PARADIGMA EM CIÊNCIA E EM PARAPSICOLOGIA
Jalmir Brelaz
PARADIGMA EM CIÊNCIA E EM PARAPSICOLOGIA
1. OBJETIVO
Este trabalho pretende levantar questões sobre o paradigma que direciona a
ciência no estágio atual do conhecimento, e indicar suas relações com a
Parapsicologia, questionando até que ponto, o estudo dos fenômenos
parapsicológicos pode ser afetado e afetar, as alterações de paradigmas
que estão acontecendo no contexto social em geral e no campo científico em
particular.
2. COMPREENSÃO DE PARADIGMA
Paradigma, pode ser entendido como os parâmetros, que norteiam as
atividades, valores e a cultura exercida no universo da ciência. É
originário do grego modelo.
Thomas Kuhn a ele refere-se como uma constelação de crenças, valores, e
técnicas compartilhadas a priori por uma comunidade científica . Sendo tão
vital para a ciência quanto a observação e a experimentação com seus
métodos e suas técnicas.
Apesar de Kuhn referir-se às ciências, a expressão é amplamente adotada,
tais como paradigmas em educação, economia, medicina, e movimentos de
qualidade total. O paradigma científico não está de modo algum separado
desses outros paradigmas, sendo também a utilidade e necessidade social
importantes para sua aceitação.
É mister salientar que uma mudança nos enfoques de um paradigma, como o
renascentista, o industrial e hoje o que poderíamos chamar de ecológico ou
epistêmico(mais adiante abordaremos esse termo), é antes de mais nada, uma
ampla mudança cultural, uma alteração de ver o mundo, inclusive uma
mudança de linguagem para expressar certos fenômenos sob uma nova ótica,
incompreendida ou mesmo não aceita pelas crenças vigentes, e em moldes
científicos atuais, até tida como não-conformidade, ou má pesquisa, como é
o caso da pesquisa psi.
Sabe-se que o paradigma é vital para o desenvolvimento e solidificação das
ciências , maximizando e otimizando os seus resultados. determinando o que
é, mas também, e especialmente o que não pode ser aceito como integrante
dele. Sua influência é tanto normativa quanto cognitiva, contendo
afirmações a respeito da natureza e da realidade, definindo, inclusive,
também o campo de problemas permissíveis, os métodos e técnicas de
abordagens, e os critérios padrão de solução. Isso garante o sucesso
rápido
da ciência normal, reduzindo o problema a uma escala trabalhável, sendo
sua seleção guiada pelo paradigma vigente.
De acordo com Stanislav Grof (A Natureza da realidade: O Alvorecer de um
Novo Paradigma) o fato científico e um paradigma nunca podem ser separados
com absoluta clareza. Neste caso o mapa é confundido com o territórios.
Também os dados puros de observação estão longe de representar a percepção
pura, os estímulos não devem ser confundidos com percepção e sensações,
pois estas estão condicionados pela experiência, educação, linguagem e
cultura. Não existindo uma independência científica nos moldes defendidos
por Popper. Também não existe uma linguagem neutra de observação, que
tenha por base unicamente as impressões fixadas pela retina. A compreensão
da natureza do estímulo dos órgãos sensoriais e das suas múltiplas
inter-relações reflete a existência de uma tendência de uma teoria da
percepção e da mente humana.
Ou seja a objetividade científica não é tão "objetiva". O que observamos
não é o mundo que existe "objetivamente" e em seguida é representado, mas
um mundo que é criado no processo do conhecimento. O que vemos depende da
maneira como olhamos. Numa analogia que Capra considera como se fosse num
teste de Rorschach, utilizado na psicologia, ou seja, organizamos nossa
própria realidade. Thomas Matus complementa afirmando que há uma imanência
em todo conhecimento, ele é sempre o conhecimento do objeto a partir de
dentro do sujeito.
Ainda Grof, citando Paul Fayeband (Against Method: Outline of an
Anarchistic Theory of Knowledge) , destaca que a ciência é essencialmente
um empreendimento anárquico, com as pesquisas bem sucedidas jamais
seguindo o método racional e que a condição de consistência - que exige
que uma nova hipótese esteja de acordo com as hipóteses já aceitas, é
irracional e contraproducente, pois elimina a própria hipótese, não porque
esteja em desacordo com os fatos, mas porque está em conflito com outra
teoria.
