RESUMO
A necessidade desta publicação surgiu
decorrente das dificuldades encontradas em se manter um APC (Agente-Psi
Confiável) disposto a ser submetido a uma série de testes quantitativos, na
sua quase totalidade, cansativos, geradores de uma significativa queda na
produção da fenomenologia.
Os laboratórios de pesquisa pecam pelo excesso de técnicas, desprezando a informalidade e espontaneidade, características apreciadas pelos paranormais.
Medir é limitante e os resultados
obtidos através de pesquisa, dependem do grau de motivação do pesquisado e
da atitude do pesquisador.
O método
quantitativo-estatístico-matemático não representa satisfatoriamente o
fenômeno paranormal, pois, gráficos e equações não demonstram o que existe
de específico em cada fenômeno estudado que, além do mais, está sendo
permanentemente influenciado por fatores externos e internos.
A fenomenologia parapsicológica não
pode ainda ser definida por um comprimento de onda, determinado com rigorosa
precisão, como no caso das cores e dos sons, por exemplo. Inicialmente, só o
aspecto qualitativo tem condições de ser avaliado, levando-se em conta uma
variada gama de fatores modificadores da fenomenologia.
Propomos aqui uma pesquisa direcionada
ao paranormal como indivíduo, não mais como uma peça de laboratório.
Quantificar o fenômeno, seria a etapa final da pesquisa, alicerçada no
conhecimento do agente psi como parte integrante de uma sociedade,
respeitando seus limites, preferências, crenças e costumes.
É necessário que se estabeleçam novos
parâmetros para o enriquecimento do paradigma científico vigente.
Segundo Einstein,
“Por mais que as proposições da matemática se refiram à realidade, elas não
são certas, e por mais que sejam certas, elas não se referem à realidade”.
The need
of this publishing appeared in consequence of the difficulties in
maintaining a Reliable Psi Agent that agrees to be submitted to a series of
quantitative tests, tiresome almost always, engender of a significant
lowering in the production of the phaenomenology.
The
researching laboratories fail by the excess of techniques, paying low
attention to informality and spontaniety, caracteristics oppreciated by
paranormals.
Measuring
is limitant and the results obtained from research depend on the degree of
motivation of the patient under research and in the attitude of the
researcher.
The
quantitative-statistic-mathematical method does not represent satisfactorily
the paranormal phaenomenon for graphics and statistics are not able to
demonstrate what is specific in each studied phaenomenon, that besides, is
permanently influenciated by internal and external factors.
The
parapsichological fenomenology can not yet be defined by a length of wave,
determined with accurate precision, as in the case of colors and sounds, for
example. Inicially, only the qualitative aspect offers conditions to be
evaluated, taking in account a varied range of modifiing factors of the
phaenomenology.
We
propose here a research aiming the paranormal as an individual, no more as a
part of a laboratory. Quantifying the phaenomena would be the final period
of the research, based on the knowledge of the psi agent as an integrant
part of the society, taking in account his limitations, preferences, beliefs
and uses.
It is
necessary that new parameters be estabilished for the enrichment of the
vigent scientific paradigma.
According
to Einstein, “For most the mathematical propositions refer to reality, they
are not right, and for most they are right, they do not refer to reality”.
PESQUISA
Finalidades:
-
Identificar o
APC
-
tentar conhecer
e explicar os fenômenos paranormais, ou seja, como e por que ocorrem, quais
as suas funções e até que ponto podem sofrer influências e serem
controlados.
Característica:
-
o interesse
prático, sendo os seus resultados aplicados ou utilizados na tentativa de
solucionar os problemas que se apresentam decorrentes da fenomenologia
parapsicológica (pesquisa aplicada, na classificação de Ander-Egg).
Classificação:
Considerando alguns dos aspectos
abordados por Perseu Abramo em seu esquema tipológico, a pesquisa em
Parapsicologia será classificada quanto:
1 – aos campos da atividade humana ou
setores do conhecimento:
a)
multidisciplinar
b)
interdisciplinar
2 – à utilização dos resultados
a)
aplicada
3 – aos processos de estudo
a)
histórico
b)
comparativo
4 – à natureza dos dados
a)
pesquisa de
dados objetivos ou de fatos
5 – às técnicas e instrumentos de
observação
a)
observação
direta
(constatação do fenômeno)
·
pesquisa de
campo – observação do fenômeno tal qual ocorre espontaneamente;
·
pesquisa de
laboratório – analise do fenômeno em situações controladas,
através de instrumental específico e ambiente adequado.
b) observação indireta
(consulta bibliográfica e documental, questionários e formulários,
entrevistas, testes, história de vida, biografias).
