PARANORMALIDADE: EVOLUÇÃO OU PATOLOGIA
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Ronaldo Dantas Lins
INTRODUÇÃO
A abordagem que iremos
realizar não tem como fim fornecer soluções mas, antes, fazer-nos refletir
sobre inúmeras interrogações que envolvem a fenomenologia paranormal.
Será que a
paranormalidade é comum a todos os indivíduos ou apenas alguns a teriam?
Será que todos os homens são potencialmente paranormais e apenas alguns,
devido a fatores ambientais ou orgânicos, atualizariam esta capacidade
latente?
Alguns vêm a
paranormalidade como uma obtenção do ser que evolui devido a uma modificação
cada vez mais acentuada do sistema nervoso. No caso de ser realmente
decorrente de um processo evolutivo, este será de natureza telefinalista?
Qual seja, existirá o homem, o paranormal padrão, apriorístico, para o qual
todos nós tendemos? Ou este, simplesmente, vai formando-se com as
experiências do homem, sendo a posteriori?
Há aqueles que
defendem a idéia de que a paranormalidade produz em muitas pessoas a
alienação, a loucura, ou seja, é fonte para a produção de distúrbios
mentais, enquanto outros chegam mesmo a dizer que a paranormalidade é, em
si, um estado patológico.
Inúmeras hipóteses têm
surgido para responderem a estas indagações, hipóteses estas, que serão aqui
analisadas com a finalidade de, ao menos, termos uma visão de conjunto e
através de nossas elucubrações, buscarmos uma melhor compreensão do imenso e
obscuro campo da paranormalidade.
DA NATUREZA DO FENÔMENO
PARANORMAL
De imediato, o
parapsicólogo se vê ante um grande problema: o de conhecer a verdadeira
natureza do fenômeno paranormal.
Fundamentalmente temos
duas hipóteses: a de que o fenômeno paranormal seja de origem física
(orgânica) ou que seja de origem extrafísica (não orgânica).
Muitos pesquisadores
alegam que vários fatores parecem concorrer para a hipótese organicista,
quais sejam:
1. A constatação de
que a utilização de determinadas substâncias podem inibir (como o amital
sódico) ou estimular (como o álcool, cafeína, ácido ascórbico) a produção do
fenômeno paranormal.
2. A má condição de
saúde parece inibir, na maioria das vezes, a deflagração do fenômeno psi.
3. Conforme o Dr.
Sergeyev, o aumento da atividade magnética nos astros vizinhos, bem como, no
próprio campo magnético da Terra, parecem facilitar a ocorrência do fenômeno
paranormal.
4. Parecem existir
indícios, entretanto, ainda fracos, de que os fenômenos paranormais sejam
hereditários.
5. Na obra "A Morte
Não é o Fim" de Horace Leaf, o autor menciona que pôde constatar em si , o
fato de que a sua clarividência era melhor em regiões de alta quantidade de
eletricidade estática existente na atmosfera.
6. Os parapsicólogos
russos puderam verificar que a ocorrência de mau tempo implicaria em
declínio do fenômeno paranormal.
7. Dificuldades na
produção de determinados fenômenos psi, notadamente de psi-gama, em locais
de alta densidade demográfica.
Em verdade, os dois
últimos itens referentes ao mau tempo e a densidade demográfica não apontam
tão fortemente para a hipótese organicista, pois, estes fatores influem
psicologicamente no indivíduo, embora tendo repercussão orgânica.
A hipótese
extra-física baseia-se principalmente nos seguintes itens, que são
observados nos fenômenos de psi-gama.
1. Obstáculos físicos
não afetam a ocorrência do fenômeno paranormal.
2. Observou-se em
experiências que a gaiola de Faraday não impedia a migração de informações
de natureza paranormal, não podendo ser, desta forma, uma onda
eletromagnética.
3. O psi-gama parece
não obedecer ao princípio do inverso do quadrado da distância.
A hipótese organicista
parece ser possuidora de uma maior fundamentação científica, haja vista, de
início, a dificuldade de apreender o que vem a ser algo extrafísico, por já
termos nós, dificuldade em conceituar o que vem a ser algo físico.
