Psicopictografia: Uma nova abordagem conceitual e análise de um caso
A criatividade
pode estar presente na produção de alguns fenômenos paranormais tanto da
categoria psi-gama como da psi-kapa. Algumas formas de expressão dos
fenômenos psi apresentam esta qualidade com uma intensidade maior do que
outras, destacando-se entre os fenômenos de psi-gama, a psicografia, a
psicomusicografia, e a psicopictografia.
Neste trabalho,
iremos nos ater basicamente na psicopictografia, ou pintura paranormal, que
pode ser entendida como uma forma de manifestação paranormal, caracterizada
pela produção de pintura ou desenho, sem que o agente produtor tenha esta
capacidade no estado vígil. Este material pictográfico pode se apresentar em
vários estilos e escolas, muitas vezes assinado por nomes de pintores
famosos, já falecidos.
As tensões
psicossociais podem reprimir o potencial artístico do ser humano, bloqueando
sua atualização. Alterações no nível de consciência podem fazer com que
estas faculdades sejam exteriorizadas, permitindo que informações gravadas
no inconsciente, adquiridas de forma usual ou paranormal, atinjam o
inconsciente, passando a demonstrar uma capacidade criadora superior a
apresentada no estado vígil.
O cerne de nossa
proposta é uma reinterpretação da psicopictografia sob o contexto da teoria
parapsicológica geral e a elaboração da escala IPPP de caracterização da
psicopictografia, permitindo uma abordagem mais ampla e precisa desta
importante forma de manifestação paranormal.
2.VISÃO SINTÉTICA DE ALGUNS AGENTES DA PINTURA PARANORMAL
Margaret Bevan,
em Londres, pintava retratos de pessoas falecidas e desconhecidas; em
noventa por cento dos casos há correspondência desses retratos com
fotografias de pessoas reais, falecidas. Na Itália, temos casos similares a
este como o de Iric Canti, em Milão, e Maria Lambertini, Bolonha, (1) bem
como o agente Raphael Schermann.
O operário quase
analfabeto Augustin Lesage realizava pinturas extraordinárias. Elisa Muller
(mais conhecida como Helena Smith) realizou pinturas sobre possíveis
habitantes de Marte, executando suas obras também com os dedos e unhas.
Victor Spencer
pintava seus quadros ao avesso e os endireitava apenas ao final. O polonês
Marjan Gruzewski realizou, em cinco minutos e na ausência de luz, o seu
primeiro desenho. Desde menino foi julgado inapto a receber instruções
porque pintava por conta própria, alheio às instruções dos mestres. Com o
curtidor de pele Machner também aconteceu o mesmo. O italiano Franco Lowley
desenhava com velocidade fulminante a partir de 1913, gastando de vinte
segundos a um minuto e meio para executar as suas obras. Mesmo de olhos
vendados, ou na escuridão, desenhava e chegou a produzir pinturas
precognitivas (como a guerra da Abissínia e o bombardeio de Roma).
Victorien Sardou,
dramaturgo francês, realizou pinturas sob transe psicautônomo.
Em 1953,
Talamonti observou o menino Gianinni Cavalcoli, de Ravena, com seis anos,
produzir desenhos com velocidade vertiginosa. Em três anos, produziu vinte
mil obras. David Duguid e John Ballou Newbrough psicopictografavam
no escuro, e este também o fazia com as duas mãos simultaneamente.
Outros
psicopictógrafos famosos foram William Howit e Catherine Berry.
No Brasil, temos
Luiz Antônio Gasparetto, que pinta com velocidade vertiginosa, inclusive com
as duas mãos, simultaneamente, e com os dedos dos pés, no estilo de pintores
famosos falecidos como Renoir, Van Gogh e Cezanne. (2)
Eurico de Goes,
em seu livro "Prodígios da Biofísica obtidos com o Médium Mirabelli" (3),
relata entre outros fenômenos realizados por este agente psi, a produção de
pinturas, em poucos minutos, às vezes cantando e declamando poesias.
3.O PROCESSO DE
PINTAR E O MECANISMO PSÍQUICO
O cérebro é
constituído de uma região central, o diencéfalo, e do telencéfalo que é
formado pelos dois hemisférios cerebrais, estes encontram-se conectados pelo
corpo caloso e outras comissuras, sendo funcionalmente assimétrico no ser
humano. Grande parte das fibras nervosas decussam antes de alcançarem e após
saírem do cérebro, de forma que cada hemisfério, de forma simplificada, é
responsável pelo lado contralateral do corpo ( é importante lembrar que
algumas fibras não decussam, permanecendo ipsilateralmente). A área do
cérebro humano responsável pela linguagem situa-se no hemisfério esquerdo. A
modalidade de funcionamento do hemisfério direito é não verbal, global,
rápida, completa, configuracional, espacial, atemporal e perceptiva.(4)
A aptidão para
desenhar, pintar, parece está relacionada às atividades do hemisfério
direito, de maneira que, este processo de informações visuais pela qual
devemos ver para podermos desenhar, se encontra nesta estrutura neurológica.
O fato de uma
pessoa destra desenhar com a mão esquerda não o ajuda a ter acesso aos
processos do hemisfério direito, haja vista que a troca de mãos faz com que
os desenhos saiam defeituosos.
"Uma pessoa que
desenha bem pode desenhar com a mão direita, a mão esquerda, ou aprender a
desenhar com o lápis preso entre os dentes ou entre os dedos dos pés, se
necessário, porquanto é uma pessoa que aprendeu a ver".(5)
Desta forma o
fato de uma pessoa pintar ou desenhar com a mão correspondente ao hemisfério
não dominante, ou mesmo fazê-lo através dos pés, pode dever-se a um
mecanismo psíquico de compensação ou de desvio de função e não a uma
atividade de natureza paranormal.
