entre todos os estados potencialmente possíveis.

( x1, x2,Uma única função de onda do tipo  x3, t, c1... cj) bastaria para o desenvolvimento de uma teoria completa , sendo  c1...cj   as variáveis ocultas.

 

As qualidades principais a que devem obedecer as variáveis ocultas são:

- Inacessibilidade à observação física

- Caráter não-local, isto é , independência das coordenadas de espaço e tempo.

Simbolicamente, temos :            

                      

- A inter-relação observador-sistema não depende do intervalo de espaço-tempo.

- Valor universal, no sentido de que um colapso ocorrido é válido para todos os observadores ; corresponde a um programa universal.

 

Hipótese  do  domínio  informacional

 

A afirmação da física quântica de que a transição das partículas entre dois estados se cumpre sem passagem pelos estados intermédios, levou-me a admitir que, necessariamente, as partículas materiais cessam como entidades físicas durante a transição (sem duração) para voltarem de novo a emergir na realidade material , ocupando o novo estado dinâmico e a nova posição.

 

O outro passo da  hipótese que apresentei consistiu em admitir   (como corolário evidente) que  toda  a   informação relativa à natureza , localização e estados dinâmicos das partículas deve ser preservada durante a fase não física. 

 

Nasceu assim o conceito de Domínio Informacional (DI) que apresentei, pela primeira vez, no III Congresso Nacional de Parapsicologia. O DI é uma realidade de natureza extra-física a qual garante a continuidade ordenada do universo .

 

Neste conceito, O Domínio Informacional corresponde a um imenso programa auto-programado  do universo de matéria-energia e a uma memória geométrica e dinâmica  dos sistemas  materiais; é isento de dimensões (adimensional ou não-local); isto é, existe em todo o espaço e em todos os instantes.

 

Admito também que o Domínio Informacional é um aspecto das realidades não físicas do universo que podemos conceber e designar como uma Consciência  Generalizada.  É preciso que este termo  “consciência” não seja tomado num sentido antropomórfico mas apenas como uma extrapolação dos processos que conhecemos como conscientes.

 

A consciência universal (individual e coletiva de entidades inteligentes e a “consciência “ associada ao universo de partículas e campos)  seria o substrato não dimensional e não físico no seio do qual se programa e se decide  o grande jogo universal de correlações instantâneas entre cada parte e o todo.

 

 Nesta concepção da realidade, a dobragem psicocinética de metais não é um fenômeno energético, mas sim informacional . O PKMB é desencadeado pela participação do observador no colapso do vetor de estado que descreve o nível quântico da nuvem eletrônica de elétrons livres no metal.  A probabilidade dos estados  que vou considerar é extremamente baixa e corresponde a imensas quantidades de informação .  

 

A participação da mente observadora, associada ao domínio informacional do qual também é uma manifestação , consiste na conexão informacional com o metal  e no “link”  que  comunica a informação necessária ao colapso.

 

Ligação metálica

 

No fenômeno do PKMB, a deformação de metais por psicocinesia é muito seletiva para os metais e só muito raramente acontece com objetos não metálicos.    A deformação psicocinética de peças  plásticas, algumas vezes observada, é certamente  de  ordem  térmica e pode corresponder a uma transferência de calor  ( de  baixíssima  probabilidade )  a  partir  da  fonte  fria  (ambiente).

 

As características do PKMB sugerem uma clara correlação do fenômeno com o estado metálico. De acordo com o modelo da nuvem eletrônica, proposto por Drüde e Lorenz, mais tarde adaptado à estatística quântica de Fermi-Dirac por Sommerfeld, a energia coesiva de um metal seria resultante da atração eletrostática entre os íons positivos dos cristais metálicos e o  “gás” negativo dos elétrons livres.  ( Fig. 1 ) .

 

 

 

Fig. 1 - Modelo de Drüde e Lorentz

            Ligação metálica - Os íons positivos do metal estão embel num "Gás Eletrônico" carregado negativamente.

 

No modelo de Pauling todos os elétrons de valência formariam ligações covalentes, com ressonância dos elétrons entre os vários níveis. Este modelo baseia-se em postulados bastante artificiosos e explica com dificuldade a alta condutividade elétrica dos metais.  Wigner e Seitz procederam a cálculos quantitativos da energia coesiva dos metais, baseados no modelo dos elétrons livres e obtiveram uma boa correspondência para os metais alcalinos.