Refletindo um pouco
sobre os fatores indicados como fortalecedores da hipótese extrafísica,
temos que:
As ondas hertzianas
propagam-se no espaço e os obstáculos materiais não impedem sua propagação,
podendo o fenômeno psi, por conseguinte, ser produzido por uma onda
eletromagnética. Entretanto, argumentam os defensores desta hipótese, que a
gaiola de Faraday é uma barreira intransponível para esse tipo de onda e
que, em experiências de laboratório, constatou-se que o paranormal, embora
estando no interior do dito aparelho, poderia receber ou emitir comunicações
paranormais sem impedimento algum. No entanto, é do conhecimento dos físicos
atuais que as ondas eletromagnéticas de grande comprimento conseguem
atravessar a gaiola de Faraday. Não seria o fenômeno psi, ao menos o de
psi-gama, produzido por uma onda eletromagnética de grande comprimento?
Quanto a contrariar o
princípio do inverso do quadrado das distâncias, pode-se contra-argumentar
que os experimentos conhecidos, ocorreram, talvez, a pequenas distâncias, em
detrimento da altíssima velocidade de propagação da referida onda.
Posto tudo isso,
vejamos mais detalhadamente as hipóteses existentes, para tentar apreender a
natureza do fenômeno paranormal.
HIPÓTESE DA EVOLUÇÃO
Por muito tempo
vigorou no pensamento humano a idéia fixista, segundo a qual o número das
espécies é sempre o mesmo; contrapondo-se a esta maneira de pensar surgiu a
noção de que os seres vivos se modificam através dos tempos, explicando a
grande diversidade dos seres viventes e questionando sobre o modo pelo qual
esta evolução ocorreria.
O biólogo francês Jean
Lamarck, em 1809, publicou sua obra "Philosophie Zoologique", onde
apresentou suas idéias sobre o fenômeno da evolução. Como base para a
formulação de sua hipótese, Lamarck afirmava que uma mudança no meio
ambiente acarretaria por parte do ser vivo uma necessária modificação para
se adequar a esta mudança. Fundamentado neste pensamento e em suas
observações, o biólogo francês elaborou uma teoria evolucionista cujos
pilares são, primordialmente, os seguintes:
1. Lei do uso e
desuso, pelo qual parte de um organismo tende a se atrofiar ou a se
hipertrofiar de acordo com o seu grau de utilização.
2. Lei da herança dos
caracteres adquiridos, que consiste na transmissão aos descendentes daquelas
características que pelo uso ou desuso vieram a ser obtidas.
A experiência trouxe
ao homem elementos que derrubaram o segundo princípio bem como, pesquisas
realizadas por Charles Darwin levaram-no a elaboração de uma nova teoria
evolucionista, que consistiu basicamente no seguinte:
1 - A população dos
organismos tende a aumentar em progressão geométrica.
2 - Apesar disso, o
número de indivíduos de uma mesma espécie permanece constante a cada
geração.
3 - Em vista dos itens
1 e 2, conclui-se que deve haver competição entre os indivíduos.
4 - Os indivíduos de
uma mesma espécie possuem diferenças entre si, diferenças estas que podem
ser herdadas.
5 - Variações
favoráveis são preservadas e as desfavoráveis são destruídas (Seleção
Natural).
Teríamos assim,
segundo Darwin, que os seres vivos passariam por um processo de seleção
natural, o qual diferenciaria determinados indivíduos, por possuírem
caracteres que os permitam ter uma maior estabilidade estrutural e/ou
funcional, em detrimento de outros. Estas qualidades específicas seriam
transmitidas através dos genes aos seus descendentes, fazendo com que, em um
certo intervalo de tempo,tornem-se elementos caracterizados da espécie e não
apenas um mero acidente.
Pesquisadores
evolucionistas postulam que a espécie humana segue um processo de
transformação, notadamente, no sistema nervoso, que a levaria a uma maior
ampliação no campo de atuação do mesmo.
No decorrer de sua
existência o homem estaria passando por um processo de refinamento dos
sentidos, proposto pelo meio e por algumas necessidades individuais que
aprimorariam os órgãos responsáveis pela receptividade das transformações ou
estímulos do meio e de si próprio. Esta transformação provocaria o
surgimento de faculdades que são conhecidas como paranormais.