Exemplo desse anarquismo são as descobertas serendípticas, que se avolumam
em toda a história até os dias de hoje. Encontrando-se acidentalmente uma
descoberta científica, que não se estava procurando, na presença de
circunstâncias favoráveis para que determinado fenômeno ocorresse.
Exemplos bem conhecidos como o caso da coroa do rei Herão e Arquimedes
(300 a.C), onde este descobriu de maneira, fortuita a relação entre a
densidade de dois metais (ouro e prata) o seu volume, a maçã de Newton e a
lei da gravidade , a descoberta da dinamite por Nobel , da penicilina por
Flemming , da radiação de fundo provocada pelo Big Bang, da lua de Plutão.
Fazer a coisa certa na hora certa (saber o que poderia ou não poderia
ocorrer) e estar de certo modo preparado para a descoberta ,o acaso
favorece apenas as mentes preparadas. Uma mistura de relações não causais
(sincronicidade) - estar no momento certo, e a partir disso causais (fazer
a coisa certa por estar preparado para a descoberta).
Refere-se que Philip Frank (Philosophy of Science) expõe que cada sistema
científico baseai-se num pequeno número de afirmações acerca da realidade,
ou axiomas, que são considerados auto-evidentes. Afirma que a verdade dos
axiomas é descoberta não pela razão, mas por intuição direta, são muito
mais faculdades imaginativas da mente do que da lógica. O que queremos
mostrar é que fatos ,observações e até critérios são paradigmas
dependentes, as propriedades formais mais importantes de uma teoria são
relevantes pelo contraste, não pela análise. - Em ciência a razão não pode
ser universal, e o irracional não pode ser inteiramente excluído.
O entendimento do que é paradigma , suas inter-relações e limitações,
mostra a sua própria condição de mutabilidade e constante adaptação
ajuda-nos a situar a parapsicologia na atualidade.
3. PRINCIPAIS PARADIGMAS ATUAIS
Vivemos sob a ótica do paradigma mecanicisca, acreditamos em uma
objetividade absoluta, sem referência a um observador humano, onde a
epistomologia é separada do método e das técnicas. Todo o tremendo
progresso tecnológico e material alcançado, e seus problemas inerentes,
foram resultados da potencialização do atual paradigma.
Essa perspectiva de entender e interagir com o mundo, controlando-o,
predizendo-o sob a ótica que hoje chamamos de científica, sempre houve,
basta ver a história da ciência da qual fazem parte as contribuições das
antigas civilizações egípcias (3.100 a.C.-332 a.C. na matemática,
astronomia), da mesopotâmia (matemática, astronomia), as culturas
meso-americanas (300 a.C.-900- maias, toltecas, astecas, chavins, incas),
a grega (tão orientadora do nosso paradigma atual , na dualidade de nossas
relações, com a natureza tal como sujeito e objeto), passando pela
civilização romana ( com seus aspectos práticos e tecnológicos) até o
século XV, com o advento da Renascença na Itália, que mudou a forma de
encarar a natureza com um forte redicionamento cultural gerando a moderna
concepção científica, que culminou com a revolução industrial.
O paradigma científico atual começa com o advento da revolução industrial
, tendo suas sementes sido plantadas por Isaac Newton e René Descartes e
sua realidade objetiva, tendo o primeiro a exemplo de Galileu, , utilizado
modelos de compreensão da realidade distanciados do senso comum, ou seja,
modelos matemáticos. Trezentos anos depois Einstein ainda se maravilhava
por formas matemáticas abstratas se ajustassem de forma de maneira tão
precisa que se pode descrever as coisa que se observa no mundo exterior em
termos de coisas que elaboramos interiormente. Esse tipo de abordagem
matemática contribuiu para se firmar a crença de leis absolutas, do
universo máquina, sincronizado, da percepção dual sujeito-objeto.
Nos dizeres de Alvin Tofler, esse período de consolidação da cultura
newtoniana foi chamado de onda industrial, em substituição a onda agrícola
e agora , estando nós vivenciando a terceira onda - a da informação, que a
nosso ver ainda é fortemente cartesiana pois levada pela informatização,
vem se solidificando, potencializando e sendo culturamente largamente
difundida no mais alto grau valores introduzidos pela revolução
industrial, ou seja, a padronização (hoje tão perseguida pela qualidade
total e os seguidores da ISO 9000), especialização (basta ver a medicina
que está reduzindo o ser humano cada vez mais a um órgão), sincronização(
o padrão de tempo mundial já e uma realidade, e o tempo é cada vez mais um
padrão em si próprio), concentração, maximização e centralização
.