Na grande
maioria das pessoas o hemisfério dominante é o esquerdo, o verbal. Quando
desenhamos ou pintamos usando este hemisfério (modalidade E), nomeamos cada
parte. No caso de usarmos o hemisfério direito (modalidade D), não damos
nome as partes. Ao visualizarmos uma imagem de cabeça para baixo o
hemisfério esquerdo fica confuso, não consegue dar nome as partes ou o faz
com dificuldade. Quanto mais complicada for a imagem, mais difícil será para
o hemisfério esquerdo compreendê-la. Como o hemisfério direito não nomeia,
não trabalha com partes, mas com o todo, não tem dificuldades em apreender e
desenhar a imagem invertida. Esta deficiência do hemisfério esquerdo faz com
que o hemisfério direito assuma a atividade.
O estado de
consciência da modalidade D é qualitativamente diferente da modalidade E. Na
modalidade D estamos em um certo grau de devaneio, a pessoa sente-se
integrada ao que faz (sentindo-se uma com sua tarefa), há uma menor
consciência do fluxo de tempo com um certo "desligamento" em relação aos que
estão em sua volta, ocorre um relaxamento com uma sensação de bem estar. De
maneira inversa, atitudes que favorecem o surgimento de um torpor do
hemisfério esquerdo e predomínio do direito, como a relaxação, a meditação,
o silêncio, uma música suave, possibilitam a execução de tarefas como a
confecção de um quadro invertido, sem maiores dificuldades, sem que o
fenômeno seja paranormal, bem como, a relativa dimensão do fluxo do tempo
faz com que o agente passe muito tempo executando as pinturas sem cansar,
sem se aperceber da passagem do mesmo, não necessitando se tratar de um
fenômeno de psi-gama.
Grasset propôs
um esquema em que a mente é concebida como uma pirâmide de base poligonal.
Ao ápice corresponde o centro O - a consciência; aos ângulos do polígono da
base correspondem as várias atividades do psiquismo executadas de modo
automático ou inconsciente. - centro dos movimentos e dos diversos sentidos
(6). O centro << O>> localiza-se nos lobos frontais correspondendo ao
segundo sistema de sinalização característico do homem. Os hábitos,
automatismos e os registros subliminares são atividades poligonais (7).
A corticalidade
cerebral pode funcionar em nível subliminar (automatismo global) e os
centros poligonais de Grasset, desligando-se do comando frontal, constituem
os automatismos segmentares.
O processo
paranormal parece vincular-se a atividades subcorticais. Segundo Myers o
agente psi parece ter o limiar da consciência mais baixo do que os outros
homens, sendo de certa forma mais primitivo atingindo níveis mais profundos
do psiquismo.
Neste contexto a
psicopictografia pode ser entendida como uma forma de automatismo motor
acionada por mecanismos subcorticais juntamente com uma tomada de
conhecimento por meio criptomnésico.
A proporção da
folha de papel, principalmente a utilizada em desenho, bem como, as telas,
segue um padrão, senão idêntico, muito próximo da proporção áurea; ou seja,
o lado menor é o segmento áureo do lado maior. O retângulo pode ser
percebido como dividido por um segmento horizontal passando pelos pontos de
ouro dos outros dois lados.
O processo
criativo, sob qualquer forma de expressão, se efetiva através das seguintes
etapas: concepção, materialização, interpretação e reinterpretação. (8)
A concepção, a
produção de idéias, é função de uma postura crítica da realidade, de
conformidade com a inteligência, cultura e sensibilidade do artista.
Comumente, nesta fase, sabe-se que se quer pintar, embora não se saiba como
expressar. Esta sensação de impotência pode ser frustrante, desesperadora
para quem exerce o ato criador. A solução, após penosa busca, surge
repentinamente. De certa forma o artista sofre durante o processo criativo.
A materialização
é a etapa em que a idéia começa a tomar forma, sendo necessários estudos e
reflexões. O planejamento não significa falta de espontaneidade, já que esta
surge no ato da execução; planejar consiste em estudar a luz e a sombra. De
regra geral o artista registra inicialmente sua idéia no papel ou tela, da
forma que lhe vier espontaneamente, fazendo posteriormente vários esboços.
Deve-se procurar
fazer estudos de cor e o uso de várias técnicas.
A interpretação
consiste na execução da obra; conforme afirmou Philip Hallowell "nas artes
plásticas, o artista é compositor e intérprete, mas, em outras artes, a
dramática e a musical, por exemplo, o compositor registra a idéia que o
intérprete executa. Assim como o intérprete/ator adiciona sua sensibilidade
e sua experiência à obra do autor/compositor, o artista plástico adiciona
muito a sua idéia original quando a executa."(9)
A
reinterpretação é a interpretação da obra pelo expositor, estimulando este a
pensar, refletir e sentir. O espectador chega a temática através da forma.
É importante
destacarmos que os naïfs (artistas sem formação regular) apresentam a fase
de concepção artística sem o componente "Cultural-Intelectual" das formas
acadêmicas, bem como, no que se refere a materialização de uma idéia
surrealista, ocorre sem planejamento. Nestas obras, incluindo as telas
abstratas expressionistas, o artista procura transferir para sua criação o
que se encontra em seu subconsciente ou inconsciente, sem interferência do
consciente. Desta maneira, toda forma de planejamento seria um entrave.