 

Apesar de não existir ainda um modelo quântico completo das propriedades coesivas dos metais, é universalmente admitido o papel básico da nuvem  de elétrons livres na formação das forças de ligação entre os íons dos cristais metálicos

 

 As ligações metálicas, ao contrário de todas as outras (eletrovalentes, covalentes, polares) , são devidas às forças aplicadas aos íons da rede cristalina pela população de elétrons quase livres , movendo-se no espaço inter-iônico (gás eletrônico  ou nuvem eletrônica).

 

No modelo das bandas eletrônicas, há dois tipos de metais: os monovalentes, que apresentam a última banda apenas preenchida em metade dos estados permitidos , e os metais polivalentes que apresentam a sub-camada superior lotada .

 

Estes últimos dispõem de uma sub-camada, logo acima, em parte sobreposta com a inferior, a qual se encontra completamente vazia de elétrons.

 

 Estão no primeiro caso o sódio, o cobre , a prata e o ouro ao passo que ao segundo pertencem o ferro, o cobalto e o níquel.

 

Por exemplo, a prata, num número de N átomos, apresenta a sub-banda  5S  preenchida com N elétrons e dispondo de 2N estados possíveis. O ferro, do segundo grupo, tem a sub-banda  4S totalmente preenchida com 2N elétrons mas apresenta a sub-banda  4P sobreposta a esta ( isto é, sem banda proibida ) e oferecendo 6N estados livres e à disposição da possível ocupação pelos elétrons dos níveis inferiores.

 

Em ambos os tipos de metais, os elétrons da sub-banda superior podem “saltar” para os níveis livres com pequeníssimos acréscimos de energia ou , até, sem variação de energia, constituindo assim um  “gás eletrônico” ou nuvem eletrônica” de grande mobilidade.

 

Isto não acontece em todas as outras substâncias onde a última banda , com todos os níveis lotados , está separada da superior, vazia, por uma “faixa proibida”

 

Apenas em temperaturas altas ou com grandes campos elétricos aplicados é possível que um número significativo de elétrons adquira a energia necessária para transpor o “fosso” da banda proibida. A nuvem eletrônica nos não-metais é por isso desprezível à temperatura ambiente.

 

É aqui que reside a grande diferença entre os metais e as outras substâncias. O fato de só os metais sofrerem a profunda alteração interna que se verifica no PKMB, resulta, muito provavelmente, do tipo de forças de ligação que lhes são próprias e da interação entre o domínio mental e a nuvem eletrônica.

 

Nos metais não há nenhum fosso a ser transposto e os elétrons da última camada transitam livremente para os níveis vagos, criando a nuvem dos elétrons livres.

 

As forças elétricas do gás de elétrons livres constituem, como disse, a ligação, a cola, que mantém ancorados os íons dos cristais metálicos.

 

E se alguma coisa não física “convencer” uma grande fração dos elétrons livres a retornar, durante algum tempo, aos estados ligados, quer dizer, às órbitas iônicas às quais também podem pertencer sem mudança de energia? Então, o metal perderia a sua coesão interna e poderia deformar-se sob a ação de forças muito pequenas.

  

Esclarece-se mais uma vez o leitor que os aspectos físicos do fenômeno do PKMB , para o qual se está elaborando a presente hipótese, constituem apenas a parte final de uma cadeia de eventos na qual os acontecimentos desencadeantes se situam no domínio da consciência das pessoas intervenientes, em nível individual ou coletivo. A interface é uma quinta interação universal , revelada na participação do observador na escolha dos estados quânticos e nas ações psicocinéticas na escala macroscópica. Porém, na parte final, temos de tirar partido da física do estado sólido.

