A FOTOGÊNESE SOB
O ENFOQUE DA TEORIA QUÂNTICA
Ronaldo Dantas
Lins (*)
O fenômeno designado fotogênese é descrito
neste artigo como resultante do retomo de um elétron de uma camada
energética maior para outra com teor energético inferior e a conseqüente
emissão de um quantum energético (na forma de luz). Postulamos que o elétron
poderá chegar a essa camada devido à sua interação com a mente, produzida
pelo bloqueio da função inibidora tau; este bloqueio permite uma interação
de natureza psicocinética sobre o elétron.
Além disso, propomos uma alteração na
abordagem taxonômica da parapirogenia, devendo esta ser compreendida como
uma modalidade de fotogênese com produção de chama e não como um fenômeno
totalmente independente.
Finalmente, o modelo prevê a existência de um
efeito, denominado ionizante, devido ao processo descrito poder ocorrer nos
elétrons das camadas mais internas, quando tivermos um Agente Psi Confiável
potente, com a conseqüente produção de raios X.
1.
CONSIDERAÇÕES GERAIS
A fenomenologia parapsicológica é rica em
eventos de natureza física como produção de som (toribismo), movimento
(psicocinesia) e luz (fotogênese). Este pode ser interpretado como um caso
particular de psicocinesia a nível de partículas subatômicas, decorrente do
bloqueio da função inibidora tau, sem a necessidade de supor-se a existência
da telergia como suporte inexorável para sua descrição.
A fotogênese é passível de ser simulada tanto
por fenômenos naturais (fogo-fátuo, fogo de Santelmo) como artificiais
(devido a fraude utilizando-se substâncias como ferro-cerium, hidrogênio
fosforado, etc.), por isso a atenção deve ser redobrada quando da observação
dos eventos.
A fotogênese (fotós = luz e gênesis = geração,
produção) possui várias sinonímias, entre as quais destacamos: telepirótica
(tele = longe e pyros = fogo); telefania (tele = longe e thino = brilllar);
fotoforia (fotós = luz e forás = produção, ação de levar).( l )
Para que fenômenos biofísicos não sejam
confundidos com este fenômeno paranormal, faz-se necessário que o
especialista da área tenha conhecimento dos seus mecanismos de produção para
que possa emitir laudos e pareceres com segurança e conhecimento de causa.
Podemos conceituar o fogo fátuo como o fenômeno luminescente proveniente da
emissão de gases de matéria orgânica em decomposição.
O hidrogênio proto-carbono é o gás mais
comumente encontrado nos fogos-fátuos produzidos nos pântanos, consistindo
de uma chama azulada e pouco brilhante. Nos cemitérios, os gases emitidos
dos corpos em putrefação é o hidrogênio fosforado. Os fogos-fátuos se
deslocam rapidamente com o movimento do ar, dando uma idéia de perseguição
àqueles que correm assustados com a sua presença.
O fogo de santelmo consiste no acúmulo de
eletricidade estática do meio ambiente. Pode ser visto na extremidade de
diversas estruturas como mastros de navios, pico de igrejas, copas de
árvores, pára-raios, etc.
Algumas pessoas têm a particular condição de
acumular eletricidade estática em seus corpos, principalmente em dias secos,
produzindo descargas elétricas quando se aproximam de determinados objetos.
Dentre os paranormais que apresentaram o
fenômeno da fotogênese podemos destacar Ana Burton, Eusàpia Palladino,
Thomas Green Morton e Pasquale Erto.
2.
CONCEITO E PROPOSTA EPISTEMOLÓGICA
Podemos entender fenômeno de psi-kapa como o
evento incomum da mente humana em que ocorre uma ação física de uma pessoa
sobre seres vivos ou a matéria em geral, sem a utilização de qualquer
extensão ou instrumento de natureza energético/material. ( 2 )
Uma das evidências a favor da interação
mente-matéria ( psicocinesia) são as pesquisas com micro-psicocinesia ( ação
da mente sobre partículas subatômicas ); estas de- correram da observação de
que a mente parece influenciar mais facilmente objetos de pequeno porte e
em movimento, principalmente quando efetuado de maneira caótica.( 3 )
Denomina-se fotogênese o fenômeno de psi-kapa
pelo qual ocorre a produção de luzes, de luminescência, pelo Agente Psi. Por
ser um fenômeno de psi-kapa, trata-se de um evento objetivo, perceptível a
todos que se encontram no local da manifestação, bem como, apresenta a
propriedade de ser fotografável ou filmável. Se apenas algumas pessoas
referem observar a luminescência, poderá tratar-se de um caso de alucinação,
distúrbio do aparelho visual, hiperestesia ou um fenômeno de psi-gama como a
aparição, clarividência, etc.