Como ficará todo
este processo criativo na Psicopictografia?
A concepção e a
materialização devem ser elaboradas a nível inconsciente ou no substrato
matriz (referido no item 6 deste trabalho); sendo assim, as alterações da
luminosidade não devem interagir na elaboração dos contornos e no jogo de
cores. Esta afirmação não é totalmente correta porque na
execução(interpretação), o artista também cria e improvisa. A interpretação
sofre influência a nível consciente, sendo moldada por este e pelo
automatismo motor.
4. A PINTURA PSI E O AUTOMATISMO MOTOR
Entende-se como
dissociação a fragmentação psíquica (patológica ou não) do psiquismo,
podendo ser de natureza cognitiva, sensorial ou motora. Neste trabalho,
estamos interessados nas dissociações motoras e em particular, naquelas em
que são produzidas imagens pictográficas. Quando a dissociação for
auto-induzida, podemos denominá-la de transe psicautônomo; neste caso,
ocorre uma inibição importante do córtex cerebral com supressão dos
estímulos mais recentes e a conseqüente expressão de estereótipos antigos.
Devido a amnésia lacunar espontânea que ocorre após estes transes, os
agentes acreditam terem sido tomados por uma força externa , não levando em
consideração as potencialidades da mente. É importante lembrar que esta
inibição cortical é decorrente de uma forte liberação emocional de origem
subcortical.
A agente psi
Helen Smith, sob transe psicautônomo produziu pinturas que foram
posteriormente expostas em Genebra e Paris; ela conhecia pintura porém, em
estado de transe, utilizava os dedos, e não pincéis, trabalhando
aparentemente sem coerência, fazendo surgir olhos, pés, árvores, e diversos
objetos depois sobre a tela, sem que seja percebida ligação entre eles. Só
posteriormente ocorria a fusão e a percepção harmoniosa da obra (10).
Na produção da
pintura automática temos uma atividade hiperimaginativa automática (Janet),
subliminal (Myers), poligonal (Grasset). Nestas condições o estado alterado
de consciência apresenta (11):
1 - Uma etapa de
ausência (distração) ou autoconcentração, com estreitamento do campo da
consciência;
2 - Presença de
uma atividade ideatória inconsciente, com uma intensidade extremamente
aumentada;
3 - Propensão a
hiperimaginação subliminal (idéias em profusão, extraordinárias,
fantásticas);
4 -
Exteriorização das idéias na forma de automatismos motores e, em particular,
de pintura automática.
De certa forma,
a córtex cerebral funcionando subliminarmente pode deflagrar mecanismos que
acionem os automatismos segmentares.
Fernando Palmés
relata o seguinte caso que pode nos fornecer subsídios para compreensão da
natureza das assinaturas em várias psicografias e psicopictografias:
"Numa visita que
fiz ao reformatório de G., o seu ilustrado diretor médico, o Dr. G. M., fez
a seguinte experiência perante uns trinta estudantes de medicina da
universidade de V., que, presidido por um de seus professores, o Dr. P.
visitavam o mesmo estabelecimento em visita de estudo.
O diretor-médico
do estabelecimento chamou um dos meninos nele asilados, menino de uns 9
anos, e, por meio de sugestão... deixou-o hipnotizado... . O Dr. G. M. pediu
ao Dr. P. que escrevesse o seu nome e sobrenome num papel, e, mostrando um
escrito ao menino hipnotizado... mandou-lhe que reparasse nele e
reproduzisse depois com toda exatidão aquele escrito... depois... sem olhar
o escrito que antes lhe haviam mostrado, nem tampouco o papel em que devia
escrever... escreveu com decisão e sem vacilações o nome e o sobrenome do
Dr. P. , com um caráter de letra sumamente parecido com o original..." (12)
Apesar desta
possibilidade de mimetismo gráfico de natureza puramente psicológica é
necessário aventar para os seguintes aspectos:
a) Por uma
coincidência pode ter sido escolhida uma criança que tenha esta capacidade
artística, de replicação, mais intensificada;
b) Faz-se
necessário analisar o grau de dificuldade de elaboração da referida
assinatura, que pode ser bastante elementar, facilitando o trabalho de
replicação;
c) É
importantíssima a análise grafoscópica da assinatura para constatar sua
fidedignidade e não ser apenas uma pseudo-replicação.
5. ALGUNS
MOVIMENTOS ARTÍSTICOS E SUA CORRELAÇÃO COM A PARAPSICOLOGIA.
A pintura
pré-histórica, também denominada arte rupestre, foi produzida quase
exclusivamente em paredes de pedra, no interior de cavernas, passando por um
processo evolutivo análogo à pintura histórica. Inicialmente de caráter
naturalista evoluiu até atingir formas abstratas. O homem pré-histórico
parece ter utilizado inicialmente os dedos e posteriormente pincéis,
espátulas e caniço oco (que servia para soprar tinta na parede). Os
pigmentos coloridos eram esfregados na parede com as mãos. Por volta do ano
2000 A.C. a pintura alcançava um certo nível de abstração. (13).
Como vimos em
parágrafos anteriores, podemos visualizar os fenômenos paranormais, e
consequentemente a psicopictografia, como um processo de natureza primitiva.
Desta forma a psicopictografia parece ser uma atividade caracterizada pela
dissociação dos centros motores da palavra escrita - segunda circunvolução
frontal esquerda e de uma hiperatividade do hemisfério direito (14).
Assim, a
atividade paranormal se comporta, de certa forma, como um processo de
regressão psicofisiológica em que o organismo passa a retomar procedimentos
de natureza primitiva.
