PROCESSOS DE
FORMAÇÃO E FACILITAÇÕES DE PSI
G. S. SARTI
Prefácio
Este estudo é uma
reedição, revista e atualizada, de dois capítulos do nosso livro
“Parapsicologia e Psicofísica”, editado em 1980 pela WZ.
Atualmente, no Brasil, um
considerável avanço no terreno das teorias em Parapsicologia fez-nos agregar
os conceitos de link e de seus fatores de redução, mais especificamente fi,
rô, pi e tau, de sorte que aquilo que vínhamos descrevendo há vinte anos
pode ser perfeitamente interpretado sob a óptica deste novo setting teórico.
Recomendamos especialmente o livro de Ronaldo Dantas Lins Filgueira, “Curas
por Meios Paranormais – Realidade ou Fantasia?”, editado pelo Instituto
Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas – IPPP, em 1995, no que concerne à
perfeita definição das citadas funções psíquicas atuantes no fenômeno
paranormal.
O texto a seguir é apenas um apanhado dos processos de formação e das técnicas facilitadoras do surgimento dos fenômenos paranormais. Outrossim, definitivamente, desencorajamos e desaconselhamos o leitor a tentar utilizá-las sem o devido acompanhamento de parapsicólogos de reconhecida idoneidade, exatamente por serem, algumas de tais experiências, capazes de, sem controle, promover desequilíbrio nas instâncias profundas da psique, podendo levar a conseqüências deletérias para o sujeito.
Podem ser ditinguidas
formas fundamentais de experiências paranormais
À exceção dos fenômenos mediúnicos que
não estão enquadrados na classificação estatístico-psicológica, os demais
podem ser reduzidos a coincidências e cognicões. Seus processos de formação,
conforme estudos realizados pelo autor, estão relacionados a seguir:
·
Por drogas alucinógenas
·
Por experiência surreal/automática
·
Por transe mediúnico
·
Por experiência transcendental/transpessoal
·
Por observação de fatos irrelevantes
·
Por condições laboratoriais
·
Por sonho
·
Por reificação
·
Por redução-ponto e ampliação-contínuo
·
Por transe hipnótico
·
Por coma
·
Por privação sensorial
·
Por morte iminente
·
Por megabrain
Tal classificação, além de
incompleta, não é estanque. As formas de manifestação não serão estudadas
isoladamente. Aliás bastariam para isso os títulos das classes, quase
auto-explicativos.
Por drogas
alucinógenas
A experiência alucinógena
dá-se pela ingestão de produtos tóxicos que alteram os níveis normais dos
neurotransmissores. Tal tipo de experiência altera a perceptividade e cria,
mesmo sem elicitação externa, um desencadear de processos mnênicos ou
provenientes da consciência objetal. No primeiro caso a função phi tende a
se anular. Ocorre daí um aparente paradoxo. Embora a filtragem seja
pré-sensorial, sua deleção do processo perceptivo cria condições para que
fatos irrelevantes sejam senorializados. Isto é, o aniquilamente de uma
função extra-sensorial gera uma sensorialidade exacerbada que por sua vez
produzirá um fenômeno paranormal. É o que foi popularizado chamar-se de
percepção de realidades não comuns (Castañeda). O LSD, cuja fórmula
molecular é algo semelhante à da serotonina, produz a perda das noções
comuns de espaço e tempo. O espaço assume a proporção de um sólido. Os
circuitos nervosos especializados se interpenetram funcionalmente, com
conotações dadas ao estímulo diversas daquelas que comumente seriam dadas.
O “status” sensorial é
caótico embora o campo perceptivo seja definido.
Nesse caos perceptual
ocorrem criptoscopias, hiperestesias e relações invulgares.