Propomos, aqui, uma nova abordagem
epistemológica, em que a luminescência produzida pode vir acompanhada ou não
por uma chama. Desta feita, teremos que a fotogênese pode ser subdividida
conforme o esquema a seguir:
1. Parapirogenia
1.1.
Autoparapirogenia - sobre o próprio AP
1.2. Heteroparapirogenia
1.2.1. Sobre objetos inanimados
1.2.2. Sobre outros seres vivos
2. Fotogênese Estrita
2.1. Sobre o meio ambiente
2.2. Sobre o AP ( Autofotogênese)
2.3. Ectoplásmica
Parapirogenia - Combustão espontânea de
objetos mediante a ação paranor-
mal
do agente Psi( 4 ). Pode ocorrer sobre o próprio agente psi (autoparapirogenia)
ou
Fotogênese estrita - Consiste na luminescência
obtida paranormalmente, sem
3.
UMA HIPÓTESE PARA A FOTOGÊNESE
Uma das teorias existentes para descrever o
fenômeno da fotogênese utiliza-se dos mecanismos deflagradores da
bioluminescência observada em vaga-lumes, pirilampos, peixes abissais,
algas, bactérias, etc. O fósforo existente no organismo poderia se tornar
luminescente na urina ou suor. O jejum prolongado pode produzir um excesso
de enxofre no organismo que pode se fazer luminoso sob a ação de irradiações
ultravioletas. Este modelo, entretanto, só responderia pelos fenômenos de
autofotogênese e fotogênese ectoplasmática, não servindo para descrever a
fotogênese ambiente. Necessitamos assim de um modelo abrangente que possa
também incluir esta modalidade. Propomos aqui um modelo para a fotogênese
estrita, deixando para uma abordagem posterior os fenômenos de
parapirogenia.
Parece existir um princípio denominado de não-localidade pelo qual alguma coisa pode ser feita na ausência de qualquer causa local. Baseia-se no Teorema de Bell e concebe a realidade como sendo de natureza indeterminada. Para a teoria qüântica não há partes separadas da realidade, mas fenômenos intimamente relacionados, inseparáveis, como ilustra o paradoxo Einstein - Podolsk - Rosen.(5)
SARTI definiu como "link" ao acoplamento de um
pensamento a um sistema nervoso ou a outro objeto físico. Na morte tal
acoplamento deixa de existir. No paranormal parece haver um desacoplamento
parcial. Quando há a disjunção mente-sistema nervoso, o pensamento poderá
estabelecer um "link" externo e provocar os fenômenos psicobiofisicos.( 6)
Postulamos a existência de duas funções
psíquicas efetoras: a função pi e a função tau. A primeira bloqueia os
impulsos eferentes, principalmente da formação reticular facilitadora e
inibidora, impedindo a rigidez, a espasticidade e a hiperatividade
glandular.
A função tau bloqueia o "link" mente-matéria (
conforme o princípio da não-localidade ) e conseqüentemente sua inibição
produzirá os fenômenos de psicocinesia. ( 7 )
Horta Santos ( 8 ) propõe que, na Dobragem Psicocinética de Metais (DPM), mais conhecido como efeito Geller, há uma diminuição da dendidade da nuvem eletrônica, promovendo o amolecimento do metal. Em termos da função tau podemos conceber que o bloqueio da mesma faculta a explicitação do “link” mente-mundo físico através das seguintes etapas:
1 - Conexão mente-lépton, especificamente
elétron da nuvem eletrônica do metal, e o seu conseqüente deslocamento para
um estado qüântico de baixa probabilidade. Isto equivale ao regresso de
grande número de elétrons aos níveis de energia mais baixos, correspondendo
a última camada.
2 - Ocorre o amolecimento do metal devido a
diminuição da capacidade coesiva das ligações metálicas, decorrente da
rarefação da nuvem eletrônica.
3 - Deformação plástica devido a :
a) Ação de forças mecânicas (peso,
tensões, etc. ).
b) Explicitação do “link” mente-bárions
(psicocinesia hadrônica)
4 - Retorno do metal à consistência original,
conservando a nova forma.
Vemos assim que existe dois momentos de
explicitação do “link”, isto é, de manifestação psicocinética:
1º Mente-lépton (elétron da nuvem
eletrônica).
2° Mente-bárion ( nêutron, prótron ).