Alguns
psicopictógrafos como Luiz Antônio Gasparetto (15) e Helen Smith também
utilizaram a palma das mãos e os dedos na realização de suas pinturas. Estas
ocorrências podem ser interpretadas como uma regressão ao estado primitivo,
semelhantemente a uma filogênese psíquica, produzindo pinturas por um
processo análogo ao homem primitivo.
Observamos
também que nas produções psicopictográficas há um grande número de obras que
vêm assinadas por supostos nomes do impressionismo (16). Como sabemos, este
movimento artístico, embora apresentando matizes muito variadas, de uma
forma genérica, caracteriza-se por uma reação às convenções acadêmicas e
arraigadas; rejeição a temas idealizados e emotivos; criticava a pintura no
ateliê, procurando a pintura ao ar livre, e buscava captar os efeitos
fugazes da luz dando a real impressão de transitoriedade; tinha o caráter
pessoal e não social; buscava mais a "vivência" que a "vida"; desprezo ao
acabamento refinado; uso de cores fortes para explorar os contrastes
ásperos; uso de pinceladas abruptas e presença de aparência viçosa; uso de
imagens com "proporções erradas"; procurava-se os efeitos da luz; rompe com
a crença na verdade objetiva da natureza (17).
Devido a presença de traços abruptos e imagens de contornos indefinidos,
presentes em alguns movimentos artísticos, como o impressionismo e o
expressionismo, era de se esperar que as pinturas obtidas nas
psicopictografias (que comumente são executadas com velocidade vertiginosa e
algumas vezes através de unhas, palmas das mãos ou dedos) pertencessem em
grande parte a estas escolas, como realmente acontece. Esta característica,
entretanto, não garante sozinha o enquadramento da pintura em determinada
escola; no caso em apreço é comum encontrarmos quadros em que a imagem
pictográfica se encontra de conformidade com os pontos áureos (ver apêndice
3), indicando a forte influência do psiquismo do pintor e não uma ação
paranormal, já que os componentes destas escolas evitavam as regras
predeterminadas.
Um
outro movimento intimamente relacionado com a Parapsicologia é o
Surrealismo, que se caracteriza pelo desprezo a toda a preocupação lógica
sendo um apelo às capacidades do nível inconsciente, incluída a
paranormalidade.
André Breton ao repudiar o comportamento lógico não está defendendo a
entrega cega aos modos primitivos de comunicação e de ação, que são
representados na Parapsicologia pelas categorias fenomenológicas psi-gama e
psi-kapa, respectivamente.
A
vivência surrealista é a experiência do paranormal, pois este pertence
àquele sem que o inverso seja obrigatoriamente verdadeiro. Robert Amadou já
afirmou que "se casos aparentes de premonição ou de telepatia se manifestam
no surrealismo, não é certo que esses casos procedam do exercício de uma
faculdade paranormal, nem que todas as correspondências cuja experiência é
dada aos seus adeptos pela prática surrealista, provenham de uma percepção
metagnômica... O surrealismo, mais que um regresso a um estado
infraconsciente da evolução, convida-nos sem dúvida a uma aceitação mais
completa, desta, mas também dos fatores e das realidades conscientes e
supraconscientes"(18)
6. A
PSICOPICTOGRAFIA NO CONTEXTO DA TEORIA PARAPSICOLÓGICA GERAL (TPG).
No I Congresso
Internacional e Brasileiro de Parapsicologia, realizado no Recife, em 1997,
apresentamos uma proposta de uma teoria geral da parapsicologia, na busca de
um modelo descritivo para esta ciência. Na ocasião traçamos uma taxonomia do
paranormal defendendo a idéia de que numa nova maneira de perceber o
universo concebemos que os objetos não têm existência em separado, havendo
em sua essência interrelações profundas. Da mesma forma que não há objetos
separados, também não estamos separados do mundo, não havendo razão para
separar o objeto pesquisado do pesquisador, pois formam eles um "continuum"
(19).
Parece haver um
nível de realidade mais profundo em que há uma completa conexão entre as
partes. A este estrato, segundo David Bohm, podemos denominar ordem ou
realidade implícita (20). Consequentemente, haverá uma ordem ou nível de
realidade na qual comumente vivemos, que é uma transformada do primeiro,
onde há entes distintos, separados. A este estrato podemos denominar ordem
ou realidade explícita.
"Denominamos de
substrato matriz a substância e a informação, termos primitivos da
realidade, como são em essência, sem modificações. Por outro lado, podemos
também definir projeção holográfica como a representação, a nível de ordem
explícita, através de individualizações, do substrato matriz.
A partir dos conceitos até aqui analisados, definiremos interações como: o
processo pelo qual modificações no estado de uma projeção holográfica A
(extremidade modificadora ou indutora) implica em modificações correspondentes
no estado de uma outra projeção holográfica B (extremidade modificada ou
induzida). Vemos assim que o conceito de interação surge em nível de ordem
explícita.
Concebemos,
então, dois tipos de interações:
a) Interação
épsilon(e)-
É a que se efetua através do espaço-tempo que separa duas individuações em
nível de ordem explícita (desdobrada). É carreada por um sinal;
b) Interação
iota(i)
- É a que se efetua através da conexão universal, em nível de ordem
implícita (dobrada).
Toda interação
implica em tomada de informação pela projeção holográfica da extremidade
induzida, podendo manifestar-se (expressar-se) através de duas formas:
a) Cinética
intrínseca - Quando da deflagração da interação não ocorrer variação
espacial de toda ou de partes da projeção holográfica induzida;
b) Cinética
extrínseca - Quando da deflagração da interação ocorrer variação espacial de
toda ou de partes da projeção holográfica induzida (21).