Há visão de processos
obscurecidos por barreiras, aglutinação de expectativas à situação presente
e sensibilidades extraordinárias não lingüísticas, tal como telepatia. Tais
fenômenos referem-se ao mundo exterior do experimentador. Porém mesmo em
repouso de estímulos, a mente vagueia por campos dela próprios, por
abaixamento do nível mental ou coerção de energias psíquicas. Muitas
vezes há formação de símbolos numinosos com a visão de entidades superiores
e de processos internos. O self torna-se fluido ocorrendo fusão entre os
mundos exterior e interior. Dependendo das condições psicológicas do
experimentador, os efeitos serão agradáveis ou não (Huxley).
·
Por experiência surreal/automática.
O efeito alucinógeno pode
ser alcançado também por experiência surreal. Nela o indivíduo expressa
características sombreadas de sua personalidade, sem perda da consciência,
mas ao sabor do automatismo psíquico. No processo de energização dos signos
pré-conscientes a realidade é distorcida entrando em choque com o princípio
que rege o ego. Configura-se uma situação similar à do quadro
esquizofrênico. A expressão automática faz com que a perceptividade incida
sobre aspectos que pouco têm a ver com o foco normal da atenção (Camus).
Além das alucinações
impostas à realidade, o experimentador surreal estabelece vínculos novos
proporcionados pelos seus sentidos. É observada uma regressão sincrética da
percepção e da expressão, assumindo os fatos abstratos conotações concretas
e sendo denotados pelos artifícios emanados dos confrontos id-ego-superego.
A contigüidade, a justaposição, o simbologismo e a hipostasia são básicos na
experiência surreal. Tais processos regressivos, muitas vezes acompanhados
de características primevas e míticas, induzem à hipótese de uma regressão
psicológica em fundamentos neural-filogenéticos (Haeckel), de tal maneira
que porções onomatopaicas, não lingüísticas, localizadas em áreas
sócio-primitivas do sistema nervoso seriam sede para a telepatia.
Entretanto, por amplicação-contínuo verificaremos que a descoberta dá-se
por conexões em áreas conscientes, o que também nos faz suspeitar de outra
sede não lingüística porém evolutivamente posterior ao centro frontal da
fala e possivelmente localizada em hemisfério oposto. Como as duas hipóteses
são contraditórias e como o efeito é aparentemente o mesmo da fenomenologia
paranormal, especialmente a telepática, é de se presumir que um sistema
nervoso paralelo ou alguma glândula ou chakra sejam sede da ativação
telepática.
·
Por transe mediúnico.
Já o transe mediúnico
apóia-se na disposição histeróide do aparelho.
Características marcantes
dos processos conversivos-regressivos tais como o ambidestrismo, a convulsão
e a xenoglossia acompanhados de partição ou duplicação de personalidade são
espiriticamente interpretados como manifestações de almas desencarnadas. Do
ponto de vista interpretativo o espiritismo é ainda uma bem sucedida
hipótese em paranormalidade. As teorias psicopatológicas explicativas da
paranormalidade do transe são meras formalidades médicas. Não chegam a
envolver a natureza dos fenômenos processados a não ser quando
psicopatologistas de base analítica se preocupam com o transe e sua
fenomenologia e, ao lado do traço histeróide, encontram significados
individuais profundos. Fenômenos mais extraordinários como o teleporte, a
materialização-desmaterialização (Aksakof) e a bilocação ou ubiqüidade fogem
amplamente do tratamento psicológico e psiquiátrico mas não parapsicologia.
Cumpre aqui assinalar que os fenômenos psicopatológicos, os espíritas e os
parapsicológicos podem ocorrer simultaneamente, sem que isso vá implicar na
condição de que sejam uma única manifestação. Sendo assim é absolutamente
indispensável estabelecer-se uma distinção entre campos de atuação teóricos.
Isso proporcionará a condição de entendimento mútuo e, ao invés de
enfraquecer as partes teóricas envolvidas, possibilitará o fortalecimento de
cada uma delas já que bases sólidas e inter-faces poderão ser solucionadas.
·
Por experiência transcendental/transpessoal.
A experiência transpessoal
com seu correlato transcendental é tecnicamente produzida pela regressão
hipnótica.