·
Ajudam o
pesquisador a identificar e obter dados sobre os quais o suposto agente-psi
não tem consciência, mas que orientam o seu comportamento.
b)
observação
informal
·
Consiste em
recolher e registrar os fatos sem que sejam utilizados meios técnicos
especiais ou precise fazer perguntas diretas. O êxito da utilização dessa
técnica vai depender do observador, de estar atento ao fenômeno, de sua
perspicácia, discernimento, preparo e treino. Apresenta perigo quando o
pesquisador se deixa envolver emocionalmente, ou pensa que sabe mais do que
realmente aconteceu. A fidelidade, no registro dos dados é fator
importantíssimo na pesquisa.
6 – aos métodos de análise
a)
construção de
modelos
7 – ao nível de interpretação
O tema selecionado será enquadrado
dentro das aptidões e tendências do pesquisador, assim como o objeto de
estudo deverá ser merecedor da investigação e apresentar condições de ser
delimitado em função da pesquisa.
A pesquisa parapsicológica pode ser
realizada individualmente ou em grupo constituído por uma equipe formada por
especialistas nas áreas do conhecimento que se fizerem necessárias.
O êxito de uma pesquisa deve-se,
principalmente, à maneira como e por quem é conduzida. É necessário que se
faça aqui uma distinção entre parapsicólogos com vocação teórica e
parapsicólogos pesquisadores. Esses, além do conhecimento teórico, deverão:
-
ser possuidores
de um perfil fundamentado nas áreas das ciências humanas e sociais;
-
ter
disponibilidade;
-
ter tolerância;
-
não ter
preconceitos;
-
ter bons
conhecimentos de psicologia, sociologia e religião;
-
arcar com as
responsabilidades éticas advindas da pesquisa.
IDENTIFICAÇÃO DE AGENTES-PSI
CONFIÁVEIS NA REDE PÚBLICA DE ENSINO
Inicialmente, a instituição (Instituto
Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas) fará contato com a Secretaria de
Educação e Cultura do Estado, apresentando projeto detalhado, com a
finalidade de obter credenciamento para que seja feito o contato direto com
a diretoria das escolas.
Projeto de Pesquisa
I - Curso Básico de
Parapsicologia
a ser ministrado nas escolas públicas da rede estadual e municipal, dirigido
aos professores, pais e demais interessados no assunto, esclarecendo quanto:
1 - ao caráter de utilidade pública
da instituição;
2 - à fenomenologia paranormal (uma
visão panorâmica);
3 - à necessidade da identificação do
APC na rede pública de ensino, preferencialmente, pela condição
sócio-cultural da quase totalidade dos alunos, sendo este um dos elementos
facilitadores no surgimento da fenomenologia paranormal, aliado à faixa
etária em que se encontram;
4 – à reintegração do jovem na família
e na sociedade de maneira satisfatória, assim como a possível melhoria do
seu rendimento escolar, após identificação e aconselhamento aos paranormais
por profissionais competentes.
II - Passos a serem seguidos:
1.
aplicação do 1º
questionário com os alunos e seleção;
2.
aplicação do 2º
questionário com os alunos selecionados;
3.
aplicação do
teste sociométrico;
4.
anamnese e
coleta de outras fontes;
5.
aplicação de
testes de laboratório;
6.
análise e
interpretação dos dados;
7.
elaboração de
relatórios;
8. início de treinamento e aconselhamento adequados.
O 1º questionário será aplicado
indistintamente a todos os alunos de 1º e 2º graus. Os primeiros contatos
serão feitos através dos professores, inicialmente, conscientizando os
alunos da natureza da pesquisa, sua importância e a necessidade de se obter
respostas verdadeiras.
QUESTIONÁRIO I
IDENTIFICAÇÃO DE APC NAS ESCOLAS DA
REDE PÚBLICA DE ENSINO
ESCOLA_________________________________
Nome do
aluno____________________________
Endereço_________________________________
Idade______________
Sexo__________________
Estado conjugal
________________(solteiro, casado, amigado, separado, viúvo, divorciado ou
desquitado)
Profissão_________________
Religião__________________
Praticante?______________
1.