Como veremos adiante, na fotogênese a
explicitação do "link" se efetua apenas através da interação mente-elétron,
porém dos elétrons situados no interior do átomo e em suas camadas mais
externas.
4.
ESTADOS EXCITADOS DOS ÁTOMOS
No ano de 1901 o físico Max Planck enunciou o
seguinte princípio conhecido como postulado de Planck: "A energia total de
qualquer entidade física cuja única"coordenada" execute oscilações
harmônicas simples ( expressa em função sinusoidal do tempo ), pode assumir
tão-somente valores que satisfaçam a relação:
E = nhn,
n = 0, 1, 2, 3, ...
Onde
n
é a freqüência de oscilação e h uma constante fundamental.
-17
h=6,63x10 erg-s ( constante de Planck )".
Por outro lado Niels Bohr, em 1913, elaborou
uma teoria atômica baseado em quatro postulados, dos quais o quarto é de
grande importância para o tema aqui desenvolvido que consiste no seguinte: (
9 )
"A radiação eletromagnética é emitida se um
elétron, inicialmente movendo-se numa órbita de energia total Ei,
muda descontinuamente seu movimento, de modo que passa a mover-se numa
órbita de energia total Ef. A freqüência de radiação emitida
n é
igual a quantidade ( Ei - Ef ) /h.".
Outro princípio de grande importância para
nossa discussão, conhecido como postulado de Einstein, baseia-se no fato do
Postulado de Planck implicar em que uma fonte ao modificar seu estado de
energia nhn
para ( n - 1) hn
( isto corresponde ao retorno de um elétron ao orbital que ocupava no estado
fundamental após sua excitação ), emitiria uma porção de energia
eletromagnética igual a hn
.
Além das subcamadas ocupadas no estado
fundamental, existem também no átomo, níveis de energia mais altas ainda não
ocupados. Num estado excitado, haverá baixíssima probabilidade que isto
ocorra em mais de dois elétrons.
De maneira geral há dois tipos de excitação:
(10).
1. Tipo um - Excitação de um elétron das
subcamadas de maior energia (elétron de uma subcamada externa).
2. Tipo dois - Excitação de um elétron das
subcamadas de menor energia (elétron de uma subcamada interna).
No primeiro caso ocorre uma transição para um
dos níveis de energia de uma partícula discretos ou contínuos de maior
energia do que o nível inicial.
Exceto o nível 3d, todos os níveis até o nível
4s ( ls, 2s, 2p, 3s e 3p) estão completos. Existe um princípio enunciado por
Wolfgang Pauling em 1925 conhecido como princípio de exclusão(11) em que num
átomo de muitos elétrons não pode haver mais do que um elétron no mesmo
estado quântico" ou equivalentemente "um sistema contendo vários elétrons
pode ser descrito por uma autofunção anti-simétrica". Por este princípio, o
elétron excitado deve deslocar-se para um nível acima de 4s ou eventualmente
3d.
Desta maneira, a energia necessária para que
ocorra uma excitação do tipo dois é maior que a necessária para a produção
de uma excitação do tipo um.
-8
O elétron excitado tende a retornar
rapidamente ( aproximadamente em 10s) ( 12) a sua subcamada original com a
conseqüente emissão de um quantum de energia. Quando ocorre uma excitação do
tipo dois este quanta de energia produz um espectro de raios X e no caso da
excitação do tipo um, esse quanta de energia produz um espectro óptico ou
numa região circunvizinha.
A energia total de um elétron movendo-se em
uma das órbitas permitidas pode ser fornecida pela equação: 2
4 2
_
_
E = - mZ e / 2 n h , n = 1, 2, 3, ...,
onde Z é o número atômico e h = h/2p
A freqüência da radiação eletromagnética
emitida quando o elétron sofre uma transição do estado quântico n i
para o estado quântico n f pode ser obtida usando a equação anterior
e o quarto postulado de Bohr , resultando em:
2 4 _
n
= + mZ e / 4p
h ( 1 / 2 n - 1/ 2n )
i f
Nestes termos podemos argumentar:
1. O estado fundamental do átomo é aquele de
menor energia, ou seja n = 1.
2. Quando um átomo absorve energia isto
implica em que o elétron deve passar para uma subcamada de maior energia,
i.e, passa de um estado em que n = 1 para um estado excitado, em que n > 1.
