Jalmir Freire Brelaz de Castro, MA
Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas - IPPP
&
Naum Kreiman
Instituto Argentino de Parapsicología
Este trabalho foi feito em conjunto com o Prof. Naum Kreiman
que faleceu em agosto de 2003, impedindo a continuade conjunta de outros
experimentos associados.
O Prof. Kreiman foi um dos mais importantes pesquisadores da
parapsicologia na Ibero América, tanto pelo volume quanto pela qualidade das
suas publicações. Foi co-fundador e mais tarde presidente do Instituto
Argentino de Parapsicología, tendo publicado Manual de Procedimientos
Experimentales y Estadísticos en Parapsicologia, . Investigaciones
Experimentales en Parapsicologia Tomos I e II, e Elementos Descriptivos y
Conceptuales de Parapsicología, foi editor por décadas do Caduernos de
Parapsicología.
RESUMO
O Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas
costumeiramente utiliza diversos tipos de testes tanto orientados a
prova quanto os orientados a processo, todos de baixo custo, procurando
descobrir e explorar condições psi condutivas e pesquisar pessoas que
declarem aptidões psi ou que apenas desejem passar por experiências
paranormais. Complementamos essas pesquisas com outras de campo, sob o
aspecto fenomenológico, onde procuramos descobrir e correlacionar
características de diversos tipos experiências psi.
Este trabalho relata uma série de 7 experimentos de “visão
remota”, realizados entre as cidades de Recife no Brasil, e Buenos
Aires na Argentina, entre maio e junho de 2001, pelo IPPP conjuntamente com
o Instituto Argentino de Parapsicología.
Há diversas formas de experimentos de visão remota. Nos
testes usuais, os alvos são escolhidos previamente apenas pelo
experimentador e o receptor tem a possibilidade de associar livremente, ou
seja, o experimentador vai a local geograficamente remoto e o receptor tenta,
livremente, descrever ou desenhar esse local.
No nosso caso, os alvos foram pré-escolhidos com a
participação do receptor. Mantivemos o termo visão remota para este
experimento devido à similaridade com os testes convencionais, por se
realizarem em países distintos e, por envolver alvos dinâmicos e diversos
sentidos. Embora os testes de visão remota pareçam em princípio, testes de
clarividência, na realidade busca-se através do uso indistinto da
clarividência e da telepatia, também denominado de GESP (do inglês General
Extra Sensory Perception), o acerto de alvos à distância.
Foram selecionados alvos envolvendo os 4 sentidos: visão,
audição, gosto e olfato, tornando o experimento mais próximo da realidade
sensorial das pessoas. Esses alvos foram tanto estáticos quanto dinâmicos e
tiveram por objetivo:
¨
Procurar acertar o alvo de uma maneira estimulante
envolvendo vários sentidos;
¨
Verificar se alguma categoria de alvo, dentro as 5 existentes,
mostrava-se mais favorável/desfavorável ao fenômeno;
¨
Verificar a ocorrência do efeito declínio, com a diminuição e
aumento do número de acertos ao final do experimento;
¨
Verificar a ocorrência, ou não, do efeito deslocamento, no
mesmo dia, ou em dia posterior ou anterior;
¨
Qualquer que fosse o resultado discutir sobre o experimento,
tendo vista que todos os resultados devam ser comentados e divulgados.
Os
resultados obtidos foram significativos, p = 0 .00002.
Acreditamos que no estágio atual do conhecimento científico,
notadamente nas ciências cognitivas e as ligadas as tecnologias da
informação, ainda não se permite incorporar psi ao seu campo de pesquisa.
Nossa expectativa é a de que este século será promissor à inclusão
das anomalias chamadas psi ao arcabouço científico.
Remote Viewing Experiment between
ABSTRACT
The Instituto Pernambucano de Pesquisas
Psicobiofísicas customarily uses several types of tests such as proof
oriented and process oriented tests, all at very low costs, to explore psi
conductive conditions and to research people who claim to usually undergo
psi experiences or just want to undergo a paranormal experience. These tests
are complemented by surveys, under the phenomenological approach to find out
and to correlate characteristics of several types of psi experiences.
This paper relates a series of 7 “remote
viewing” experiments held between the cities of Recife, in Brazil, and
Buenos Aires, in Argentina, amongst May and June of 2001, by IPPP in
conjunction with the Instituto Argentino de Parapsicología.
There are several types of remote viewing
tests. On the usual ones the targets are previously chosen by the researcher
and the receptor can freely associate them, i.e, the experimenter goes to a
geographically remote place and the receptor tries freely to describe or to
stretch some drawings of the place. On this case, the targets were
pre-selected with the participation of the receptor.
We maintained the name remote viewing for
this case due to the similarity with the typical remote viewing tests, for
being held in different countries and for involving dynamic targets and
several senses. Although remote viewing tests appear to be, at first, a
clairvoyance test, as a matter of fact we search for the indistinct use of
clairvoyance and telephaty, also denominated GESP (General Extra Sensory
Perception) to hit remote targets.
We consider that in a typical remote view
test, as well as this case, we search for the indistinct use of
clairvoyance and also telepathy, also denominated as GESP (General Extra
Sensory Perception), to hit distant targets
It were selected targets involving four
physical senses: vision, hearing, taste and smell, turning the experiment
closer to people sensorial reality. There were static and dynamic targets,
the objective was:
¨
To try to hit the target through a
stimulating way involving several physical senses;
¨
To verify if any target category, among the
5 existing ones, were more favorable/ unfavorable to the phenomenon;
¨
To verify the occurrence of the decline
effect, with the decreasing and emergence of the hits at the end of the
experiment;
¨
To verify the occurrence of the side
effect, at the same day or in previous or latter experiments;
¨
Whatever the result should be we ought to
discuss the experiment due to the fact that all results need to be commented
and published.
The outcome was significant, p = 0,00002.
We believe that on the present time the
scientific knowledge, specially in cognitive sciences and those related to
information technologies, still does not allow to incorporate psi to their
fields of research. We expect this century will be promising to including
such anomalies called psi in mainstream science.