J. J. Horta
Santos propõe a existência de uma função psíquica inibidora rô(r)
que teria como finalidade impedir que as informações universais que se
direcionam para a psiquê, alcancem o nível consciente (22). Esta função
juntamente com a função inibidora tau(t)(23)
(que bloqueia o "link" mente-matéria, impedindo uma interação não local),
proposta por nós em 1995, quando bloqueadas, produzem respectivamente os
fenômenos de psi-gama e de psi-kapa.
O fenômeno de
psi-gama pode ser compreendido como decorrente de uma interação iota que
apresenta ao menos uma mente, em ao menos uma de suas extremidades e que se
expressa na forma de uma cinética intrínseca.
Rosa Borges
propõe uma modificação no conceito de criptomnésia, dando-lhes um
significado estritamente parapsicológico, referindo o seguinte: " Segundo o
nosso conceito, a criptomnésia é o conhecimento paranormal que não é obtido
do mundo exterior, mas que já existe no inconsciente do Agente Psi. Este
conhecimento é constituído de informações que não passaram previamente pelo
nível consciente do Agente Psi e não foram obtidos por telepatia ou por
clarividência. E se constitui, ainda de aptidões especiais que não
resultaram de aprendizado anterior.
Enquanto a
telepatia e a clarividência são fontes externas do conhecimento psigâmico, a
criptomnésia constitui a fonte interna deste conhecimento.
...Assim,
segundo a nossa óptica pessoal, os fenômenos psi-gama se originam de duas
fontes:
a) uma fonte
externa, constituída pela telepatia e pela clarividência:
b) uma fonte
interna, constituída pela criptomnésia." (24).
Analisando esta
questão sob o prisma do modelo em pauta, podemos reinterpretar a polêmica
das fontes de conhecimento paranormal do seguinte modo (25):
Em nível da
ordem implícita as mentes a os seres encontram-se conectados, constituindo
um todo indivisível. Em nível de ordem explícita surgem as individuações
(projeções holográficas), decorrentes da atuação das funções inibidoras
r
e t,
mencionadas anteriormente. Desta maneira, numa interação iota do tipo
paranormal com cinética intrínseca, a constatação do fenômeno é feita
através de uma correspondência entre o conteúdo manifesto e um evento
psíquico (telepatia) ou físico (clarividência) correlacionado, presente em
uma projeção holográfica. Temos a dita fonte externa do conhecimento
paranormal.
Quando o
conteúdo manifesto não for detectável, em uma projeção holográfica, vindo
diretamente do substrato matriz, teremos uma fonte interna do conhecimento
paranormal (criptomnésia).
Assim, no
primeiro caso temos uma seletividade expressa e no segundo caso uma
seletividade não expressa (oculta). Porém, em ambos os casos o conteúdo
provém, em essência, do substrato matriz, sendo a distinção entre fonte
externa e fonte interna do conhecimento paranormal puramente aparente.
Temos, assim,
que a informação criptomnésica, não vem do nada, mas tem origem em uma fonte
bem caracterizada.
A
psicopictografia, ou pintura paranormal, pode ser entendida como uma forma
de manifestação do fenômeno paranormal, de natureza criptomnésica,
caracterizada pela produção de pintura ou desenho, sem que o Agente Psi
apresente esta aptidão nas condições normais de vigília (26).
Uma outra
possibilidade seria a ocorrência do efeito Myers (latência psigâmica). Este
efeito pode ser entendido de conformidade com sua ampliação e comentário
tecido pelo Prof. Valter da Rosa Borges consistindo em que:
"O conhecimento
paranormal só se explicita, quando a informação psigâmica, alcançando o
inconsciente do Agente Psi, se transfere para o nível consciente. Essa
passagem de informação psigâmica pode ocorrer instantaneamente ou sofrer
retardamento por bloqueios psicológicos os mais diversos. A permanência da
informação psigâmica a nível inconsciente foi denominada por Myers de
latência telepática e ele teorizou, arbitrariamente, a sua duração máxima
em 17 horas. Preferimos adotar a expressão latência psigâmica, visto que a
informação retida no inconsciente do Agente Psi pode ter sido captada também
por clarividência e não apenas por telepatia. Por outro lado, entendemos que
a permanência da informação psigâmica a nível inconsciente é de duração
indeterminada como acontece com qualquer impressão mnemônica. Por
conseguinte, a passagem da informação psigâmica do nível inconsciente para o
nível consciente não só pode ocorrer instantaneamente como demorar horas,
dias, meses e anos."
De uma maneira
geral podemos reconceituar efeito Myers do seguinte modo: O conteúdo
psigâmico que alcançou o nível inconsciente de uma projeção holográfica
necessita de um intervalo de tempo "t" para ser transferido ao nível
consciente (cinética intrínseca, com produção de um fenômeno de Psi-gama) ou
converter-se em ação (cinética extrínseca, com produção de um fenômeno
Psi-kapa). Essa transferência ocorre sob a ação do efeituador
transformativo, podendo muitas vezes se expressar de forma simbólica, tanto
em estado de vigília como em estado onírico.
Desta forma,
conteúdos sobre arte obtidos por telepatia ou clarividência poderiam
permanecer latente por tempo indeterminado e, juntamente com conhecimentos
outros obtidos posteriormente, poderem eclodir mediante a presença de
fatores deflagradores na forma de pintura ou desenho. Entendamos que a
produção artística obtida por este mecanismo é de nível inferior ao obtido
por criptomnésia, que pode ser considerada a psicopictografia propriamente
dita. (27).