3. O átomo nesta condição emitirá seu excesso
de energia e voltará a seu estado fundamental, conforme o postulado de
Einstein. Isto é conseguido através de transições em que o elétron excitado
retornará a subcamada que ocupava no estado fundamental. Cada transição
corresponde a emissão eletromagnética na freqüência dada pela fórmula
anterior. Teremos espectro óptico (emissão de luz) se
n
estiver compreendido entre:
14 14
3,7.10 e 7,5.10
5.
CONCLUSÃO
Após refletirmos sobre os temas abordados
podemos concluir que:
1 - A parapirogenia deve ser compreendida como
uma modalidade de fotogênese com produção de chama e não como um fenômeno
totalmente independente.
2 - Não devemos confundir fotogênese com
fogo-fátuo, fogo de santelmo ou fenômenos correlatos, que de nenhuma forma
pertencem ao campo paranormal.
3 - O modelo da bioluminescência devido a
substâncias orgânicas fosforescentes ou
4 - A inibição da função
t
(tau) desbloqueia o "link" mente-mundo físico
e produz,
5 - Na DPM ocorre inicialmente a explicitação
do "link" mente-elétron (elétrons da
6 - Quando um elétron se desloca (salta) de
uma camada de maior energia para outra
7 - Na fotogênese tudo se passa como se a
inibição da função
t
(tau) permitisse a interação mente-elétron do
átomo, com o seu conseqüente deslocamento para uma camada mais externa (de
maior energia), o fenômeno paranormal (psicocinesia) ocorre tão somente
neste instante. Posteriormente este elétron retorna ao estado fundamental,
com a conseqüente emissão de um quantum de energia (comumente na forma de
luz).
8 - A energia necessária para o deslocamento
de elétrons nas camadas mais externas
Pelo princípio do caminho mais econômico é de
se esperar que ocorra mais o primeiro fenômeno em detrimento do segundo.
9 - Se tivermos um Agente Psi Confiável (APC)
potente, poderá ocorrer do salto quântico efetuar-se nas camadas mais
internas e posteriormente o seu retomo ao estado fundamental produz raios X.
É importante utilizarmos meios para a detecção de raios X na presença de APC
potente, para podermos flagrar este fenômeno previsto pela teoria.
BIBLIOGRAFIA
( 1 )
- QUEVEDO, Oscar G. : "As Forças Físicas da Mente" - Tomo 1, Edições Loyola,
São Paulo, 1983, pág. 62.
( 2 )
- BORGES, Valter da Rosa e CARUSO, Ivo Cyro: "Parapsicologia: Um Novo Mode-
lo (e outras teses)", Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofisicas -
I.P.P.P, Recife,1986, pág. 257.
(3)-ROGO,D. Scott : "A Mente e a Matéria" - Parapsicologia - Vol. 13,
Instituto Brasileiro de Difusão Cultural, São Paulo, 1992.
( 4 )
- BORGES, Valter da Rosa : "Manual de Parapsicologia", Instituto
Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas - I.P.P.P, Recife, 1992, pág. 214.
( 5 )
- TINOCO, Carlos Alberto : "Parapsicologia e Ciência", Biblioteca de
Parapsicologia -Vol 16, IBRASA, São Paulo, 1993, pág. 142.
( 6 )
- SARTI, Geraldo dos Santos : "Psicons - do Real ao Imaginário", ABRAP, Rio
de Janeiro, 1991, pág. 04 s.
( 7 )
- LINS, Ronaldo Dantas : "Curas por Meios Paranormais: Realidade ou Fantasia
?", Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas -I.P.P.P /
Associação dos Parapsicólogos de Pernambuco - A.S.P.E.P, Recife, 1995, pág.
70.
( 8 )
- SANTOS, Horta : " Ponte Mente - Matéria na dobragem psicocinética de
metais (conexão Informacional - Quântica no PKMB)", tese apresentada no XIII
Simpósio Pernambucano de Parapsicologia, Recife, 1995.
( 9 )
- DUQUESNE, Maurice : "Matéria e Antimatéria", Edições 70, São Paulo, pág.
34.
(10)
- EISBERG, Robert Martin : "Fundamentos da Física Moderna", Guanabara Dois,
Rio de Janeiro, 1979, pág. 378.
(11)
- MOORE, Walter John : "Físico - Química", Editora da Universidade de São
Paulo, São Paulo, 1976, pág. 579s.
(12)
- CARNEIRO, Moacir de A. : "Princípios de Biofísica", - Guanabara Koogan,
Rio de
(*)
Trabalho apresentado no Primer Encuentro Iberoamericano de Parapsicologia ,
de 15 a 17 de novembro de 1996, Buenos Aires, Argrntina