INTRODUÇÃO
A
existência, ou a possibilidade da existência da função psi é intrigante e ao
mesmo tempo fascinante, pois choca-se com a compreensão do que usualmente
entendemos como realidade, além de questionar seriamente os paradigmas nos
quais a ciência se baseia.
O físico
Amit Goswami (2003: 22-23) coloca que o sucesso da ciência se deve a uma
série de seis concepções metafísicas da realidade, chamada de realismo
materialista, realismo físico ou realismo científico, ou seja, 1) a
objetividade forte - a realidade é independente de nós; 2) o monismo
materialista e seu corolário, o reducionismo – todas as coisas são
redutíveis a matéria e suas partículas elementares e às interações entre
elas; 3) o determinismo causal - o movimento das coisas é determinado de
modo causal e não há lugar para a vontade divina; 4) a continuidade - todo
movimento é contínuo; 5) a localidade – todas as causas e efeitos são
locais; e 6) o epifenomenismo - todos os fenômenos subjetivos são fenômenos
secundários da matéria.
Em uma série
de experimentos de visão remota qualquer, a obtenção de resultados
significativos p< 0,01 (neste ponto somos mais rigorosos que outras
abordagens científicas que consideram significativo p = 0,05), podem
levantar questionamentos referentes a limitação do realismo físico para se
entender a realidade, em particular as questões referentes a localidade e
objetividade.
Alguns parapsicólogos, como Stanley Krippner (1997: 289)
entendem que psi pode ser considerada uma função complexa com limites muito
amplos, não podendo ser explicada através de modelos reducionistas. Os
fenômenos psi parecem transcender os limites de espaço, tempo e energia,
necessitando de abordagens holísticas. Se isso for correto, os experimentos
de visão remota parecem evidenciar que psi independe dos limites do espaço
e tempo e altera nosso entendimento usual de objetividade.
Ainda dentro das considerações de psi como função complexa,
portanto suscetível a diversos tipos de interações, tais como
variáveis ambientais, os pesquisadores Spottiswoode & May (1997: 399-409)
colocam que a cognição anômala (outra denominação para psi) pode ser afetada
pelas variações do campo geomagnético da terra (observada através da medida
az) e pelos campos estrelares (tempo sideral local – do inglês LST). Outros
parapsicólogos como Sterlund & Dalkvist (1999: 415-422) contestam essas
influências, através de estudos relacionados a acidentes de tráfego na
Suécia, onde procuram relacionar a aplicação de psi a situações de detectar
perigos iminentes.
O fenômeno psi, de acordo com Krippner (1990: 9) diz
respeito as interações organismo-ambiente (incluindo aquelas entre
organismos), nas quais parece que a informação ou a influencia ocorre
e não pode ser explicada através do nosso atual entendimento dos canais
sensórios-motores.
Alguns postulados gerais são necessários, como os colocados
por Valter da Rosa Borges (1992: 23), tais como: o ser humano, na condição
de Agente Psi Confiável (APC – pessoa que habitualmente passa por
experiências psi), pensa e age, ao menos aparentemente, na plenitude de suas
potencialidades, ultrapassando, assim, a atividade seletiva e setorizada do
psiquismo consciente e a probabilidade do evento paranormal varia segundo as
características pessoais do APC e de outros fatores circunstanciais, e
quanto mais poderoso for o APC maiores as probabilidades da ocorrência de
psi.
O Modelo Geral para a Parapsicologia, proposto por Valter da
Rosa Borges e Ivo Cyro Caruso (1986: 256-260) é um exemplo de um bom modelo
descritivo para o entendimento de experimentos de visão remota. Nesse
modelo, há três elementos circunstanciais para se produzir psi: o agente psi
(AP), o meio psi (MP) e o fluxo psi (FP), sendo a função psi f(psi) = { (AP)
, (MP), (FP)}, o resultado da interação entre esses elementos.
Ronaldo Dantas Lins Filgueira (2000: 89) refletindo sobre o
modelo anterior apresentado por Borges e Caruso, considera que a abordagem
dos fenômenos psi sob a ótica da teoria do campo é promissora e possibilita
a percepção de detalhes importantes para a compreensão dos mesmos,
propondo o conceito de DDP (diferença de potencial) psíquico, a exemplo do
utilizado para campos gravitacionais e elétricos.
Caso essa hipótese anterior seja verdadeira, o
estabelecimento de rapport seria o equivalente a existência de uma DDP. O
receptor, no experimento de visão remota, escolhido por ser aparente de
maior potencial psíquico, estabeleceria essa DDP, possibilitando o fluxo
psi.
Ivo Cyro Caruso (2003: 297-298) coloca que o paradigma atual
da Parapsicologia se encontra sob variadas descrições, pouco coerentes, sob
a designação genérica de hipótese psi. O objeto central de investigação
dentro desse paradigma é a psiquê, na qual alguns ramos de seus estudos
destacam-se mais ou menos de contextos psicossociais, quer inter-sujeitos,
quer inter-grupos e que no paradigma atual da parapsicologia, não conhecemos
nenhuma explicação envolvendo qualquer processo neuronal do sistema nervoso
central (SNC).
Pesquisadores como William Roll e Michael Persinger (1998:
199), baseado nos estudos neurofisiológicos realizados com Sean Harribance,
sugerem que a ESP (do inglês Extra Sensory Perception) é primariamente uma
função do lado direito do cérebro. Sean mostrou significativas habilidades
psi em testes, controlados em laboratório, e apresentou dificuldades no
desenvolvimento da linguagem quando criança, um deficit que o
desenvolvimento da ESP pode ter compensado, pois passou de lerdo a primeiro
da turma, até o momento que precisou aprender francês e latim, línguas nas
quais não tinha nenhuma memória, deixando a escola após a sexta série.
Ao comentar as bases para uma epistemologia da
parapsicologia, Carlos Alberto Tinoco (1993: 175-182 ) afirma que as
diversas escolas filosóficas abordaram a questão da origem do conhecimento
de modo incompleto, e que foi necessário o aparecimento da mecânica quântica
para que fosse evidenciado a participação da consciência. A motivação produz
uma intenção , que é um elemento participante da estruturação do
conhecimento. O seu humano possui vários níveis de consciência e o nível de
consciência afeta a maneira de estruturar o conhecimento. Há dois tipos
principais de consciência coexistindo no homem: a consciência sensorial (CS),
que fornece a sensação de individualidade e de separação, e a consciência
fundamental (CF), que não está submetida às limitações espaço-temporais,
estando associada as forças básicas da vida. Tinoco propõe que o
conhecimento paranormal tem por fonte a CF, manifestando-se como expressão
final da CS.