O transcendentalismo
fundamenta-se na procura interior das raízes do ser. Os substratos básicos
da existência vão sendo vivenciados pelo indivíduo inicialmente na fase
fetal, sem quaisquer vestígios do ego, e posteriormente na fase pré-uterina.
Mais conhecidos como estados alterados da consciência, os estágios
transpessoais proporcionam experiências culminantes. A direção dos processos
transpessoais, seja por regressão hipnótica ou auto-sugestiva, dá-se segundo
uma determinada cartografia geral da vida psicológica. Tal cartografia é
topologicamente dividida em regiões pessoais, internas e regiões
transpessoais, externas (Ring). A vigília, o pré-consciente, a psicodinâmica
e a consciência ontogenética são os estados possíveis da cartografia
pessoal. As regiões transpessoais são os inconscientes transindividual,
filogenético, extraterrestre e o vácuo.
A experiência culminante é
substitutiva ora do fenômeno espírita, principalmente na região
filogenética, ora do fenômeno psicopatológico no âmbito do transpessoal,
como um todo e ora do parapsicológico, quando sua tradução se dá por
coincidências e cognições múltiplas. A principal crítica à cartografia
transpessoal é ser ela uma supersimplificação calcada na experiência
regressiva e linearmente direcionada.
A par disso, no vácuo o
sujeito identifica-se ao nada, tal como em alguns estados esquizofrênicos
(O’Brien) e pós-analíticos dados pela ab-reação primal (Janov). Na verdade
não há qualquer correlação entre o mundo físico e as consciências
culminantes (Maslow) razão porque a descrição transpessoal situa-se algo
desvinculada da complexidade parapsicológica. A evolução para se encontrar
tal correlato é dada pela fórmula Zen transcendental, segundo a qual não há
uma separação nítida entre a mente e o cosmos, concluindo-se que sob tal
prisma o estado alterado da consciência nada mais é que o reencontro do ser
com suas raízes materiais.
·
Por observação de fatos irrelevantes.
A observação de fatos
irrelevantes, inevitável na experiência alucinógena, pode ser provocada pelo
experimentador (Kammerer). Ele observa que existe uma relação transversal (Schopenhauer)
ou acausal (Jung) entre múltiplos fatos de um momento. A relação transversal
é primacial na interpretação existencial da natureza. Pode-se dizer que duas
cadeias causais distintas são sistemática e estatisticamente correlacionadas
a ponto de um observador suposto não participante, ver-se compelido a
emprestar-lhes conteúdos psicológicos pessoais.
Assim, perdidas as noções
de energia, espaço e tempo, indispensáveis ao discurso causalista na
explicação do movimento, o que resta é uma estrutura de ordem dialética (Yang-Ying).
Em Zen, o filósofo ao observar-se intimamente está concomitantemente
examinando o cosmos, enquanto a processuística causalista é substituída
pelos embates de valências opostas.
·
Por condições laboratoriais.
As experiências
laboratoriais são rígidas o bastante para revelar apenas os aspectos
estatísticos da fenomenologia. Em contrapartida, as condições espontâneas
revelam sobremaneira os aspectos psicológicos.
Possivelmente os processos
em laboratório fundamentam-se no arquétipo das situações impossíveis (Jung).
Tal arquétipo é o sustentáculo de um abaixamento do nível mental,
abaixamento esse verificável nas condições de espontaneidade mesmo na
ausência do citado arquétipo. O que acontece entretanto é que, até o momento
em que haja a possibilidade de abaixamento do nível mental, a experiência
espontânea não ocorre e, como os vínculos gnosiológicos inexistem capazes de
provocar tal abaixamento, o limiar do ego decresce por influência favorável
do tipo transversal.
Assim anterior ao fenômeno
do conhecimento ocorre uma relação acausal entre percipiente e objeto.
Outra alternativa é que,
postulada a permanência de semelhantes relações, certas condições de ordem
neurofisiológica permitem sua captação e interpretação psicológicas. Nesse
caso o substrato psicológico é dramático porque a atenção é despertada,
tratando-se o fenômeno de pura coincidência com base na relação transversal.