É de opinião de alguns
parapsicólogos que a função psi seria conseqüência de uma evolução biológica
do homem, que vem se desenvolvendo gradativamente e que chegará a plenitude
de suas potencialidades com um maior desenvolvimento do homem num futuro
desconhecido. Estabelecem um esquema, à luz da Antropologia Cultural, que
mostra o processo evolutivo do homem através de uma seqüência de tipos,
tendo assim: o homem biológico, o homem gregário, o homem pré-civilizado, o
homem teológico, o homem racional, o homem metafísico, o homem positivo da
era científica e o homem psicológico da era tecnológica. Teríamos, seguindo
este esquema, o surgimento de um novo homem, que alguns denominam homem psi
que, em razão de possuir faculdades outras, alcançaria uma condição de maior
relevo em relação aos tipos anteriores.
Em tempos modernos a
ênfase à questão, cujas fronteiras assumem uma postura de superioridade da
criatura humana em sua totalidade, é a variante de uma necessidade de
auto-conhecimento e, conseqüentemente, auto-desenvolvimento. Esses elementos
parecem ser indícios do surgimento do homem psi.
A filtragem dos
sentidos do homem vem eliminando de sua existência funções desnecessárias à
sua condição atual, ao mesmo tempo em que esta condição lhe força um
desenvolvimento de outras potencialidades ou a abertura de novas fronteiras
já existentes, em substituição à parte privada.
John Murphy em seu
livro "Origem e História das Religiões" afirma que " o desenvolvimento das
faculdades paranormais seguem o ritmo da civilização".
Esta descoberta da
mente humana à percepção extra-sensorial só se efetiva quando o conjunto de
fatores do meio ambiente permite a concretização de tal fato.
A hipótese
evolucionista tem suas bases abaladas pelas leis da probabilidade e pelo
Princípio de Carnot-Clausius ou Segundo Princípio da Termodinâmica. Conforme
este princípio, os sistemas tendem a aumentar a sua entropia, ou seja, o seu
estado de desordem. O fenômeno vida denota uma alta organização sofrendo,
segundo os evolucionistas, um processo de aprimoramento. Isto se insurge
diretamente contra as leis ora aludidas.
Como um subconjunto da
teoria geral da evolução, temos esta aplicada a paranormalidade, que vê essa
como um processo de especialização das faculdades humanas com a concomitante
sensibilização do sistema nervoso.
HIPÓTESE DA FACULDADE ANCESTRAL
(INVOLUÇÃO)
Não se trataria
propriamente de uma hipótese à parte, mas de uma variante da hipótese
evolucionista, apenas, seguindo uma direção deferente daquela.
Aqueles que defendem a
hipótese da Faculdade Ancestral entendem que a faculdade paranormal já foi
de extrema importância, num passado longínquo, à sobrevivência da espécie
humana, atrofiando-se, desde então, rumo a mais completa extinção pelo seu
desuso, de acordo com o primeiro princípio lamarckiano. Os adeptos da
hipótese da Faculdade Ancestral se baseiam principalmente no que diz
respeito ao "senso de orientação" e em determinadas maneiras de intercâmbio
de informações em algumas espécies humanas.
De acordo com algumas
experiências realizadas com o homem, encontrou-se indícios da existência de
um "senso orientador" espacial inerente à criatura humana, visto que tais
indivíduos, quando vendados os olhos e encaminhados a lugares desconhecidos,
encontraram, sem auxílio, o caminho de volta.
Neste caso teríamos
uma possível utilização do fenômeno paranormal em épocas remotas, que
serviria como uma maneira de orientação nos ambientes desprovidos de
referenciais. Entre esses podemos citar florestas, interior de labirintos e
desertos, que constituíam o habitat do homem primitivo.
Em relação a
determinadas comunicações existentes no reino animal, têm-se observado, em
alguns casos, a efetivação de fenômenos desta natureza. Em experiência
realizada com uma coelha, logo após esta ter dado cria, tiraram-lhe os
filhotes e sacrificaram-nos pari passu, notando-se, simultaneamente,
alterações nos registros eletroencefálicos da genitora, como se esta
vivenciasse o sofrimento de sua prole. Mas, recentemente, comunicações desta
natureza têm sido observadas também no reino vegetal, sendo bom ressaltar
sua ocorrência não só entre vegetais da mesma espécie como também entre
espécies distintas, como foi observado na experiência realizada por
Backster, em que se observou alterações no registro de um polígrafo, que
estava acoplado a um vegetal pluricelular, no instante em que um caldo de
bactérias sofria a intervenção de água fervente, alteração esta que se
assemelhava a de um indivíduo que estivesse tendo sensações de dor. Além
dessa, realizou outras experiências, nas quais constatou a existência de uma
interação semelhante a relatada, desta feita entre o homem e o vegetal.