7.
RECONCEITUANDO A PSICOPICTOGRAFIA.
Propomos uma
nova abordagem conceitual da psicopictografia em que, ao invés de
utilizarmos uma correlação direta de termos elementares, fazemos uso de
critérios definidores e da idéia de escala, possibilitando uma concepção
através de um espectro de matizes e o uso de componentes de natureza
quantitativa.
Num primeiro momento idealizamos o que denominamos de critérios do IPPP para conceituação da psicopictografia, de maneira análoga aos critérios de Jones (ver apêndice 1), utilizado na medicina para elaboração do diagnóstico da doença reumática, que consiste no seguinte:
Critérios
maiores:
- Nível de
produção significativamente maior que o do estado vígil;
- Obras
produzidas em mais de duas escolas de pintura;
- Sem acesso
visual do Agente à tela, papel ou equivalente.
Critérios menores
- Tempo de produção da obra significativamente menor que o esperado em estado de vigília, comumente inferior a 10 (dez) minutos;
- Utilização de formas peculiares: invariante com a modulação luminosa, ambidestrismo simultâneo ou uso de dedos dos pés ou mãos;
- Assinatura da obra referida a pessoa real (viva ou falecida) e grafoscopicamente idêntica.
A presença de ao
menos dois critérios maiores ou um critério maior e pelo menos dois
critérios menores, indicam a ocorrência da psicopictografia.
Em reunião
realizada em setembro de 1996 com o autor, a profa. Isa Wanessa e o prof.
George Jimenez, em que se discutiu o problema da conceituação da
psicopictografia, o prof. George propôs o uso de uma escala, semelhante a
escala de coma de Glasgow (ver apêndice 1), para abordar o referido
fenômeno. Baseado nessa sugestão verificamos que a melhor maneira de
realizar uma abordagem deste tipo seria utilizar uma escala semelhante a
escala de APGAR (ver apêndice 1) para determinação da viabilidade do
concepto. Desta forma elaborei a escala a seguir, que denominei de escala
IPPP de conceituação da psicopictografia (EICAP). Posteriormente a escala
foi encaminhada para discussão pela equipe do IPPP, tendo recebido sugestões
e aprovação, sendo descrita a seguir:
Escala IPPP de Caracterização da Parapsicologia (EICAP)
|
Sinal |
Pontuação |
||
|
|
0 |
1 |
2 |
|
Nível de produção artística |
Inferior ou igual ao estado vígil |
Superior ao estado vígil |
Significativamente superior ao estado vígil |
|
Diversificação
(número de escolas apresentadas) |
Menos que duas
|
Duas escolas
|
Mais de duas
|
|
Tempo de confecção da obra |
Esperado para o nível da obra |
Inferior ao esperado para o nível da obra |
Significativamente inferior ao esperado para o nível da obra |
|
Formas peculiares de apresentação
|
Sem peculiaridades
|
Invariante com a modulação luminosa ou ambidestrismo simultâneo ou uso
de dedos dos pés ou mãos para confecção das obras
|
Sem acesso visual à obra
|
|
Assinatura |
Sem assinatura ou com assinatura de personalidade fictícia ou atribuída
a pessoas reais (vivas ou falecidas) distintas do original ou parecida,
porém, conhecida do produtor da obra
|
Assinatura referida a pessoa real (viva ou falecida) parecida, mas
grafoscopicamente diferente e desconhecida do produtor da tela
|
Assinatura referida a pessoa real (viva ou falecida) e grafoscopicamente
idêntica.
|
Além da determinação destes sinais deveremos levar em consideração os
seguintes aspectos:
a)
Variabilidade da temática - Mesmo apresentando um nível de produção
significativa, a repetição da temática empobrece o nível da obra, por isso é
importante que a natureza do tema varie;
b)
Anamnese - É importante antes de qualquer abordagem, realizar uma entrevista
com o candidato a agente psi, verificando entre outras coisas se o mesmo
possui algum conhecimento teórico ou prático sobre pinturas ou desenhos, ou
mesmo se já freqüentou algum curso sobre pintura.
c)
Parecer técnico - É fundamental a apreciação das obras produzidas, por um
crítico de artes com a finalidade de aferir o nível técnico das mesmas,
avaliando se está ou não ao alcance das capacidades normais do pesquisado;
d)
Replicabilidade - É fundamental observar se é comum a replicação de quadros
que pode mascarar tão somente um automatismo motor.
Após a quantificação dos sinais é feito o somatório dos escores parciais,
cabendo a seguinte análise dos resultados:
EICAP menor que quatro - Não é psicopictografia;
EICAP maior ou igual a quatro e menor ou igual a seis - Provavelmente é
psicopictografia;
EICAP igual ou maior que sete - É psicopictografia.
Analisando os critérios de avaliação de paranormalidade da escala, teremos
que:
a)
EICAP menor que quatro;
O
somatório dos escores parciais é 0, 1, 2 ou 3.
Observando-se o quadro de combinações possíveis de escores do
apêndice 2, constatamos facilmente que teremos no máximo um sinal com o
valor máximo 2, podendo talvez responder por isto uma capacidade artística
inerente ao próprio indivíduo, sem ser paranormalidade.
b)
EICAP entre quatro e seis (incluindo estes)
Na
sua grande totalidade teremos no mínimo um sinal com valor 2, podendo chegar
a três valores máximos. Ainda não temos a certeza da paranormalidade por
podermos estar tratando de uma pessoa com desempenho regular em cada sinal,
porém, não suficientemente significativo.