No âmbito laboratorial o fenômeno provocado é pobre quando comparado ao
espontâneo, e isso se deve muito ao fato de que o interesse do
experimentador se focaliza essencialmente sobre os aspectos estatísticos.
Mesmo que ocorram fenômenos atípicos estes seriam reduzidos pela abordagem
científica. O que é primordial na experiência provocada em laboratório é que
é intentado algum controle da manifestação paranormal, além da sua
identificação estatística. Porém, falhas conceituais, principalmente em
relação aos procedimentos com alvos, como na clarividência, deixam a
desejar.
Quando o experimentador
estabelece um alvo para o percipiente, grande parte do conceito de
clarividência e telepatia se esvai e fica valendo, principalmente, a
capacidade dedutiva e diferenciadora do sujeito em relação ao alvo já
proposto. Conte-se ainda que os juízes de prova nesse caso desempenham um
papel altamente subjetivo na avaliação dos resultados. A par desses
problemas, excluindo-se a hiperestesia, ainda é inegável o valor das
manifestações controladas por propiciarem estudos analítico, sistemático,
empírico e matemático.
·
Por sonho.
Na manifestação onírica do
sonhador, devem ser considerados os conteúdos latente e manifesto. A
precognição dramática dá-se a maioria das vezes através do material
explícito. A análise do conteúdo pode no entanto revelar significados
psicológicos profundos. Em tal caso, o manifesto, relacionado ao mundo
exterior, e portanto contendo implicações de ordem físico-lógica, liga-se ao
latente por uma relação que leva em conta momentos infantis, frustrações,
desejos e fases. A manifestação por sonho coletivo nos dá uma aproximação da
filosofia Zen pois que aspectos não perceptíveis do mundo social deixam-se
transparecer. O sonho induzido (Désoille) é mais complexo em função da
presença do diretor quando então o conteúdo fica de certa forma vinculado às
próprias expectativas transmitidas pelo psicólogo. A condição de sonho, como
acompanhada de movimentos oculares rápidos e intensa atividade occipital
demonstra que precognição e clarividência tendem a surgir concomitantemente.
Entretanto, o sonho não prospectivo da análise de Freud torna a
interpretação parapsicológica dificultada em ser realizada porque, tal tipo
de análise, remetendo ao passado e abstraindo os arquétipos como tais, não
possibilita o estudo da precognição, podendo surgir apenas fenômenos
retrocognitivos. Muito pouco se sabe das relações entre o sonho e a
paranormalidade, embora o abaixamento do nível mental por relaxação do ego
consciente proporcione as melhores condições para a ocorrência do fenômeno
parapsicológico. Até que ponto a manifestação é de origem extra-sensorial
dependerá bastante da escola do analista. Poderíamos arriscar que, por serem
presente e passado construções humanas dadas pela facilidade de abordagem
racional, no caso de um modelo de tempo fechado, as noções de
sucessão dão-se apenas do ponto de vista em que se coloca o analista em
relação aos eventos. A regressão hipnótica pode significar então um avanço
desde que sejam rompidos os tradicionais laços absolutistas e que sejam
consideradas as teorias relacionais.
Tal assertiva porém não
chega a atingir o cerne do problema por tratar-se de uma perspectiva
especulativa com base exclusivamente convencionalista.
·
Por reificação
A reificação consiste na
assunção de que o modelo é a realidade. Quando o experimentador passa a
atuar conscientemente conforme constructos preestabelecidos, há uma
alteração em sua ordem psicológica natural com a racionalidade exercendo um
desequilíbrio sobre a afetividade. A ascendência hierárquica provocada do
ego sobre o id estabelece de imediato um processo de reatividade afetiva
intensa.
Não há nesse processo uma
acomodação paulatina e a pressão antinatural e estereotipada da consciência
e da racionalidade nada mais fazem que ultra catetizar as pulsões primitivas
reprimidas. As manifestações psicocinéticas são usualmente relacionadas
junto com exacerbações de processo afetivo como o ódio, característico da
invasão que sofre o sistema inconsciente de forças provenientes desde seu
exterior. Resulta em PK uma modificação da geometria do espaço e o afluir de
conteúdos esplitados e incoerentes, cuja única ligação se estabelece com a
natureza da energética psíquica.