É necessário,
entretanto, deixar bem claro que podemos contrapor, neste caso, a existência
da hiperestesia.
Devemos ter cuidado
ao penetrarmos em terreno difícil como este. A An-Psi e a Filo-Psi (produção
de fenômenos paranormais nos animais e nas plantas, respectivamente) são
hipóteses um pouco audaciosas porque se já a psi humana é complexa e difícil
de trabalhar, permanecendo ainda com a maior parte de seu território
encoberta, imagine-se o que dizer da psi animal ou vegetal.
HIPÓTESE DA CATÁSTROFE
O filósofo Platão
acreditava que a perfeição era um estado latente do homem, ou seja, que este
guardaria dentro de si a plenitude outrora vivenciada. Assim, não haveria,
em realidade, um processo evolutivo, no sentido de aparecimento de
qualidades antes não possuídas pelo homem porque estas ele já as teriam em
potencial. Teríamos assim, o telefinalismo aristotélico, em que existiria ,
a priori, um homem padrão, para o qual tenderia o homem atual. Em
assim ocorrendo, que fatores produziram o encrudescimento destas suas
potencialidades? Não estaria incluída nestas potencialidades a faculdade
paranormal?
A esta última
interrogação alguns respondem defendendo a idéia de que o homem,
originalmente, possuía, em estado de exteriorização, todas as faculdades
paranormais e que, devido a uma mudança de natureza ambiental, com reflexo
no indivíduo, ocorreu um embotamento das mesmas, porém, o homem permaneceu
com estas qualidades em estado de latência. Fatores outros estariam como
que provocando um processo de desobstrução, com o conseqüente ressurgimento
destas faculdades. Assim sendo, teríamos que esta hipótese seria uma maneira
de explicar o processo de diferenciação dos seres para atingir um estado
otimal como na teoria da evolução, com a diferença básica de que, naquela, o
ser é a posteriori.
HIPÓTESE DA PATOLOGIA
Para falar-se em
patologia, faz-se necessário definir claramente o que vem a ser normalidade.
Algumas pessoas
pregam uma normalidade mediana, ou de natureza puramente sócio-cultural,
confundindo objeto com suas indexações. Desta feita, seria normal aquele que
possuísse um comportamento comum, demonstrado pela maioria das pessoas em um
determinado contexto. Finalmente, é ele normal? A idéia de normal como média
nos leva a esta bipolaridade e a conseqüentes contradições. Se em uma
determinada cidade faltasse energia, os aparelhos de televisão deixariam de
funcionar; assim, seria comum o fato de que aparelhos de televisão não
produziriam som nem imagem, logo um televisor que assim se comportasse seria
considerado normal.
Todos sabem que a
maioria das pessoas, se não todas, é possuidora de alguma enfermidade,
notadamente, devido à poluição, bem como as próprias interações sociais
inadequadas que produziriam transtornos psíquicos; fundamentado neste
conceito de normalidade, qual seja, é normal todo aquele que se confunde com
a média dos indivíduos semelhantes a si, chegaríamos a conclusão que a saúde
é uma anormalidade, que seria normal, tão somente, o estado de doença.
Estas e outras
elucubrações nos levam a rever o conceito de normalidade como é hoje
vulgarmente divulgado e, em refletindo sobre ele, buscar efetivamente uma
idéia mais condizente e menos contraditória que a exposta anteriormente.
Devemos, nos casos adequados, buscar uma idéia em que o critério seja
qualitativo e não quantitativo; isto nos leva a pensar num funcionamento
adequado em cada situação concreta e variável que se apresente. Utilizamos a
definição exposta pelo Prof. Lamartine de Holanda Júnior, num trabalho
apresentado no 2º Congresso Católico Brasileiro de Medicina, em São Paulo,
no ano de 1967, em que: " Normal é aquilo que é e ESTÁ SENDO , estrutural e
funcionalmente de acordo com seus fins próximos (por exemplo, o fígado estar
do lado direito do corpo, participando de sua função metabólica, etc. ) em
harmonia com seus fins mais altos e últimos (no caso do fígado, a saúde do
organismo).