Se
as probabilidades de ocorrência de cada variante individual (combinação de
cinco sinais) fossem idênticas, teríamos os seguintes percentuais
(arredondados), adotando os mesmos cinco critérios de escalonamento:
1)
EICAP=4. É psicopictografia em 22% dos casos e não o é em 78% dos casos.
2)
EICAP=5. É psicopictografia em 59% dos casos e não o é em 41% dos casos.
3)
EICAP=6. É psicopictografia em 89% dos casos e não o é em 11% dos casos.
Porém, como o fenômeno paranormal é raro, estes valores de probabilidade de
ser paranormal devem ser interpretados como limites superiores e as
probabilidades de não ser paranormal como limites inferiores.
c)
EICAP maior do que 6.
Na
sua grande totalidade, teremos no mínimo três sinais com valor 2, podendo
chegar a 5 valores máximos. Neste caso, temos a certeza de que o indivíduo é
um psicopictógrafo.
8. O CASO JACQUES ANDRADE
No
ano de 1995 o Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas pesquisou
o Sr. Jacques Andrade em relação a possível produção de psicopictografia,
analisando 107 quadros (esta pesquisa foi publicada no Anuário Brasileiro de
Parapsicologia nº 03, ano 1998). O número de pretensos autores reproduzidos
chega a marca de 296, considerando toda a produção artística produzida por
Jacques. Os motivos das telas são predominantemente de paisagens e figuras
humanas, sendo que estas apresentam, comumente, uma precária condição de
profundidade e sem as nuances importantes da estrutura muscular, que seria
esperado encontrar em, por exemplo, um da Vinci.
A
profa. Isa Wanessa destaca alguns padrões encontrados na pesquisa (28).
"-
Quando o motivo é uma paisagem, na grande maioria das telas há a presença de
cercas, que pode estar representando a restrição auditiva do autor;
-
A letra "h" é sempre truncada, independentemente do "autor" atribuído;
-
Antes de começar as pinturas, Jacques alisa seu ventre: qual o significado
de tal ato ?...
-
Jacques usa preferencialmente a mão direita, embora alguns quadros sejam
executados com o uso simultâneo das duas mãos. Outras vezes pinta com o
dorso das mãos e dedos. Arranha a tela com as unhas para fazer os cabelos
das figuras e bate o pulso com força para imprimir a imagem de folhagens;
-
Antes de iniciar as pinturas, concentra-se por 20 ou 30 segundos;
- A estratégia empregada para a reprodução da pintura,
principalmente para aquelas pintadas sob a assinatura de determinados
"autores", como Miró e Dali, apresentava curiosa semelhança: os quadros eram
iniciados com a formação de um círculo central, empregando-se cores
variadas, de onde, uma vez definido o "pano de Fundo", eram pintadas figuras
de rostos masculinos ou femininos, definidos muitas vezes de forma
implícita."
Em
duas sessões a temperatura axilar de Jacques elevou-se em dois graus Célsius
pouco antes da confecção das telas. A temperatura permaneceu subindo até o
instante em que o agente referiu ter saído do transe, descendo,
abruptamente, em cinco graus Célsius.
Em
nove telas atribuídas a Miró, analisou-se a distribuição das imagens em
relação ao retângulo áureo (ver apêndice 3). Descobriu-se que os componentes
principais da pintura situavam-se sobre os mesmos pontos áureos. Lembremos
que Joan Miró (1893-1983) pertenceu ao movimento surrealista, rejeitando as
imagens e os artistas tradicionais (29), sendo avesso as formas
preconcebidas. Desta maneira a utilização dos pontos áureos indica uma ação
do psiquismo de Jacques como elemento causal da obra.
Em
experimento de manipulação da luminosidade ambiente, em que ocorreu uma
variação de luz branca para a vermelha, Jacques utilizou-se de cores claras
para executar os contornos do vaso de flores, iniciados com cores de
tonalidade escuras. Quando do retorno da luminosidade normal, Jacques
produziu outro quadro, com o mesmo motivo, com outro padrão de contraste de
cores, atribuído ao referido autor da pintura precedente. Era de se esperar
que "se os motivos já estivessem previamente definidos em
Jacques, ou se a fonte doadora fornecesse a informação totalmente
decodificada, não haveria razão para que o mesmo mudasse de atitude, no
momento da definição dos contornos da figura. Também não justificaria a
necessidade de pintar um novo quadro com o mesmo motivo, agora em condições
de iluminação novamente normal" (30).
Levando em consideração 86 telas, produzidas em 9 (nove) sessões, a média de
tempo para a execução de cada tela foi de 6 (seis) minutos e 28 (vinte e
oito) segundos.
Após a realização desta 1a. fase da pesquisa, faz-se necessário:
a)
A
determinação do olho dominante de Jacques, que pode produzir mudanças na
perspectiva da pintura;
b)
Parecer técnico de especialistas em arte e de artistas plásticos;
c)
Avaliação audiométrica (Jacques é deficiente auditivo), neurológica e
psicológica;
d)
Reanálise da variação térmica corporal, modulação luminosa e estudo do
retângulo áureo;
e)
anamnese mais aprofundada dos conhecimentos e aptidões artísticas de
Jacques;
f)
análise grafoscópica da assinatura dos pretensos autores das obras
g)
verificar a possibilidade de execução de pinturas sem acesso visual à obra;
h)
após a obtenção destes elementos, aplicar a escala IPPP de caracterização da
psicopictografia.