A formação paranormal por
ação reificante é bastante perigosa porque a contrapressão sobre
o id é inicialmente insidiosa mesmo que o experimentador pretenda manter o
controle da situação. Assim, o irromper é repentino e os relacionamentos com
o mundo exterior sensível tornam-se quebrados, passando o experimentador a
experienciar conteúdos alucinatórios significativos para o parapsicólogo.
A experiência surreal
difere da reificante por não haver nela catexe e contratexe mas apenas
desprendimento de resistências conscientes.
·
Por redução – ponto e ampliação-contínuo.
Freudianamente,
aproximam-se muito da condensação e do deslocamento.
O fenômeno parapsicológico
pode ser formado na topodinâmica da redução ao ponto e da ampliação ao
contínuo.
Entendemos por redução ao
ponto e ampliação ao contínuo duas formas de comportamento psicológico
incluídas no processo de mecanismo de defesa. Ambos os comportamentos têm
por finalidade a supressão dos significados desagradáveis que possam habitar
o campo da consciência.
A psicologia topológica (Lewin)
considera que as situações do espaço vital do indivíduo são desestruturadas
ou quando representáveis por pontos ou quando representáveis por regiões
fechadas uniconexas. Significa isto a inexistência de sub-regiões ou
estruturas dentro da região considerada como ponto ou como contínuo.
A finalidade supressora da
região psicológica continente de um significado desagradável é
alcançada quando esta região é transformada em ponto pela contração da sua
fronteira. As diferenciações porventura existentes na sua estrutura deverão
ser necessariamente suprimidas antes da contração, o que só pode ocorrer se
as estruturas locomoverem-se para o exterior da fronteira até confundir-se
com a própria fronteira em contração, porque a existência de estruturas
diferenciadas e articuladas em uma região qualquer significa resistência à
contração da fronteira.
Por um princípio de
economia envolvido no mecanismo de defesa mais vale que a energia coberta
por significados negativos seja dissipada para apenas um significado, daí o
deslocamento das sub-regiões para o exterior antes mesmo que a contração se
faça por completo. Ocorre então um contínuo, vazio de elementos
estruturantes, mas ainda mantendo uma energia negativamente valenciada em
função do significado que é da própria região fechada e vazia. Finalizando o
processo de contração, fica mantida uma alta concentração, um ponto,
impenetrável por outras regiões do espaço vital do indivíduo. O significado
perdeu-se e conseqüentemente a valorização negativa da energia ao qual
estava associado também. O ponto é então o sumidouro do problema mas vagueia
no espaço psicológico até ser absorvido por outro significado ou, melhor
dizendo, por um signo que ele, ponto energético neutro, transformará em
significado.
Acontece em psicopatologia
que certos indivíduos mantêm uma disposição constitucional a preencher seus
campos da consciência de signos potencialmente negativos e que energizados
transformam-se em significados desagradáveis que precisarão ser eliminados
através de mecanismos de defesa. As manifestações depressivas são exemplos
bem evidentes de um continuado processo de supressão de significados
com características depressivas. É observável a intermitência de estados
disfóricos e a tendência potencial ao nutrimento de idéias de
autodestruição. Na esquizofrenia, em suas várias formas manifestas, todo o
campo da consciência reduz-se a um ponto altamente energizado, de tal
maneira que a parte dessa energia deve extravasar sobre o soma, eg, a
hebefrenia e a catatonia, e associar-se a signos destituídos de valor
aparente como as repetições, imitações e hábitos vãos, tornando incoerentes
e automáticas as descrições verbais.