A tudo isso se soma a crença a ela associada que o novo é melhor e
substitui o velho, e que a tecnologia suprirá todas as nossas carências. A
ênfase é na técnica, no conhecimento, no poder sobre a natureza, na
manipulação, não na harmonia, muito menos na sabedoria que ficou deslocada
a algum lugar no passado. O conhecimento ficou intrinsecamente ligado ao
poder. Daí a crença e tentativa de manipular o fenômeno paranormal
Esse conjunto de crenças
mecanicistas está longe de se exaurir, haja vista a onda da informação que
está apenas começando - com toda a teoria das informação que constitui o
seu arcabouço eminente quantitativo , o direcionamento atual é na crença
de que é possível quantificar tudo, na postura auto-afirmativa , que o
conhecimento científico pode alcançar a certeza absoluta e final. Tudo
ocorre precisamente de acordo com a lei, universo compacto, organizado,
todo futuro depende estritamente do passado tal qual critica Nobert Wiener
.
Essa ênfase na busca da objetividade levou a procura de mecanismos, leis
básicas, estruturas e propriedades fundamentais. A dinâmica como
conseqüência da propriedade das partes tais como: "Blocos de construção
básicos", "equações fundamentais" e "princípios fundamentais" .
Essas forças e mecanismos interagiam dando nascimento ao processo. mecanismos levam a constituição do todo, que resulta de tais leis básicas. O todo resulta do mecanismo das partes. Fragmenta-se o mundo.
Acreditamos na valoração do domínio e do controle , e ênfase na manipulação. O que gerou toda a ênfase no paradigma do "quanto mais tecnológico melhor" o que implica na crença do novo como superior ao antigo, e como direção a seguir.
O parapsicólogo tem de estar
consciente, que o paradigma "quantitativo" em detrimento da qualidade, o
que implica na crença de que tudo é possível quantificar, inclusive as
funções-psi, é uma onda ainda distante da fase de exaustão, haja visto a
força crescente do seu elemento mais destacado ,a informatização
generalizada em todas as áreas da vida e do conhecimento. Ainda o sempre
superior ao velho, numa "rosca sem-fim" e nos problema existenciais dele
decorrente. Gerando desconfiança em fenômenos paranormais, que são
tipicamente qualitativos e "chocantes a razão".
A aderência a um paradigma específico é um pré-requisito absolutamente
indispensável a qualquer empreendimento científico sério. Porém a
parapsicologia tem se agarrado demais a questão da verificabilidade e
repitibilidade, em oposição ao caráter expontâneo e aleatório dos seus
fenômenos, bem como o caráter da "experiência direta", onde seja vencida a
dualidade sujeito-objeto.
No nosso entendimento, só conseguiremos elaborar Modelo Geral para a
parapsicologia, a partir que ampliemos nossas concepções sobre o paradigma
vigente, o qual discutiremos nos itens a seguir. O paradigma científico
atual terá de adaptar-se a mudanças de uma sociedade preocupada com
ecologia, com a dinâmica do todo, e não mais na crença de do ser humano
como um sistema individualista, destacado do mundo
O que parece evidenciado é que os parapsicólogos ao se amoldarem
exclusivamente ao paradigma quantitativo vigente, faz da parapsicologia
inatacável, do ponto de vista metodológico, ao utilizar de rigorosos
métodos empregados por outras ciências, , utilizando o método
estatístico-matemático, e sua variáveis como microcomputadores-PK, Bio-PK,
porém limitada do ponto de vista de contribuição à uma teoria da
paranormalidade.
Pouco terá se avançado em direção a uma Teoria Geral da Parapsicologia por nossa ênfase tem sido no método - na técnica ( ou seja no paradigma vigente) . As pesquisas parapsicológicas tem sido escassas e assim como a formulação de hipóteses falseáveis, que levem a ampliação de novos paradigmas, tais como o elaborado pelo IPPP, em 1986, na proposição de um modelo cibernético para a parapsicologia.
Temos como resultado, temos
trilhado o mesmo enfoque quantitativo, estatístico-matemático iniciado por
Rhine, da década de 30 e que resultou quarenta anos depois (final de
1969), no reconhecimento da Parapsichological Association como membro da
American Association for the The Development of Science, aceitando-a pelo
rigor dos seus métodos, no "clube da ciência", apesar da inexistência de
uma teoria. Desta forma, pouco contribuiremos para uma mudança de
paradigma.