9. CONCLUSÃO.
Devido a sua
natureza interdisciplinar o estudo da parapsicologia requer um conhecimento
abrangente e diversificado de várias partes do conhecimento humano; a arte,
e em particular a pintura, está inserida neste conjunto tendo merecido aqui
um tratamento mais particularizado. De tudo o que foi analisado neste
trabalho, podemos sintetizar nos seguintes tópicos:
a) a aptidão
para desenhar, pintar, parece estar relacionada às atividades do hemisfério
cerebral direito do homem;
b) a
corticalidade cerebral pode funcionar em nível subliminar e os centros
poligonais de Grasset, desligando-se do comando frontal constituem os
automatismos segmentares. Assim, a psicopictografia pode ser entendida como
uma forma de automatismo motor deflagrada por mecanismos subcorticais
adaptado a uma forma de conhecimento criptomnésico;
c) na
psicopictografia, de regra geral, a concepção e a materialização devem ser
elaboradas a um nível inconsciente ou no .substrato matriz. A interpretação
sofre influência do nível consciente;
d) a
psicopictografia com as mãos e dedos pode ser interpretada como uma
regressão ao estado primitivo, produzindo pinturas por mecanismos análogos a
arte rupestre;
e) devido a velocidade com que é
produzida a psicopictografia, assim como, o uso dos pés, mãos e dedos para a
produção de pintura paranormal, era de se esperar, como realmente
acontece, que grande parte destas obras pertencessem a escola
impressionista ou expressionista, que se caracterizam, entre outros
elementos, pela presença de traços abruptos e imagens de contornos
indefinidos.
f) quando o
conteúdo manifesto não foi detectável, em uma projeção holográfica, vindo
diretamente do substrato matriz, teremos uma fonte interna do conhecimento
(criptomnésia);
g) propomos uma
nova abordagem conceitual da psicopictografia, através do uso de uma escala,
recebendo os escores 0, 1, 2, conforme o grau de especificação e
complexidade dos seguintes sinais: nível de produção, diversificação da
escala, tempo de confecção, formas peculiares e existência de assinatura.
Somatório da EICAP menor que quatro, indica ausência do fenômeno paranormal,
e superior a seis, indica existência da psicopictografia. EICAP maior ou
igual a quatro e menor ou igual a seis, apresenta diversos graus de
variabilidade pró ou contra a presença da psicopictografia.
APÊNDICE 1
CRITÉRIOS DE JONES (31)
A febre reumática
(atualmente denominada doença reumática) é uma doença inflamatória que
ocorre como seqüela tardia de uma infecção faríngea produzida por
estreptococos do grupo “A”. A infecção atinge principalmente o coração e as
articulações, como também o sistema nervoso e a pele (nódulos subcutâneos e
eritema marginado). Nenhum sintoma, sinal ou exame laboratorial é sozinho
fator determinante do diagnóstico da doença, sendo necessário uma combinação
desses.
A American Heart Association
adotou e modificou um conjunto de critérios, descrito abaixo, denominado
critérios de Jones.
Manifestações primárias
(critérios maiores) - cardite, poliartrite, Coréia de Sydenhan, eritema
marginado e nódulos subcutâneos.
Manifestações secundárias
(critérios menores) - febre, artralgia, história anterior de febre reumática
ou cardiopatia reumática, VHS elevado ou PCR positiva e intervalo PR
prolongado.
O achado de dois critérios
principais, ou de um primário e dois secundários, indica alta probabilidade
da presença de febre reumática, quando há evidência de infecção
estreptocócica anterior.
ESCALA DE COMA GLASGOW (32).
Posto que a consciência é o
conjunto de funções encefálicas que faculta a reação aos estímulos externos,
o coma é o estado em que um estímulo intenso, como o doloroso, não produz
reação no indivíduo ou só produz reações automáticas.
Uma das classificações
mais utilizadas para determinação do nível do coma é a escala de coma de Glasgow,
descrita a seguir.
|
Olhos |
Abertura ocular |
Espontânea 4 |
|
Ao
comando verbal 3 |
||
|
A
dor 2 |
||
|
Sem resposta |
1 |
|
|
Menor resposta motora |
Ao comando verbal |
Obedece 6 |
|
Ao estímulo doloroso |
Localiza a dor 5 |
|
|
(aplicar estímulo no
esterno. Observar movimentos dos braços)
Sem resposta |
Flexão com retirada 4
Flexão anormal 3
(post de descortificação)
Extensão 2
(post de decerebração)
1 |
|
|
Melhor resposta verbal |
|
Orientado e contactuando 5 |
|
|
Desorientado e contactuando4 |
|
|
|
Palavras inapropriadas 3 |
|
|
|
Sons incompreensíveis 2 |
|
|
Sem resposta |
1 |
Se o paciente estiver totalmente lúcido
receberá nota 15. Se receber nota 3, estará em coma irreversível.
ÍNDICE DE APGAR (33)
Este
índice serve para avaliar a vitabilidade do recém-nascido, fornecendo
informações sobre seu estado de saúde e suas condições futuras.
As contagens são realizadas
no 1o. e no 5o. minuto, vindo discriminados a seguir:
|
Sinal |
0 |
1 |
2 |
|
Freqüência (bat/min) |
Ausente |
< 100 |
> 100 |
|
Respiração |
Ausente |
Fraca,irregular (choro
débil) |
Forte, regular (choro
vigoroso) |
|
Tono
muscular |
Flacidez |
Flexão pequena das
extremidades |
Movimentos ativos
generalizados |
|
Irritabilidade reflexa
(aspiração oro-naso-faríngea ou estímulo plantar) |
Ausente |
Caretas |
Choro |
|
Cor |