Ressalvamos que tais
processos manifestam-se ao nível da consciência, como tem sido descrito por
esquizofrênicos nas fases iniciais da doença, isto é, sem perda da
consciência mas apenas com alteração dela. Certamente a fonte reguladora do
mecanismo de defesa é de ordem constitucional e inconsciente tanto quanto as
disposições esquizóides, e pode ocorrer sob o prisma psicodinâmico, que os
conteúdos afetivos profundos aflorem entre o automatismo verbal e a
estereotipia do comportamento, por estarem, aquelas sim, sobrecarregadas
pela energia que abandonou algum significado consciente.
Relembremos que as
sociedades mais opressoras política e socialmente ressentem-se de uma grande
estatística de esquizofrênicos justamente porque repletas de signos
potencialmente desgastantes da integridade pessoal. Associados aos fatores
disposicionais, com maior probabilidade surgirá a doença.
O ponto de vista
psicanalítico para a esquizofrenia é de que as energias objetais
transferem-se ao nível inconsciente ligadas ao significado disposicional
desagradável, permanecendo no plano consciente uma atividade puramente
verbal destituída do seu sentido
O de grande interesse para
a parapsicologia seria a resposta de como e porque mesmo as cadeias lógicas
conhecidas relacionadas as aprendizado e à memória, elas próprias estão de
acordo com uma aparente lógica da natureza. Na ampliação ao contínuo essa
dependência em relação ao aprendizado deixa de existir e então o fenômeno
poderia ser apressadamente “explicado” como uma solução de continuidade
ocorrida no processo lógico do pensamento, sendo daí interpretado por pura
oposição. O que faz com que a energia dissipada na quebra do processo lógico
encadeado do pensamento se disponha na forma de um significado
representativo adequado à realidade comum é entretanto transcendente daquilo
que faz com que a própria cadeia lógica apareça naturalmente. O acordo da
idéia e do fato ocorre a todo momento e é um fenômeno do qual depende
estritamente a vida. Assim, por uma questão de adaptação, a geração desse
acordo pode ser inicialmente considerada como repousando na eleição humana
dos processos que permitem a manutenção da espécie; portanto esses processos
podem ser inferidos pela comparação com aqueles que a dificultem em relação
a fatos conhecidos. Embora o núcleo de tal acordo não seja atingido por
semelhante explicação, que é apenas um modelo, o preponderante é que o
acordo por ampliação ao contínuo não se dá por inferências especulativas,
mas unicamente por verificação, independendo da necessidade da adaptação
pois que esta só ocorre após a constatação do fato procedido. Em outros
termos, no caso em pauta a necessidade de fenômeno não é conhecida no
momento e no local em que ele ocorre.
A análise do processo
energético da ampliação ao contínuo nos mostra entretanto que o signo
preexistia antes de ser energizado, em uma forma de inconsciência não
reprimida.
Observamos neste ponto a
complementação do formalismo psicoanalítico exposto na redução ao ponto. Se
acima já havia sido traçada a oposição dos movimentos topológicos, fica aqui
bastante evidente a relação da contraposição entre os processos
psicodinâmicos, libertário da ampliação e repressivo da redução. E, por
extensão, formulamos aqui a hipótese de uma consciência coletiva nos moldes
do desconhecimento não proveniente por censura mas por desativação.
Como anteriormente
descrito, pode ocorrer uma deterioração paranóica do processo de ampliação
do campo consciente, fazendo com que as estruturas desse campo se
interrelacionem em uma forma especial de eqüipartição energética do ego
através de ação disposicional. Tal eqüipartição dirige-se para o
fortalecimento extremo do ego, às expensas das demais estruturas que,
esvaziadas de seu conteúdo primitivo, passam a estabelecer interrelações
aleatórias do ponto de vista do observador, sendo o comando dessas
interrelações pertencente “à visão de si mesmo”. Pelas características
descritas, o ego se torna caótico e ocorrem as conhecidas formações de
sistemas e engrenagens centralizadas no Eu. As formações dessas múltiplas e
aleatórias relações entre os signos foram minuciosamente averiguadas por
Kammerer, conforme citado por Jung, terminando por conduzi-lo a uma fase
maníaca e fazendo-o penetrar na loucura.