4. POSSÍVEIS TENDÊNCIAS DE MUDANÇAS DE PARADIGMAS
O mundo hoje em dia passa por mudanças profundas impulsionadas pela
tecnologia em alta escala e a conseqüente mudança de valores a ela
associada. O maravilhoso já é realidade, imagem e voz a distância,
realidade virtual, comunicação global via rede de computadores e via
satélite, a parafernália de equipamentos eletrônicos invadindo as
empresas, governos e lares, faz dos mais fantasiosos sonhos uma realidade
acessível às crianças de hoje.
Sob esse aspecto os fenômenos paranormais, já não são tão maravilhosos
assim. De uma certa forma, a analogia tecnológica, até ajuda-nos a aceitar
a fenomenologia psi como algo comum.
Nesse contexto tecnológico de acelerada mutação, Fritjot Capra aponta as
mudanças paradigmáticas que eclodem na atualidade, que a nosso ver
contribuem bastante para a "percepção-psi":
· Mudança da Parte para o Todo. As propriedades da partes só podem ser
entendidas a partir da dinâmica do todo. Ou seja, a ênfase está no Todo
não mais nas partes, numa inversão de perspectiva. Deixar de ver as coisas
com suas propriedades e a seguir mecanismos e forças que as interligam,
para ver que essas coisas não possuem propriedades intrínsecas, todas as
propriedades fluem das relações num paradigma holístico, no qual as
relações e não as partes é que seriam destacadas, havendo não mais objetos
e sim relações. Sendo assim possível introduzir contexto e significação.
Não haveria mais emissor nem receptor em telepatia, nem interação em
sujeito-ambiente em clarividência, mas uma relação entre seres humanos e o
ambiente, a partir de outras perspectivas, entre as quais possivelmente
uma perspectiva parapsicológica.
· Mudança de estrutura para
processo.. É o processo que cria a estrutura e não a estrutura que cria o
processo. Não há mais estruturas fundamentais e a seguir mecanismos, por
cujo intermédio essas forças interagem, dando nascimentos a processos.
Inverte-se o enfoque, Cada estrutura é vista como a manifestação de um
processo subjacente, numa teia de relações intrinsecamente dinâmicas e
interdependentes, num paradigma ecológico. O processo é a totalidade das
relações. Esse é o paradigma sistêmico. Capra exemplifica que no caso da
biologia, o erro que se comete atualmente é trabalhar no nível da
estrutura e acreditar que conhecendo mais a respeito, finalmente se
conhecerá a vida, que, contudo não está limitada aos seus aspectos
estruturais.
Esse modelo sistêmico, Ilya Prigogine nos dá o exemplo de sistemas vivos,
como auto-organizaveis, autônomos, que por essas capacidade podem até
certo ponto, , escapar a entropia, por uma ordem superior não predizível,
do beco sem saída que é o caos, de., "estruturas dispersivas" que permitem
o surgimento de inovações mesmo quando a entropia as impede.Como
resultante desse enfoque podemos entender o constructo "mente" não como
uma coisa em si, mas um processo.
· Mudança de ciência objetiva para ciência epistêmica, o entendimento do
processo do conhecimento, tem de ser explicitamente incluído na descrição
dos fenômenos naturais. Não há leis fundamentais. Os métodos de observação
e técnicas têm de "entrar" na teoria. Esse é o paradigma epistêmico. Os
fenômenos psi tem de ser em função de relações e não objetivamente
entendidos. O que tem sido feito é no sentido de se verificar fenômenos
paranormais são independentes do observador humano e tenta-se provar
estatisticamente que ele existe. O fenômeno psi viria a ser descrito em
função de suas relações, em outras linguagens, tais como a metafórica.
· Mudança de construção para rede enquanto metáfora de conhecimento. Não
há algo que seja mais fundamental que qualquer outra coisa. Não há dentro
ou fora, nem acima nem abaixo mas uma rede ao qual tudo está interligado.
As teorias holográficas são um passo nessa direção. Voltando ao exemplo
biológico, o biólogo pensaria que o código genético do DNA, é o nível
básico que determina tudo o mais. No novo paradigma há coisas fundamentais
em cada modelo científico, depende de uma estratégia científica, do
cientista e não é permanente.