Dean Radin (1997: 13) alerta que nomes e conceitos utilizados
para descrever psi dizem mais a respeito de situações nos quais os fenômenos
são observados do que propriedade fundamental dos fenômenos em si. Este
parece ser o caso dos fenômenos e experimentos de visão remota.
Um aspecto importante é o papel desempenhado pelo agente
(receptor), considerado por muitos pesquisadores e tais como Beloff (1993).
Neste experimento foi valorizado o papel do receptor que participou
inclusive da seleção dos alvos. Embora se saiba do papel desempenhado pelo
sujeito (emissor) há poucos estudos demonstrando sua importância (Roe &
Sherwood, 2001: 415).
As observações feitas por Ronaldo Dantas Lins Filgueira
(2000: 73-81), em relação ao baralho Zener, em relação as figuras do
quadrado “” e do círculo“O” ; bem
como, da cruz “+“ e estrela “L”,
constatou que teoricamente essas duplas são topologicamente idênticos. Se
psi for topologicamente compatível, os citados alvos não podem ser
considerados como diferentes, alterando consideravelmente os resultados
computados, uma observação importante para a escolha de alvos estáticos em
visão remota. Filgueira propôs a substituição do “” e do “O”
pelo símbolo do infinito, e a “+“
e “L” pelo símbolo da
interrogação “?”. Essa hipótese foi testada por Naum Kreiman
que, em correspondência à Filgueira, informou que obteve diferenças
significativas em testes de comparação desses dois baralhos. Pensamos que
as observações topológicas apresentadas por Filgueira sejam levadas
em consideração no caso da escolha de alvos estáticos em testes de visão
remota.
No IPPP costumamos realizar experimentos de baixo
custo, que com um pouco de criatividade estimulam o seu lado lúdico dos
participantes e fazem com que melhor se aproximem da demonstração de
possíveis habilidades psi, cujos resultados estimulem o debate sobre o
conhecimento paranormal. Além do baralho Zener tradicional, com as
restrições acima mencionadas, também realizamos:
¨
teste da cadeira ocupada, no qual as cartas são substituídas
por 5 pessoas, que se reversam aleatoriamente ocupando uma cadeira alvo.
Procura-se verificar se a simpatia/antipatia entre o receptor e as pessoas
alvo afetam o resultado.
¨
O baralho do IPPP substitui as cartas Zener por figuras
arquetipais;.
¨
Teste de psicometria, com a entrega de carta selada, escrita a
mão por determinada pessoa, baseado no polonês Ossowiecki (Foldor, 1966:
269). Nesse o agente psi procurará dizer informações sobre o autor da
grafia.
¨
Da cabine psicomântica nos moldes descritos por Moody Jr
(1996). Com a construção de uma cabine (pode ser simplesmente uma cortina
que isole o participante do ambiente e um espelho no qual não veja a própria
imagem), iluminação vermelha de fundo, a exemplo da cor utilizada nos testes
de Ganzfeld) que induza a um estado alterado de consciência e redução das
referências ambientais. Essas condições seriam possivelmente psi condutivas.
¨
Teste de psicopictografia e a aplicação da escala IPPP (Filgueira,
2000: 199-222) e Lima (1998: 45);
¨
Teste de sondagem telepática, teste Edgar Cayce em vigília,
entre outros.
Em resumo, os estudos sobre psi ainda envolvem muita
controvérsia e se configuram incipientes. Os experimentos de visão remota
são apenas uma forma metodologicamente simples de se investigar psi. Este
experimento de visão remota, enquadra-se nos considerados de simples
concepção praticados no IPPP. Inicialmente foi proposto por Naum Kreiman um
experimento de livre associação, primeiramente sem a intenção inicial de
publicação. Posteriormente Castro propôs a utilização além de alvos
visuais também alvos auditivos, gustativos e olfativos (Kreiman, 2003: 18).
Por seu baixo custo e pela alta motivação envolvida pelos
agentes emissor e receptor, o experimento foi posto em prática, após alguns meses de intensa troca de correspondências para a definição
dos alvos e planejamento das sessões. A motivação tornou-se maior por se
tratar de dois locais geograficamente distantes, e por envolver dois países
diferentes.
Algumas considerações gerais sobre experimentos de visão
remota
O
termo visão remota foi cunhado por Ingo Swann e Janet Mitchell na Associação
Americana de Pesquisas Psíquicas - ASPR no início dos anos 70.
Na
visão remota o receptor descreve ou dá detalhes sobre um alvo que está
inacessível aos sentidos normais devido a distância, tempo ou blindagem. Os
tipos de alvo normalmente diferem dos usualmente usados, pois incluem
localizações geográficas, objetos escondidos, ou mesmo sites arqueológicos
ou objetos diversos. A despeito do termo “visão” também envolve impressões
mentais pertinentes aos outros sentidos, como sons, gostos, cheiros e
texturas, bem como efeitos telepáticos e clarividentes.
Em
um experimento de visão remota, não é necessário entrar em um estado
alterado de consciência e também pode não ser requerido um emissor. São
diversas as formas de execução. Por exemplo: pode-se criar uma centena de
fotografias, sendo 7 delas escolhidas aleatoriamente e então colocadas em
uma localização remota. O(s) participante(s) tenta(m) então desenhar ou
descrever o alvo. As respostas são enviados para juizes independentes para
que verifiquem o grau de proximidade entre as mesmas.
Os
primeiros experimentos de visão remota são atribuídos a Hal Puthoff and
Russell Targ a partir de 1972 até 1986, inicialmente com Ingo Swan, no SRI
(Stanford Research Institute hoje SRI International). A pessoa testada
ficava residente no laboratório, acompanhada por um pesquisador,
enquanto externamente, outro pesquisador, a partir de uma série de lugares,
selecionava um deles que passava então a ser o alvo. Depois da escolha, o
pesquisador passava 15 minutos examinando cuidadosamente esse local, após o
qual a pessoa no laboratório passava a tentar descobrir, através de notas e
desenhos, onde o pesquisador estava. Em seguida, fotografias do
elenco de alvos eram mostradas a pessoa, das quais selecionava uma.