Embora as relações entre
os signos sejam estatisticamente comprováveis como possíveis, dentro de
restritos níveis de significância, e embora tais conexões sejam absurdas do
prisma da causalidade, o paranóico consegue introduzir uma lógica improvável
causal com elevada participação de uma grandeza delirante. Kammerer e
Schopenhauer sugeriram que transversalmente às cadeias causais de eventos
aparecem leis de serialidade conectivas entre eventos de cadeias causais
distintas. A lei de serialidade como propõe Kammerer é a que efetivamente dá
consistência ao universo de fatos causalmente determinados.
Assim, eventos simultâneos
ou contíguos de cadeias causais de origens diversas se relacionam por uma
lei de natureza não determinística. O efeito do processo paranóide na
ampliação ao contínuo faz emergir, de uma forma significante para o
observador, fenômenos que de outra forma permaneceriam despercebidos mesmo
que correlacionados no espaço e no tempo, tais como a simulcognição e a
clarividência.
·
Por transe hipnótico
Estado basicamente
trofotrófico em que o sujeito estabelece um canal único de comunicação com o
hipnotizador. Reduzida a extensão do campo do ego consciente, o indivíduo é
sugestionado pelo agente, em geral por via auditiva, a vivenciar
experiências viscerais, motoras, sensoriais e de desempenho de papel (Lins).
Particularmente diferente
do sono, tanto no eletroencefalograma quanto no eletrooculomiograma, o
potencial vígil permanece energizado porém consumido pela sugestão e pelo
apagamento proprioceptivo e exteroceptivo e da crítica do Ego..
Abandonado por Freud por
não permitir trabalho de perlaboração, ainda assim os conteúdos podem ser
interpretados psicanaliticamente e propiciar tratamentos psicoterápicos.
A indução sugestiva do
hipnólogo favorece a hipermnésia ou a paramnésia mas é muito interessante a
progressão da memória para verificar-se até que ponto ocorrem ou não
precognições e clarividências.
A hipnose à distância,
chamada sugestão telepática, sem indução vocal e feita pela primeira vez,
sem condicionamentos, pode ser tentada com indivíduos particularmente
sensíveis.
A hipnose também pode
proporcionar interessantes experimentos de visão remota, considerando-se
sempre na significância estatística o homeomorfismo topológico dos alvos, de
que trata Lins.
·
Por coma.
No coma a consciência
sofre uma elevação do nível de tolerância aos impulsos exteroceptivos. O
comatoso mantém precárias condições fisiológicas porque os centros do
sistema nervoso, simpático ou parassimpático, tendem a não dominar os
processos viscerais.
Com o apagamento da
consciência, o paciente, incrivelmente, pode viver as chamadas experiências
fora do corpo (OOBE), que são relatados em muitos casos.
No caso de anestesia geral
o resultado é muito similar e o desvinculamento sensorial total tornaria
impossível qualquer percepção do exterior. Mas, muitas vezes, parece ocorrer
um desacoplamento entre a mente e o cérebro e o paciente pode ver-se deitado
na cama, observar detalhes criptoscópicos e ouvir conversas, fatos que são
relatados a posteriori do coma e que são confirmados pela equipe que
assistia o paciente.
O retorno do coma em geral
é tomado pelo comatoso como experiência dramática, próxima do renascer de
uma morte e apropriada para reestruturação do Eu. O coma, nessas condições,
é utilizado como terapia (insulinoterapia - cura de Sakel), em pacientes
drogadictos.