Pesquisadores como Stanislav Grof e Pierre Weil abordam esse erro
epistemológico do modelo newton-cartesiano em psiquiatria, de considerar
como "psicótico" qualquer desvio de sua congruência perceptual, o próprio
termo estado alterado da consciência, insinua uma visão distorcida da
"realidade objetiva", incapaz de abordar certos fenômenos socio-culturais,
tais como ritos de passagem, xamanismo, ritos de cura e dos fenômenos
parapsicológicos. Os estados trasnspessoasis por eles estudados sugerem
uma transcendência de tempo e espaço, desconsiderando o continum linear
entre microcosmo e macrocosmo, incentivando novas formas de pesquisas que
possam a contribuir com a parapsicologia.
Novas atitudes em relação a formação de um novos paradigmas, representa um
autêntica revolução cultural, o que numa visão de Capra apresenta as
seguintes tendências e posturas:
AUTO-AFIRMAÇÃO INTEGRAÇÃO
RACIONAL INTUITIVO
ANÁLISE SÍNTESE
REDUCIONISMO HOLISMO
PENSAMENTO LINEAR PENSAMENTO NÃO LINEAR
COMPETIÇÃO, CONTROLE COOPERAÇÃO
EXPANSÃO CONSERVAÇÃO
QUANTIDADE QUALIDADE
DOMINAÇÃO PARTICIPAÇÃO
SIST. PATRIARCAL DE VALORES FEMINISMO
OBJETO RELAÇÕES
Essas atitudes e posturas refletem-se amplamente na pesquisa
parapsicológica e na interação pesquisador e pesquisado.
Está ocorrendo uma mudanças dos métodos utilizados:
do racional analítico reducionista linear (Popperiano)
para o intuitivo sintético holístico não linear (sistêmico, ecológico)
Do conhecimento:
Do racional conceitual afirmativo, que categoriza, divide, desmonta,
delineia.
Para o intuitivo não conceitual síntese de um padrão não linear, percepção
imediata de um todo (Gestalt). O que não quer dizer irracional, que tanto
apavora os cientistas.
5.0 RELAÇÃO DOS PARADIGMAS COM A PARAPSICOLOGIA
O paradigma dominante privilegia o conhecimento do mecanismo do fenômeno
paranormal, em especial quantitativamente, o seu lado "analítico-racional"
quando talvez ele se adeque a outros tipos de abordagens, sistêmicas,
gestálticas, relacionais.
Ainda percebemos os fenômenos parapsicológicos , de acordo com o modelo
vigente, como "causados" por alguma força de "fora", do conhecido modelo
emissor-receptor utilizado na telepatia , separadodo mundo, ao invés de
integrante do mundo. Temos a postura de que ainda somos incapazes de
entender e controlar os fenômenos paranormais, mas
através de alguma nova técnica algum a fenomenologia psi será colocada em
condições controláveis, um dia será domada.
Temos inclusive a crença que a física descobrirá novas forças que darão
suporte a uma teoria parapsicológica, isso parece estar de acordo com o
paradigma de o conhecimento como construção, implicando o modelo que a
física é o ideal por cujo intermédio todas as outras ciências são
modeladas e julgadas, sendo a principal fonte para de metáforas para
descrições científicas.
Porém, parece que as ciências, a sociedade e as organizações estão num
ponto de inflexão paradimático com nova visão do mundo e de nossa relação
com ele, em que intrínsicamente fazemos parte do processo, num novo
paradigma holístico, ecológico e até cibernético, por ser esta a ciência
que espelha de forma mais cabal a consciência eminente tecnológica do
homem contemporâneo.
Essas mudanças de crenças, e de mentalidades se reflete não só nas
ciências mas na sociedade como um tudo, inclusive nas organizações
empresariais, como apregoa Peter Senge e sua quinta disciplina, a partir
de uma mudança radical de mentalidade - Metanóia, que dizeres dos gregos
significava literalmente transcendência, em direção de um modelo mais
profundo do ser humano. Onde certos fenômenos "são".
Talvez a nossa maior dificuldade paradimática, seja reconhecer o racional
como limitado, pois o postulamos como com capacidade infinita de
entendimento sobre tudo, se não é possível o conhecimento no modelo de
agora racionalmente o será em um modelo no futuro. Vivenciamos a
superestimação da racionalidade do homem. Concordamos, nos termos de
Prigogine, que a idéia de uma racionalidade limitada exprima melhor nossa
condição. Vivemos num mundo pluralístico e devemos aceitá-lo com uma
racionalidade limitada .