É até certo ponto
fácil detectar os fins próximos do homem, através de observações, de
cogitações; mas qual será o seu fim último? Saímos aí, indiscutivelmente, do
campo científico e caímos no campo filosófico. Entretanto, podemos apreender
o homem normal como sendo aquele possuidor de experiências e de um
funcionalismo estrutural que lhe permita ter o máximo de liberdade para
obter constantemente uma Vivência Coerente de uma Cosmovisão adequada ".
Afora o uso
inadequado do termo normal, visto este como uma média, alguns defensores da
hipótese patológica, que vêm a paranormalidade como uma doença, utilizam o
argumento de que observam nos indivíduos paranormais elementos de natureza
patológica. É necessário, entretanto, deixar clara a idéia de fenomenologia
como sendo um conjunto em si e o indivíduo como possuidor ou não de
elementos pertencentes a estes conjuntos.
Temos na
fenomenologia psíquica, basicamente, fenômenos de três ordens: os
psicológicos ( aprendizagem, percepção, raciocínio, criatividade, etc. ), os
paranormais ( telepatia, clarividência e telecinesia ) e os patológicos (
alucinações, delírios, etc ). Estes conjuntos de fenômenos são por sua
própria essência disjuntos dois a dois. Um mesmo indivíduo, entretanto, pode
apresentar fenômenos pertencentes apenas ao conjunto dos fenômenos
psicológicos, bem como, deste e fenômenos paranormais e/ou patológicos.
Teremos assim que
alguns paranormais possuem elementos patológicos, entretanto, isto não nos
faculta desprezar o restante dos indivíduos paranormais que não se
interseccionam com o conjunto dos indivíduos patológicos. Agindo assim,
cometeríamos erro análogo ao do anatomista e neurologista Jean Martin
Charcot, que chegou a conclusão de ser a hipnose característica dos
histéricos (nomenclatura psicopatológica antiga), devido a ter utilizado,
como afirma Bachet, uma amostra não representativa.
Além disto, algumas
observações feitas pelo Profº Osmard Andrade Faria em sua obra
PARAPSICOLOGIA - Panorama Atual das Funções Psi, levaram-no a concluir que
quanto mais saudável mentalmente for o agente paranormal, mais intensamente
se processa a Função Psi, onde o equilíbrio psicológico dá uma maior margem
de segurança e solidez aos indivíduos que, conseqüentemente, não teria
bloqueios em relação ao uso de suas faculdades.
Quando determinado
fenômeno apresenta pelo homem tem inerente suas características e
qualidades na condição humana, biológica, fisiológica e psíquica, para
manifestar-se, sem que para isso suponha-se a intervenção de agentes ou
forças estranhas à natureza, chamamo-lo de paranormal.
Dentro de tal
horizonte. o da naturalidade, estaria a Função Psi, visto que o fato de não
ser uma função habitual do homem de hoje, não quer dizer que esta extrapole
os limites de sua potencialidade.
CONCLUSÃO
Faz-se mister notar
que o tema aqui discutido parece tocar de perto a filosofia, por
assemelhar-se ao questionamento da existência do paranormal. Entretanto, é
necessário ficar claro que não é a essência do fenômeno paranormal que se
discute, não é a sua causa última; trata-se, sim, de uma análise de um
conjunto de fatos, até agora observados, e da enumeração de hipóteses que
procuram adequar-se a estes fatos. Esta extrapolação faz-se necessária para
que possamos melhor apreender e , ao menos, dentro de determinados limites,
inferir e procurar controlar os fenômenos psi.
O caminho que
deveremos seguir no emaranhado destas variáveis, só o futuro o dirá. Cabe a
cada um de nós refletirmos sobre o que foi exposto, em busca de respostas e,
nesta busca, é certo, surgirão inúmeras indagações.
Essa preocupação
com referência aos fenômenos psi não é recente. As questões relacionadas com
a natureza do fenômeno paranormal têm intrigado aos pesquisadores deste
campo e várias hipóteses, como vimos, têm surgido.
Devemos refletir
sobre as hipóteses existentes e verificar ou não suas viabilidades,
analisando os aspectos prós e contra de cada uma, bem como, procurar
melhores modelos.