Posteriormente a pessoa visitava o local escolhido. O resultado do teste e
dos desenhos eram enviados a juizes, que visitavam todos os lugares
da série de alvos e então atribuíam uma nota a partir da qual a localização
se aproximaria mais ou menos das descrições da pessoa testada. O
experimento era bem sucedido quando os juizes, a partir das
descrições da pessoa testada, podiam indicar o alvo correto.
A
primeira publicação foi feita em 1976, pelos pesquisadores anteriormente
citados, no IEEE (Institute of Electrocnics and Electrical Engineers) sob o
título “A Perceptual Channel for Information Transfer over Kilometer
Distances” que pode ser traduzido como: Um canal perceptual para
transferência de informação a quilômetros de distância.
O
PEAR (Princeton Engineering Anomalies Research) efetuou entre 1983 e 1989 (Hansen
& Utts & Markwick, 1992: 97-113) extensas pesquisas de visão remota – 411
experimentos dos quais 336 foram considerados formais, através dos
pesquisadores Dunne, Jahn, e Nelson, além de, de Dobyns e Intner.
Nos testes realizados pelo PEAR o receptor (sujeito) tentava descrever a
localização geográfica desconhecida onde um emissor (agente) estava, ou
estaria, numa determinada hora (também denominados de visão remota
precognitiva). As datas e horas da visitação do alvo eram especificadas
antecipadamente. O receptor e o emissor se conheciam. No modo “volitivo”
(211 testes) o agente era livre para escolher o alvo, no modo “instruído”
(125 testes) o alvo era aleatoriamente selecionado de uma série de alvos
potenciais. Séries diferentes geralmente usavam diferentes conjuntos de
alvos. Durante o teste, o agente passava 15 minutos imerso em uma cena,
conscientemente alerta do intento do experimento. O agente, não monitorado,
usualmente selecionava um horário conveniente, algumas vezes diversos dias
antes ou depois da visitação do alvo específico registrava as percepções
através da escrita, desenhos ou ocasionalmente por gravação a fita. A
maioria dos testes (277) o primeiro passo da análise era o emissor e o
receptor darem uma resposta sim/não a um “descritor” de 30 questões. A
resposta a essas perguntas responde a localização do alvo. Os outros 59
testes foram realizados antes que a lista tivesse sido elaborada e foram
codificados por juizes independentes (ex post facto). De forma a garantir a
qualidade do comparação entre o alvo e a resposta, um escore era calculado
para cada teste.
O
PEAR desenvolveu 5 diferentes tipos de escores, o método B foi mais
utilizado. Neste, eram usados fatores de pesos (alfas), onde cada alfa era
proporcional as localizações alvo as quais o questão do descritor fosse
afirmativamente respondida. O numerador do escore foi criado pela adição de
1/alfa(i) se a questão i fosse respondida corretamente como “sim” pelo
receptor e 1/(1-alfa(i)) se a questão i fosse respondida corretamente “não”
pelo receptor. O denominador foi calculado pela adição desses termos como se
todas as 30 questões tivessem sido corretamente respondidas.
Em
outras pesquisas efetuadas, como as realizadas por Schlitz e Gruber em 1980,
o pesquisador e o pesquisado situavam-se em continentes diferentes, cujo
resultado p= 0,00005 foi bastante significativo.
Em
novembro de1995, foi divulgado pela um CIA relatório, depois conhecido como
relatório Star Gate, sobre 24 anos de investigações ESP conduzida com
recursos governamentais americanos, onde se concluiu que efeitos
estatisticamente significativos foram demonstrados em laboratório, mas em
nenhum caso ESP proveu informação que fosse alguma vez utilizada para
nortear as operações da Inteligência. Alguns pesquisadores, como Edwin May
(1996: 3-23) que sucedeu Targ na direção do SRI em 1985, criticaram
veementemente esse relatório.
De uma forma
geral, nos testes de visão remota, o receptor pode ser solicitado a
descrever uma localidade do outro lado do mundo, a qual nunca tenha
visitado, ou a descrever um evento acontecido há bastante tempo, ou a
descrever um objeto selado em um recipiente em uma sala trancada, ou
descrever uma pessoa em atividade, tudo sem nada ser dito sobre o alvo, seja
o nome ou a designação.
Há diversos
outros tipos de testes, tais como: os denominados de visão remota coordenada
(coordinate remote viewing, originalmente usada no SRI) nos quais
usando números aleatórios e coordenadas geográficas, o sujeito (tais como,
Ingo Swan) identificaria as localizações geográficas remotas, ou visão
remota extendida (extended remote viewing – ERV, híbrido de relaxação
e meditação)) nos quais se tentaria informação sobre alvos escondidos
usando estado alterado de consciência; ou ainda visão remota associada (associative
remote viewing - ARV) utilizada para predizer uma situação com múltiplas
possibilidades (2 ou 3 respostas), podendo ser usado na previsão do mercado
de ações.
Em outras
variedades, os receptores seguem determinados formatos específicos,
concebidos para aumentar a performance do receptor de várias maneiras, tais
como, lidar melhor com o “ruído” (pensamentos perdidos, imaginações,
análises, etc., que degradem o “sinal” psíquico”) ou permitam o ingresso de
dados a serem melhor lidados. Outros métodos são mais pessoais onde um
indivíduo pode, através de tentativa e erro, desenvolver seu própria
abordagem personalizada.
A seguir descrevermos o método aqui empregado cuja motivação
principal foi: “vamos fazer algo simples, metodologicamente fácil, e
verificar o que acontece”.
MÉTODO
O experimento consistiu de sete sessões, realizadas
semanalmente, com uma hora de duração cada, das 20:00 as 21:00, sempre às
quintas-feiras, entre maio e junho de 2001, conforme indicado no anexo I. O
emissor (agente) situou-se em Buenos Aires, Argentina e o receptor (sujeito)
situou-se em Recife, Brasil. Não houve diferença de fuso horário durante as
sessões.