Deste modo, o estudo da parapsicologia pode ser feito por métodos quantitativos estatísticos-matemáticos e também por métodos qualitativos (reconhecer os caos em que não é possível nem é indicado quantificar), apesar de termos nos agarrado tremendamente a verificabilidade e repetibilidade, em oposição ao caráter expontâneo e aleatório de psi bem como não sabermos ainda lidar com os aspectos da "experiência direta", onde não existe sujeito nem objeto.
Certos parapsicólogos, como
Ramakrishna Rao, considera a existência de duas linha básicas de modelos
em parapsicologia, que nos dá um raio-X, da mudança de percepção que
estamos atravessando:
CAUSAIS(INTERACIONISTAS) IndependênciaSujeito-AlvoInteraçãoSujeito-Alvo
MODELOSFÍSICOS (limites-psi) ENTIDADES TRANSCENDEM ESPAÇO TEMPO (Psicons de
Sarti e Psitrons de Dobbs) NOVOS MEIOS (Hiperespaço)
MODELOSNÃO-FÍSICOS PROCESSO DE SELEÇÃO EM PSIHIPÓTESES DE PROJEÇÃO(Postula
entidades como mente,princípio de operação e sua fonte energética no
indivíduo e não no alvo)
ACAUSAIS ou INTUISTAS IdentificaçãoSujeito-Alvo (nem distância nem tempo
p/atravessar) SUJEITO COMO MICROCOSMO POTENCIALMENTECAPAZ DE REFLETIR TODO
O COSMOONISCIÊNCIA INERENTE AO VERDADEIRO SER
Rao afirma que em ambos modelos estamos provendo uma mudança de paradigma
com relação ao homem e seu lugar natureza.
Estamos ainda no turbilhão das mudanças que estão por vir.
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Qual o norte a seguir no estudo e pesquisa da paraspsicologia? Será que
existira algum dia um paradigma parapsicológico para o conhecimento
humano?, ou tudo continuará a ser "emprestado" de outras ciências?
As pesquisas em parapsicologia tem sido escassas, e de base eminente
quantitativa. Não esta engajada com a sociedade de consumo e na produção
de bens , nem está embasada em teorias, e praticamente não recebe recursos
financeiros para pesquisas, como se esperar dela alguma contribuição
significativa?
Há parapsicólogos como de Krippner e Hovelman (Parapsychology Review,17
(6),1-5,1986) que afirmam que por utilizar metodologia científica
ortodoxa, a parapsicologia não levará a descobertas revolucionárias, ainda
que as pesquisas produzidas proporcionem dados que impliquem revisão de
paradigmas; sua proposta para o futuro da parapsicologia, indica trilhas
por caminhos conhecidos e que isso leve paulatinamente a revisão de
paradigmas. Acreditam que as diversas propostas de interpretação sobre
Psi, tais como interação de campos de natureza ignorada, enganos na
interpretação de dos dados estatísticos, efeitos de expectativas
interpessoais etc, podem genuinamente contribuir para o conhecimento
científico. É posição bastante cautelosa e segura.
A medida que a sociedade passe a adotar valores mais qualitativos,
humanísticos, poderemos ter mais recursos para o estudo das
potencialidades humanas, dentro de modelos que não sejam nitidamente
organicistas, e daí se possa avançar a respeito da independência psi sobre
espaço e tempo, da mente extrapolar o cérebro, da psi existir nos
processos básicos de organização dos seres vivos, se há nova força da
natureza no PK, qual a fonte energética, quais os fatores que afetam a
intencionalidade e a seletividade dos fenômenos paranormais.
O modelo intuista abordado por Rao, parece ser o mais adequado como o
paradigma epistêmico anteriormente citado, por remover a relação dual
(sujeito-objeto) majoritária abordada nos fenômenos parapsicológicos.
Não devemos deixar de estar atentos para os novos modelos que rompam nossas crenças atuais sobre o universo, talvez levando a consciência como variável interativa importante , tais como:
· universo holográfico e ordem
implícita de Pribam e Bohm
· paradigma sistêmico, ecológico, epistêmico de Capra
· Campos-M (bioelétricos) e campos-M
· Sincronicidade (coincidências significativas) e arquétipos de Carl Jung
Nossa expectativa é que esses novos fatos,modelos e hipóteses verifiquem a
vialibilidade da inclusão de um paradigma psi no conhecimento científico.
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