·
Por privação sensorial – Ganzfeld
Nesse caso, similar à
hipnose (Ey) nos seus aspectos neuropsicológicos, o sujeito não estabelece
transferência com nenhum interlocutor. O Eu fica submerso cumulativamente
com o decorrer do tempo, primeiro com o pré-consciente imagético, que
podemos chamar de 1ª fase para, em uma 2ª fase do experimento, vivenciar
eclosões da natureza do recalcado. Conteúdos muito profundos afloram em
seguida, estabelecendo-se um estado confusional em que não ocorre mais a
distinção entre o conteúdo psíquico e as realidades exteriores vividas na
evolução humana. Esse estágio muito profundo remete o sujeito a experiências
que não podem ser interpretadas psicanaliticamente e que revelam uma
estreita correlação emotiva com o inconsciente coletivo da psicologia
profunda. Abaixado o nível sensorial, o processo de elicitação deixando de
ocorrer, os conteúdos manifestos irrompem de forma caótica, sem organização.
A eclosão de tais conteúdos podem conduzir o sujeito a alucinações,
mantendo-se um estado que deve ser interrompido com evitação de problemas
secundários de ordem cardíaca.
A privação sensorial pode
ser indicativa de que o ser humano contém em sua base psíquica as raízes da
formação biológica e mesmo do universo físico sendo, nesse caso, um
experimento inefável.
·
Por experiência de morte iminente (NDE)
Foram estudadas as NDE por
muitos parapsicólogos dos USA como Kubler-Ross, Haraldson, Schmeidler, Osis
e principalmente Moody, daí serem também conhecidas como experiências
moodyanas. Uma interpretação bastante boa da semelhança de relatos de
pacientes que passaram pela morte clínica e “retornaram” é de que eles
teriam em comum o nascimento, no pólo oposto da morte. A descrição de suas
vivências, retirados os aspectos adquiridos e personalísticos na sua
estruturação vital, revelou passagem por túnel à semelhança do parto e de
suas possíveis influências de grande repercussão para a psique do sujeito
que não teria outra escolha senão optar pelo trauma do nascimento (Abraham),
embora contestado por Jung.
Foi verificado que a
precognição ocorre muitas vezes nas descrições verbais dos clinicamente
mortos. Esse aspecto tem sido particularmente estudado por via estatística,
revelando-se potencialmente promissora.
Como ficou mantida a
atividade cortical, a consciência passa por uma alteração, possivelmente
traumática do ponto de vista psicológico e não se sabe se no momento da
inconsciência da morte ocorreria uma repressão do tipo transpessoal e
conforme a psicologia profunda (coincidências significativas).
·
Por megabrain
Técnica recentemente
introduzida no Brasil, o megabrain é o contrário da privação sensorial. São
estimuladas, estroboscopicamente e não, as regiões auditiva e visual do
córtex cerebral, de forma bilateral, podendo-se chegar a quatro elicitações
diferentes, duas em cada hemisfério. Inicialmente o paciente fica atento,
procurando relacionar as ordens auditivas à interpretação das imagens. O
processo vai atingindo um clímax quando as ordens ouvidas não mais se
relacionam às imagens diferenciadas binoculares.
Como se pode depreender,
megabrain é marcantemente ergotrófica e desorganiza o funcionamento eferente
do hipotálamo do cerebelo e do sistema límbico.
Espasmos involuntários,
sudorese, descontrole esfincteriano e tremores são uma conseqüência motora e
secretora natural e que pode ser mais ou menos rapidamente alcançada
dependendo do ritmo ou da intensidade das estimulações.
O sujeito, que antes
mantinha razoável controle sensorial e motor, passa a sofrer de um
recrutamento difuso do córtex, não excitando-se mais com as variações do
ambiente em que se encontra, conforme descrito, para posteriormente adentrar
em uma forma de convulsão tônico-clônica ou mioclônica.
É bem provável que
megabrain desencadeie uma infatigável reverberação elétrica sensorial entre
estruturas vizinhas do sistema nervoso central tal como em grande mal de
estado de mal epiléptico. O coma convulsivo ocorre se o processo não for
interrompido e o complexo de pontas deve aparecer em todos os traçados EEG
na fase paroxística.
Maiores estudos sobre
megabrain fazem-se necessários para verificar-se se da eficácia do método na
externalização psicocinética.
BIBLIOGRAFIA
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Desmaterialização – FEB – 2ª edição.
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Castañeda, Carlos – A Erva do Diabo –
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