Cada sessão teve quatro alvos emitidos, cada qual por quinze
minutos, logo N = 7 x 4 = 28.
O objetivo do experimento foi:
¨
O receptor procurar acertar o alvo através de uma maneira
estimulante envolvendo quatro sentidos;
¨
Verificar se alguma categoria de alvo, dentro as 5 existentes,
mostrava-se mais favorável/desfavorável ao fenômeno;
¨
Verificar a ocorrência do efeito declínio, com a diminuição e
aumento do número de acertos ao final do experimento;
¨
Verificar a ocorrência, ou não, do efeito deslocamento, na
mesma sessão, ou em sessão posterior ou anterior;
¨
Qualquer que fosse o resultado discutir sobre o experimento,
tendo vista que todos os resultados devam ser divulgados e comentados
Ao contrário do procedimento geralmente utilizado nos testes
de escolhas livres, em que os alvos são escolhidos previamente apenas pelo
experimentados, neste estudo os alvos foram escolhidos com a participação do
receptor. Na série tomou-se como premissa o maior papel desempenhado pelo
receptor. Acreditamos que isso facilitaria o experimento tanto pelo
conhecimento prévio dos alvos como por estabelecer um rapport sujeito e
alvo, pois haveria significado dos alvos para o receptor. Utilizou-se ainda
o modelo emissor/ receptor. Trata-se de uma simplificação, pois a
parapsicologia utiliza prioritariamente o método estatístico matemático em
detrimento de outros procedimentos metodológicos que poderiam proporcionar
um substancioso enriquecimento da pesquisa (Rosa Borges & Caruso, 1986 :
256). Esse modelo evita abordar a relação mente-cérebro, investiga o ser
humano na condição de sistema aberto e facilita a operacionalização dos
testes, pois define o papel do agente e sujeito.
Poder-se-ia ter se utilizado vários receptores (sujeitos),
isolados ambientalmente para se evitar influencias comuns, e participantes
em todas as sessões, bem como a utilização de mais de um emissor, e comparar
se haveria alteração do resultado. Por simplificação, optou-se por a se
utilizar apenas um receptor.
O receptor enviou sua fotografia ao emissor e vice-versa com
a finalidade de se estabelecer rapport entre eles. Tanto o emissor (agente)
quanto o receptor (sujeito) estariam localizados nas suas próprias
residências.
Inicialmente
foi pensado nos alvos como: um feito que estivesse ocorrendo ou uma ação em
que o agente estivesse realizando, porém durante o transcorrer do
planejamento optou-se por se escolher alvos utilizando quatro sentidos,
tornando os alvos mais próximos da realidade sensorial, possibilitando o
agente “ver” e sentir a distância. Cabe ressaltar que não só os experimentos
de visão remota lidam com o uso de diversos sentidos. Outras pesquisas psi,
tais como os experimentos pioneiros, relacionando os efeitos psi em sonhos,
realizados por Montague Ulmann, Stanley Krippner e A. Vaughan, no Hospital
Maimonades (hoje Maimonades Medical Center) cujos resultados foram
divulgados no livro Dream Telephaty (Ulmann, 1998: 32-33), também o
fazem.
Assim sendo, foram escolhidos alvos: visuais estáticos e
dinâmicos, bem como alvos olfativos, gustativos e auditivos.
Foram esses
os alvos selecionados:
¨
4 fotografias (alvo visual estáticos): paisagem, com
árvores; animal urso: animal girafa; espaço sideral com planetas;
¨
4 cenas de filmes (alvo visual e auditivo dinâmico);
¨
4 músicas (alvo auditivo dinâmico);
¨
4 sabores (alvo estático gustativo): açúcar,
sal, limão, pimenta;
¨
4 aromas ou odores (alvo estático olfativo): lavanda
(alfazema); amoníaco; café forte, acetona;
Consideramos alvos estáticos aqueles que contivessem um só
tipo de informação que não variasse com o tempo, tais como: as 4
fotografias, os sabores e os aromas. Os alvos compostos pelas músicas e
cenas de filmes, uma vez que continham mais de uma informação (tais como
diferentes tipos de sons e ritmos e imagens e cores que variavam no tempo
proposto de quinze minutos), foram tidos como dinâmicos
Foram dadas instruções para o emissor e receptor, para que
alguns minutos antes de se iniciar a sessão, fizessem um breve exercício de
relaxação física e tranquilização mental e se conscientizarem que vão ter
uma visão ou uma idéia ou sentimento do que uma pessoa está emitindo
imagens, cheiros, músicas ou sabores em uma cidade distante (Buenos Aires ).
Foi utilizado o embaralhamento simples dos alvos (cartão com o nome dos
mesmo).
Tarefas dos coordenadores, emissor, receptor e juiz
Foi escolhido um juiz independente situado em Recife, não
pertencente a nenhuma das duas instituições envolvidas. Tanto o receptor
quanto o emissor entregaram imediatamente ao término de cada sessão duas
cópias do resultado do experimento para seu respectivo coordenador, bem como
por correspondência eletrônica. Cada coordenador só pôde fazer avaliação as
cegas do seu coordenado.
Cada coordenador enviou os resultados, imediatamente após
cada sessão, via correspondência eletrônica ao juiz independente.
O resultado do teste só foi divulgado ao emissor e receptor
ao final da série, como forma de reforçar nem positivamente nem
negativamente qualquer bom ou mal resultado esperado.
O juiz independente fez uma avaliação
entre os registros e os alvos. Para cada sessão verificou o registo
de cada sujeito e os comparou com o registo do agente, marcando certo ou
errado. Ao final, foi registrado o numero de acertos por sessão e o total.
Foram computados pontos para os alvos na mesma ordem, mas também
verificou-se se ocorreu algum efeito deslocamento tanto a mesma sessão
quanto para sessões anteriores e posteriores.
Ao final das 7 sessões e após o resultado final divulgado
pelo juiz aos coordenadores que trocaram correspondências, divulgando o
resultado entre si..