 

O modelo adotado: diálogo da consciência com a nuvem eletrônica

 

Na hipótese que proponho admito que o fenômeno de “metal bending” resulta de uma interação, entre o sujeito e o objeto, expressa pela  seguinte seqüência (apesar  de reconhecer que, do lado mental , não é possível distinguir ordenação temporal ) :

 

1) Metal no estado inicial, estatisticamente  “normal” à temperatura ambiente, com  ocupação dos níveis de energia (orbitais e da nuvem) obedecendo à lei de distribuição de Fermi-Dirac,

 

2) Conexão (não-local) (“link”) entre a consciência do sujeito (observador), individual ou coletivo, e o modelo informacional que rege os estados quânticos da nuvem eletrônica do metal.  Na aproximação da física, o modelo informacional  (não localizado no espaço-tempo )  é  representado pela função de onda .  Esclareço que a noção de modelo informacional  ( MIOB ou Modelo Informacional de Objeto)  está descrita num trabalho  que publiquei anteriormente, indicado na bibliografia.

 

 Esta conexão, na linguagem da quântica,  equivale  à “participação do observador” no colapso da função de onda ( descritiva de todos os estados possíveis da nuvem eletrônica ).

 

Os estados de ocupação dos níveis eletrônicos que correspondem à rarefação da  população de elétrons livres são imensamente pouco prováveis.   Segundo as hipóteses postas, de acordo com a equação de Shanon e com a  teoria da informação,  os estados de baixa probabilidade (ou neguentrópicos)  necessitam, para  serem   ocupados,  de  uma  informação (correspondente ao logaritmo, na base 2, dessa probabilidade) . Supõe-se que o afluxo informacional necessário se processa (de modo adimensional) durante a comunicação entre o sistema mental dos sujeitos envolvidos e o sistema eletrônico.

 

 Ao contrário dos sistemas de informação físicos, trata-se aqui de uma comunicação imediata, sem transmissor, sem receptor  e sem meio de transmissão . É uma comunicação semântica , isto é, de significado, sem  a existência de sinalização sintática de qualquer espécie.  Porém, para se poder proceder a uma análise das ocorrências físicas resultantes, ainda se adota a noção de bit de informação.

 

Esta conexão informacional não corresponde a nenhum afluxo de energia . É completamente impróprio falar-se, neste e noutros fenômenos paranormais, de qualquer espécie de   “força” ou de “energia “mental. O PKMB é um evento Informacional (do domínio dos  sistemas  mente-consciência)  e não energético (como  ocorre nos fenômenos da matéria).

 

3) Ocupação, ao fim de um certo tempo ( físico ), de um estado quântico de probabilidade extremamente baixa da nuvem eletrônica.   Este estado é caracterizado pelo regresso de grande fração dos elétrons livres aos níveis ligados de energia. Estes níveis correspondem a órbitas iônicas, na última camada.   Um tal estado, fortemente neguentrôpico, corresponde ao colapso do vetor de estado da nuvem (descritivo de um imenso número de estados possíveis). 

 

O estado ocupado momentaneamente equivale a uma informação muito alta,  mas, como vou mostrar, dentro da faixa de processamento da consciência humana ( no nível subconsciente ou inconsciente ), em intervalos de tempo como os que se verificam no fenômeno de PKMB.  

 

4) Enfraquecimento das ligações metálicas, causado pela rarefação momentânea da  população de elétrons livres, e amolecimento do metal à temperatura ambiente.

 

5) Deformação plástica (permanente) causada por forças mesmo muito pequenas, como peso, tensões internas, forças de inércia e, provavelmente, por ações psicocinéticas adicionais.  

 

Durante este período que dura entre muitos segundos e cerca de um  minuto,  o metal adquire uma temperatura   ligeiramente acima da ambiente    ( com um excesso de cerca de 5 graus ) e fica mole ao tato . Apesar de, até agora, não se terem feito medições de parâmetros físicos durante a fase de amolecimento,  há a impressão de uma diminuição do brilho metálico.

 

6)  Regresso aos estados entrópicos, enormemente mais prováveis, e endurecimento do metal até ao estado  normal, mantendo a peça as deformações sofridas.

 

A evolução do fenômeno de PKMB, na seqüência indicada, está esquematizada na figura 2, seguinte:

 

 

Figura 2 - "Diálogo" da  consciência com a nuvem eletrônica

 

OBS. Obra póstuma do autor

 

(*) Trabalho publicado no Anuário Brasileiro de Parapsicologia-2000)