Com quem
mora?_____________
2.
Idade das
pessoas que moram com você:____________________________
3.
Tem ou já teve
alguma doença séria?_____ Qual?_____________________
4.
Já foi
internado(a) em hospital alguma vez?_____ Por que?______________
5.
Toma ou já tomou
algum medicamento por tempo prolongado?______ Qual? __________________Por
quanto tempo? __________________
6.
Costuma lembrar
dos seus sonhos?____________(sempre, às vezes, nunca)
7.
Algum sonho seu
já se tornou realidade?________
8.
Já teve a
impressão de saber o que outra pessoa está pensando ou sentindo? ______
9.
Já teve a
impressão de ver e/ou ouvir pessoas já falecidas ou ausentes?______
10.
Já percebeu
pancadas, pedradas, objetos pegando fogo ou vidros quebrando sem causa
física aparente?_______
11.
Já previu algum
fato antes do seu acontecimento? _______ Contou a experiência a alguém?
_______
Observação: Se a sua resposta foi
afirmativa em algum dos itens de 7 a 11, relate a sua experiência na folha
em anexo.
O 2º questionário será aplicado com os
alunos selecionados no anterior, contendo um maior detalhamento nas
questões, enfocando os interesses pessoais, complexos, repressões,
motivações e problemas emocionais, assim como o surgimento dos fenômenos
descritos no 1º questionário. Será elaborado levando em consideração as
respostas obtidas no anterior, no que diz respeito aos aspectos de conduta,
traços ou tendências da personalidade de cada um.
Técnica quantitativa criada por
Moreno, a fim de estudar grupos, revelando as posições de cada indivíduo em
relação aos demais, que poderá ser adaptada à pesquisa parapsicológica,
levando os indivíduos dos grupos pesquisados a demonstrarem um melhor
desempenho, desde que, sejam descobertas as atrações, indiferenças ou
repulsas intergrupais. Cabe ao pesquisador trabalhar essas relações,
integrando da melhor forma o grupo pesquisado. É importante a presença dos
professores na aplicação do teste sociométrico.
Depois de obtidas as respostas, os
resultados serão representados graficamente através de um diagrama (sociograma),
cujo objetivo é identificar as relações entre os membros e a posição de cada
um no grupo.
Para a sua construção, os indivíduos
são representados no papel por números ou letras e unidos por linhas
contínuas. Os indivíduos do sexo masculino poderão ser representados por uma
cruz e os do sexo feminino, por um círculo. Os mais votados recebem o nome
de “estrelas” e os menos votados, de “quadrados” (lembrando os símbolos do
Baralho Zener).
Apesar das limitações do emprego dessa
técnica – o receio das pessoas em saber a sua posição no grupo, por exemplo
-, ela se adapta bem quanto à sua finalidade, ou seja, identifica o
“rapport” estabelecido (mesmo que temporariamente), entre pesquisadores,
professores e alunos e possibilita antecipadamente selecionar as “estrelas”
e os “quadrados”, dado que poderá auxiliar na identificação do agente-psi,
na fase de análise e interpretação dos dados.
V - Anamnese
Feitas as escolhas (quem trabalha com
quem), serão realizadas as entrevistas individuais para que se possa
elaborar as histórias de vida – técnica de pesquisa social utilizada por
antropólogos, médicos, psicólogos e outros estudiosos -.
A história de vida tenta obter dados
importantes relativos às experiências dos indivíduos que possam ter
significado importante para o conhecimento da fenomenologia.
O pesquisador, através de várias
entrevistas, tenta reconstruir a vida do indivíduo, identificando os
fenômenos e conhecendo o seu objeto de estudo, ao evidenciar os aspectos do
seu maior interesse. O sucesso do emprego dessa técnica deve-se,
principalmente, ao “rapport” estabelecido pesquisador-pesquisado, onde este,
deve sentir-se livre para poder se expressar, sem receio da desaprovação ou
censura do pesquisador. Daí a importância da elaboração prévia do sociograma.