RESULTADO E
DISCUSSÕES
Os resultados obtidos estão explicitados no anexo I. Em cada
sessão foram computadas as seguintes probabilidades de acerto de cada alvo,
o primeiro foi de 1/20, o segundo 1/19, o terceiro 1/18 e o quarto alvo
1/17, a soma das probabilidades para os 4 alvos é 0,217, sendo a média
0,217/ 4 = 0,054.
O número de ensaios realizados foi 28 (4x7), 8 foram os
acertos pontuais. Temos a probabilidade p = 0.054, e a esperança matemática
n.p = 28 x 0,054 = 1,52. O desvio padrão é igual a raiz quadrada de n.p.q
=28 x 0,054 x 0,946 que é igual a raiz quadrada de 1,43, ou seja, 1,196.
O valor de z = [ (8-1,52) – 0,5] / 1,196 = 5, por conseguinte
p= 0,00002, ou seja, 1 em 50.000, amplamente significativo.
Muito embora o objeto do experimento foi o acerto por alvo,
se quisermos avaliar os acertos em função das categorias (cinco
classes de alvos) teremos:
p= 5/20 = 0,25, n.p = 0,25 x 8 = 7 acertos. O desvio padrão
(∂) é raiz quadrada de n.p.q = √ 28 x 0,25 x 0,75 = 2,29. A quantidade de
acertos por classe foi 12 , logo: z = (12 – 7) – 0,5 = 4,50 / 2,29 = 1,96,
portanto, p = 0,025 (tabela de Gauss), ou seja não significativo..
Rhine (1965: 47) relatou estudos divulgados em 1939
por Pratt e Woodruff em que a percentagem de sucessos baixava notadamente
para o sujeito médio sem qualquer alteração das condições da experiência.
Considerava que o efeito declínio é característico de ESP, encontrando
também declínio semelhante em outras atividades, tais como, na clarividência
pura, memória e no ato de aprender (1965: 169-170), considerava que o efeito
declínio se apresenta em curvas na forma de U. Hernani Guimarães de Andrade
(1967: 111) refere-se a curva U para descrever um maior número de acertos no
início da operação, mas à medida que se desenvolve a série de tentativas a
freqüência dos acertos tende a cair (declinação), quando se aproxima o fim
da série ocorre ligeira reação na freqüência dos acertos (ascensão ou
emergência).
Segundo
Rhine (1965: 146), referindo-se novamente a Pratt e Woodruff, o tamanho das
experiências ESP não tinham importância, pois cada vez que se introduzia
noutro tamanho a marcação se elevava e durante algum tempo vindo depois a
declinar novamente. A repetição desse nosso experimento com maior número de
sessões poderia confirmar as observações de Pratt e Woodruff.
No nosso
caso, não ocorreu nenhum acerto no primeira sessão. Na penúltima sessão
(sexta semana) também não houve nenhum acerto, porém na última sessão
(sétima semana) houve 3 acertos, possivelmente caracterizando o efeito
declínio e ascensão (queda e subida ao final do experimento), visualizado
através do gráfico mostrado no anexo II, que mostra uma curva U parcial.
Uma das
finalidades do experimento pode sugerir o modus operandi do agente.
Dos oito alvos acertados, 6 foram estáticos (4 fotografias, 1 gosto e 1
aroma) e dois dinâmicos (cenas de filmes). O acerto de alvos estáticos foi
proporcionalmente maior que os de alvos dinâmicos, mesmo sabendo que havia
1,5 mais alvos estáticos (12) que dinâmicos (8), pois o acerto de
estáticos (6) foi o triplo dos dinâmicos (2). Isso parece confirmar os
relatos da receptora que informou que se conscientizava dos alvos olfativos
e gustativos através de imagens visuais estáticas ao invés de sensações, daí
possivelmente o maior número de acertos de alvos estáticos. Em testes
futuros, a medida que fosse sendo estabelecido o melhor modus operandi
entre agente e receptor, poder-se-ia tornar mais rígido o controle do
experimento.
A questão
ligada a sensação e consciência tem sido levantada por Nicholas Humphey, que
em sua obra “Uma história da mente: a evolução e a gênese da consciência,”
focaliza a consciência como uma sensação em estado natural, bem como as
relações entre sensação e percepção (1992: 29-36).
O papel da
percepção em psi também é salientado por Roll e Persinger (1988: 199) quando
associa ESP a formas clássicas de percepção (como a visão), sendo respostas
a objetos no tempo e espaço, incorporando memória implícita, e ambos enfocam
objetos importantes para a sobrevivência e bem estar.
Psi também
estaria relacionada a percepção subliminar pois é mais associativa do que
representacional e, mais multi-modal do que modo específica (por exemplo, um
alvo visual pode ser representado por impressões visuais). A ESP tem uma
dinâmica organizacional, porque o percebido por ESP tende a ser reconstruído
na consciência. (Kreiman, 2003: 11).
Pesquisadores como Dean Radin (2003:141) sugerem que as sensações do sistema
nervoso autônomo possam inconscientemente responder a determinados eventos
aleatórios futuros, como figuras calmas ou emocionais, conforme verificado
através atividade eletrodérmica da pele. Da mesma forma, May e Spootiswoode
(2003:98) sugerem que as sensações relacionadas à condutividade da pele
respondem a estímulos 2-3 segundos antes da sua apresentação, como
verificado em experimentos com diferentes respostas entre fotografias com
alta e baixa afetividade (violência, erotismo, etc.). Bierman e Sholte
(2002: 25) sugerem que respostas antecipatórias que precedem estímulos
emocionais (fotografias) são maiores que as respostas antecipatórias que
precederiam estímulos neutros, quando analisadas através de ressonância
magnética (fMRI).
O emissor foi considerado de papel secundário. Poderá ser
testado que a participação do receptor na construção dos alvos, melhore o
rapport da dupla emissor-receptor e com isso, influencie os resultados
advindos dos testes. A continuidade dos testes poderia ter levado também a
participação do emissor na seleção dos alvos e com isso verificar se haveria
alguma alteração nos resultados, bem como o receptor não saber se haverá
emissor ou não para os alvos.
Deixamos de
verificar se a variação entrópica das cores dos alvos conforme proposto por
Edwin May (1997: 61-63) afetaria os resultados. Também não verificamos a
influência dos campos geomagnéticos e estrelares ao longo do experimento,
porém estão identificadas as datas horas e locais (cidades) dos mesmos.
Pretendemos oportunamente fazer essas verificações, através de material
gentilmente cedido por Edwin May.
Qualquer
série de experimentos, em princípio, precisa responder as seguintes
questões há tempo levantadas por L. Irwin Child (1987: 190-191):
a.
A pesquisa sugere a ocorrência de anomalias psi? A aparente
transferência de informação ou influências sob condições que não tenham uma
explicação pronta e consistente com o entendimento cientifico normal do
mundo?
b.
Em que extensão a inferência impressão de anomalia se sustenta, para
que se possa inferir alguma base para um processo psi subjacente como a mais
provável explicação dos fatos observados?
c.
Com psi sendo entendida tanto de uma forma descritiva ou explicativa
em que extensão a pesquisa vai além da demonstração de psi e contribui para
o conhecimento científico de psi.
Ainda
segundo L. I. Child (1987), a investigação psi? dos fenômenos
considerados evidentes feita pelos pesquisadores tem levado, a exemplo de
outros campos científicos, a crítica de seus próprios trabalhos e de outros
pesquisadores, na esperança que essa crítica melhore a eficácia das futuras
pesquisas e contribuas para o entendimento de psi.
Acreditamos
que devido a probalidade de acaso encontrada (1 em 50.000) possam sugerir a
existência de psi. Porém, as questões a e b colocadas por Child, para serem
efetivamente respondidas necessitariam do prolongamento do experimento de
modo a evidenciar psi de forma consistente. Caso isso seja demonstrado, e as
evidências e o conhecimento sobre a operação do receptor sejam gradualmente
desvendados poder-se-ia contribuir para a questão c colocada por Child.
Kreiman
(2003: 10) coloca que a parapsicologia deveria responder os seguintes temas
entre outros: como funciona a ESP; qual o mecanismo ou dinamismo por qual o
inconsciente ascende a consciência, o que favorece a ESP, o que a perturba,
de que maneira ESP pode impulsionar nossa conduta e qual a medida de
receptibilidade da ESP.
Dean Radin
(1997: 42 e 48) observa a dificuldade da replicação dos experimentos psi
devido a característica inerentemente estocástica dos mesmos, ou seja o
fenômeno varia com o tempo, além do mais, o fenômeno pode reagir com a
situação experimental alterando suas características por causa do
experimento. Sendo um problema relativo as ciências sociais e do
comportamento, pois é virtualmente impossível garantir que o indivíduo
testado é exatamente será exatamente o mesmo quando testado novamente.
A
parapsicologia por utilizar métodos convencionais (Krippner & Hovelman,
1986: 385-8) não provocará uma revolução no sentido empregado por Kuhn,
(1972: IX), de alteração da perspectiva histórica da comunidade que a
vivencia.
Entendemos
que o trabalho aqui proposto somente lançou uma variável metodológica, em
termos de Ibero América, já que desconhecemos outros trabalhos nesta linha,
ao usar quatro sentidos, e estimulou a necessidade dos experimentos psi
amoldarem-se às características do sujeito, pois caso o pesquisador
psi deseje verificar seus múltiplos aspectos faz-se necessário
adaptar-se ao modus operandi dos pesquisados, e não o contrário.
Esperamos
que as críticas a este trabalho possam contribuir para a realização de
outras pesquisas na Ibero América, carente de investigações psi .
Psi trás a
tona, como um problema pertencente ao campo científico, a questão do link
entre subjetividade (significado) e objetividade (de um paradigma de forças
para outro cuja informação e o significado sejam dominantes), da
interconectividade entre mentes, da não-localidade da mente, da
independência do efeito psi no espaço e no tempo e do papel essencial que a
consciência possa ter na dita realidade objetiva (Castro, 1998, 40).
O estágio
atual do conhecimento científico não é favorável, em diversas ciências,
notadamente nas ciências cognitivas e às ligadas as tecnologias da
informação, a aceitação de fatores como psi e consciência, e que estas
posam interagir com a com a realidade física, como os experimentos de visão
remota parecem sugerir. Nosso entendimento é o de que a
metodologia em uso na parapsicologia, por mais estatisticamente
significativa que seja, e amplamente replicável e metodologicamente
perfeita, mesmo assim, por chocar-se com o paradigma em curso,
não será considerada evidência que psi possa operar através de mentes
e do espaço e tempo. Acreditamos que este século será promissor à inclusão
das anomalias chamadas de psi ao arcabouço científico.
ANDRADE, Hernani
Guimarães. Parapsicologia experimental. São Paulo: Edição Calvário,
1967.
BELOFF, John. Parapsychology: a concise history. Londres: The Athlone
Press, 1993.
BIRMAN, Dick J. & SCHOLTE H. Steven. Anomalous antecipatory brain activation
preceeding exposure of emotional and neutral pictures. Anais da
Parapshychologycal Association 45th Convention, Paris, 2002.
BORGES, Valter da
Rosa. Manual de Parapsicologia. Recife: Cia Editora de Pernambuco,
1992.
________ & CARUSO,
Ivo Cyro. Parapsicologia: um novo modelo (e outras teses). Recife:
IPPP, 1986.
CARUSO, Ivo Cyro.
A parapsicologia e seus problemas. Olinda: Novoestilo Edições do Autor,
2003.
CASTRO, Jalmir
Freire Brelaz de. Contribuições das pesquisas psi ao estudo da consciência.
Anais do Tercer Encuentro Psi 1998: Consciencia y Psi como Fronteiras de
Exploracion Cientifica, Buenos Aires, 1998.
CHILD, L. Irwin.
Criticism in Experimental Parapsychology, 1975-1985. In:
KRIPPNER, Stanley. In Advances in Parapsychologycal Research Vol 5.
GOSWAMI, Amit. A
janela visionária. São Paulo: Editora Cultrix., 2003.
FILGUEIRA, Ronaldo
Dantas Lins. Teoria parapsicológica geral (e outros ensaios).
FODOR, Nandor. An encyclopaedia of psychic science. Seacaucus: Nova
Jersei, The Citatel Press, 1966.