As entrevistas também serão
padronizadas, onde o entrevistador segue um roteiro previamente estabelecido
(utilizando formulário). O motivo da padronização é obter dos entrevistados,
respostas às mesmas perguntas para que sejam comparadas e seja feito o
tratamento estatístico dentro do grupo selecionado de amostragem (alunos de
1º e 2º graus da rede pública de ensino).
Algumas vantagens e limitações que
poderão advir da entrevista:
-
fornecimento das
respostas a partir da conduta do pesquisador;
-
formulação
diferenciada das perguntas direcionadas a cada tipo de indivíduo;
-
avaliação das
reações e atitudes do entrevistado;
-
possibilidade da
influência consciente ou inconsciente do pesquisador, pelo seu aspecto
físico, atitudes, idéias etc.;
-
disposição do
entrevistado em dar informações necessárias;
-
omissão de dados
importantes;
-
dificuldade de
expressão de ambas as partes.
VI - Outras fontes
Documentos íntimos (diários, cartas
etc.), expressões artísticas (poesia, desenho, pintura, escultura etc.)
poderão acrescentar informações valiosas, na medida em que revelam traços de
personalidade do autor, que, se bem analisados, trarão subsídios para o
desenvolvimento da pesquisa.
VII – Participação dos pesquisadores
O pesquisador deverá tentar uma
participação real na vida dos pesquisados. A observação participante torna o
observador um membro do grupo, vivenciando e trabalhando dentro do
referencial do observado. É o trabalho qualitativo, onde a espontaneidade
surge com a convivência, tornando a pesquisa mais natural. É a partir daí
que surgem os melhores resultados e a melhor ocasião para os registros, que
são a hora e o local onde as coisas acontecem, sem o perigo da deturpação na
evocação dos fatos.
VIII - Laboratório
A observação em laboratório, que, até
certo ponto pode ter um caráter artificial, poderá, dependendo da habilidade
do pesquisador, passar a ter um caráter espontâneo, desde que as condições
de teste tenham uma conotação lúdica, principalmente quando a pesquisa é
realizada com jovens ou adultos com espírito jovial.
IX - Testes de aptidão parapsicológica
Formulados após a integração
pesquisador-pesquisado, os testes serão feitos a partir do Baralho Zener
tradicional, com modificações feitas pelo pesquisador, adequando o teste ao
pesquisado, baseando-se nos dados identificados anteriormente, referentes à
conduta, preferências ou aptidões do agente psi.
Outros tipos de teste serão aplicados,
desde os convencionais, até os improvisados, de acordo com a situação que se
apresenta. Para efeito quantitativo, será analisado também o aspecto
qualitativo, pois, a partir de um determinado número de acertos, a qualidade
do pesquisado passa de agente psi para agente psi confiável. Pode-se estimar
esta quantidade através de critérios estabelecidos pelo próprio pesquisador,
de acordo com o tipo de pesquisa.
É dada ao pesquisador a liberdade de
criar e improvisar dentro da pesquisa. Visto ser o caráter da fenomenologia
paranormal espontâneo, resultante em muitas vezes de uma catarse, cabe ao
parapsicólogo antever a natureza do fenômeno e, com criatividade, conduzir a
pesquisa da maneira o mais condizente possível com a realidade do
pesquisado.
X – Relatório Final
Com a finalidade de descrever a pesquisa em todos os seus aspectos, o relatório, além de informar sobre as técnicas utilizadas, apresentará dados, fatos, resultados, recomendações e conclusões.
XI - Propostas
Identificados os alunos possuidores de
aptidão paranormal manifesta, a proposta é:
-
fazer um
trabalho individual em nível de aconselhamento parapsicológico;
-
fazer a
reintegração do aluno no grupo familiar e social, quando necessário;
-
trabalhar o
grupo na troca de experiências psi, com assessoramento terapêutico;
-
cadastrar os APC,
de acordo com as suas tendências, com a finalidade de inseri-los em um
possível mercado de trabalho.
XII – Consultas
CERVO, Amado Luiz &
BERVIAN, Pedro Alcino. Metodologia Científica. Ed. McGraw-Hill do Brasil,
Ltda., S. Paulo, 1975.
MARCONI, Marina de Andrade &
LAKATOS, Eva Maria. Técnicas de Pesquisa. Ed. Atlas S. A., S. Paulo, 1985.