HANSEN, George. P. & UTTS, Jessica & MARKWICK, Betty. Critique of the PEAR
remote-viewing experiments. Journal of Parapsychology. Vol 56, No 2.
HUMPHREY, Nicholas.
Uma história da mente: a evolução a gênese da consciência. Rio de
Janeiro: Editora Campus Ltda, 1994.
KREIMAN, Naum.
Elementos descritivos y conceitualies de parapsicologia: introducción de la
metodologia de J. Rhine en la Argentina. Buenos Aires: Editorial La Cirpleja,
2003.
KRIPPNER, Stanley.
Possíveis efeitos do campo geomagnético nos fenômenos psi. Anais do I
Congresso Internacional e Brasileiro de Parapsicologia, Recife, 1997.
_________. Advances in parapsychological research. Vol 6. Macfarland
& Company:Jeferson, Caronilna do Norte, 1990.
________& HOVELMAN. Parapsycology Review, V.17, No 6., 1-5, 1986.
KUHN, Thomas. The structure of scientific revolutions. 2nd
edition enlarged.
LIMA, Isa Wanessa
Rocha Lima. Pesquisa Pictográfica de Jacques Andrade (1a Fase).
Anais do Tercer Encuentro Psi 1998: Consciencia y Psi como Fronteiras de
Exploracion Cientifica, Buenos Aires, 1998.
MAY, Edwin C. .
Avanços no entendimento da cognição anômala. Anais do I Congresso
Internacional e Brasileiro de Parapsicologia, Recife, 1997.
_______. The American Institutes for Research Review of The Departament od
Defense’s Star Gate Program: a Comentary. The Journal of Parapsychology 60,
March 1996.
_______ & SPOTTISWOODE, S. James P. Skin conductance prestimulus response to
future audio starle stimuli. Anais da Parapshychologycal Association 41st
Convention, Vancouver, Canadá, 2003.
MOODY, Raymond & PERRY, Paul. Reencontros. Rio de Janeiro:
Record, 1996.
PUTHOFF, H.E.. CIA – Inicializes remote viewing at Stanford Research
Institute. Artigo capturado na Internet em 28.02.2004, através do
site: www.mceagle.com/remote-viewing/refs/ .
RADIN, Dean I.. The conscious universe: the scientific truth of pshychic
phenomena. Nova Iorque: HarperCollins Publishers, 1997.
_______. Eletrodermal presentiment of future emotions. Anais da
Parapshychologycal Association 41st Convention, Vancouver, Canadá,
2003.
RHINE, Joseph Banks.
O alcance do espírito.
ROE, Chris A & SHERWOOD, Simon. Revising the role of the ender using
a ganzfeld psi hit. Anais da Parapshychologycal Association 44th
Convention, Nova Iorque, 2001.
ROLL, William G. & PERSINGER, Michael. Is ESP a form of perception?
Contributions from a study of Sean Harribance. Anais da Parapshychologycal
Association 41st Convention, Halifax, Canadá, 1998.
SPOTTISWOODE, S. James P. & MAY, Edwin C. Anomalous congniton effect size;
dependeing on sidereal time and solar wind parameters. Anais da
Parapshychologycal Association 40th Convention, Londres, 1997.
TARG, Russell. Remote viewing ar Stanford Research Institute on the 1970s: a
memoir. Artigo capturado na Internet em 28.02.2004 através do site:
www.mceagle.com/remote-viewing/refs/ .
TINOCO, Carlos
Alberto. Parapsicologia e ciência: origens e limites do conhecimento
parapsicológico. São Paulo: IBRASA, 1993.
ULMANN, Montague.
Investigacion psiquica: una perspectiva personal. Revista Argentina de
Psicologia Paranormal. Volume 9, Número 1 (33), Enero 1998.
WESTERLUND, Joakin &
DALKVIST, Jan. Local sidereal time, global geomagnetic
field: fluctuations anda traffic accidents. Anais da
Parapshychologycal Association 40th Convention, Palo Alto, EUA,
1999.
ANEXO I
RESULTADOS DOS EXPERIMENTOS DE VISÃO REMOTA
|
|
Squência dos ALVOS |
Agente: Julia Kreiman (Buenos Aires) |
Sujeito: Simone Wanderley (Recife) |
OBS |
EXP. 1
|
1
- 19:30-19:45 |
Estático
Auditivo: Rock |
Estático Olfativo: Café* |
|
|
Data |
2
– 19:46-20:00 |
Dinâmico: Filme Amor e Sexo |
Dinâmico: Filme horror |
Ficou
indecisa entre Rock |
|
17.05.01 |
3
– 20:01-20:15 |
Estático Olfativo: Café* |
Dinâmico
Auditivo: Música Piazzola |
|
|
|
4
– 20:16-20:30 |
Estático: Planetas |
Estático: Árvore |
|
EXP. 2
|
1
- 19:30-19:45 |
Estático Olfativo:
Lavanda*
|
Gustativo: Sal |
|
|
Data |
2
– 19:46-20:00 |
Dinâmico
Auditivo: música Piazzola |
Dinâmico
Auditivo:Tema Paganini |
|
|
24.05.01 |
3
– 20:01-20:15 |
Estático: Girafa
|
Estático: Girafa |
|
|
|
4
– 20:16-20:30 |
Estático
Gustativo: Açúcar |
Estático Olfativo: Lavanda
*
|
|
EXP. 3
|
1
- 19:30-19:45 |
Estático Gustativo: Limão
|
Estático
Gustativo: Pimenta |
|
|
Data |
2
– 19:46-20:00 |
Estático: Oceano |
Visual Estático: Oceano |
|
|
31.05.01 |
3
– 20:01-20:15 |
Visual Dinâmico: Filme Ben Hur |
Visual Dinâmico: Filme Ben Hur
|
|
|
|
4
– 20:16-20:30 |
Estático: Planetas |
Dinâmico
Auditivo: Música Roda da Fortuna |
|
EXP. 4
|
1
- 19:30-19:45 |
Dinâmico Auditivo: Música Conquista do Paraíso* |
Estático
Olfativo: Amoníaco |
Simone
estava com dor de cabeça |
|
Data |
2
– 19:46-20:00 |
|