SONHOS
PROFÉTICOS
PROFETA E PROFECIA
É temática
polêmica, nos dias atuais, a que se refere a profeta e profecia. Ganha
espaço o Apocalipse e suas profecias. O povo repete de maneira enfática:
“O mundo não chegará ao ano 2000”. E as previsões do Fim do
Mundo” conseguiram adeptos entre profetas, místicos, cientistas que
divulgaram as suas idéias e pesquisaram sobre o assunto. Esse estado
eufórico, conhecido como “síndrome do milênio” contagiou a
todos, baseando-se, principalmente na previsão do astrólogo e médico francês
Nostradamus, em uma das quadras das centúrias e que se costuma atribuir ao
fim do mundo. Por toda a parte, espalhou-se a idéia de que esse final teria
data marcada para 11 de agosto de 1999, por ocasião da passagem do último
eclipse total do Sol deste século.
E esse
fascinante e complexo tema do Apocalipse, com a profecia do final dos
tempos, já está viajando via Internet, sendo discussão constante de
religiosos, fanáticos, cépticos, pesquisadores e até leigos. Não faltaram
seitas que se prepararam para tão esperado momento, apresentando rituais,
entremeados de cânticos e orações. (1)
O termo profecia
(do latim prophetiam) é o mesmo que metagnomia profética, pré-conhecimento,
premonição, precognição, presciência, previsão.
E profeta (do
latim prophetam) é aquele que possui o dom paranormal da presciência, do
conhecimento do futuro.
No sentido
evangélico, o vocábulo profeta tem mais extensa significação. Diz-se de todo
enviado de Deus com a missão de instruir os homens e de lhes revelar as
coisas ocultas e os mistérios da vida transcendental. Pode um homem, pois,
ser profeta, sem fazer predições. Aquela era a idéia dos judeus, ao tempo de
Jesus. Daí, o fato de que, quando o levaram à presença do sumo sacerdote
Caifás, os escribas e os Anciães, reunidos lhe cuspiram no rosto, deram-lhes
socos e bofetadas, dizendo: “Cristo, profetiza para nós e dizem quem
foi que te bateu”. Entretanto, deu-se o caso de haver profetas que
tiveram a presciência do futuro, quer por intuição, quer por providencial
revelação, a fim de transmitirem avisos aos homens. Tendo-se realizado os
acontecimentos preditos, o Dom de predizer o futuro foi considerado como um
dos atributos da qualidade de profeta.
Entre os
hebreus, de acordo com os estudiosos, havia duas espécies de profetas: os
nebriim, que eram os profetas propriamente ditos, ou seja, aqueles cuja
missão era a de instruir os homens no conhecimento religioso, e os rôim,
isto é, aqueles que tinham o dom da presciência.
Em suma, no
sentido bíblico, profeta é líder religioso de Israel, sobretudo na época dos
reis e do cativeiro da Babilônia.
Houve dois
grupos de profetas: maiores e menores. Os maiores são Isaías, Jeremias,
Ezequiel e Daniel. Os menores são: Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas,
Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias. Eram
reformadores e purificadores dos costumes do povo e grande parte de seus
ensinamentos consiste em interpretar o sentido religiosos da História.
Progressivamente interiorizavam a religião, até alcançar a doutrina de
Jesus. É o que se depreende, principalmente, de Isaías e Ezequiel.
Fora do
Cristianismo, destaca-se a figura de Maomé, como sendo o último dos
profetas, na ordem cronológica.
Em todas as épocas e em todos os
povos, acreditou-se na adivinhação do futuro.
Toda a história
de Israel, conforme a narrativa do Velho Testamento, está tão ligada ao
espírito dos profetas que os casos narrados são numerosos demais para serem
citados. Dezoito dos trinta e nove livros do Antigo Testamento são
conhecidos pelo subtítulo “O Livro do Profeta”. Realmente, há pouquíssimos momentos na história de Israel que não comecem
com as palavras: “E o Senhor falou através de seus servos, os
profetas, dizendo...” e não terminam com: “... e assim foi.”
Em I Reis, é
sabido que a rainha Jezebel mantinha nada menos que 850 profetas à sua mesa,
enquanto o rei Davi escolheu, como profetas oficiais da corte, Gad e Natan.
No Êxodo, Moisés é servido por um profeta, seu irmão Aarão, através do qual
Deus advertiu o Faraó sobre as Sete Pragas que Ele iria enviar ao Egito,
caso os filhos de Israel não fossem libertados de sua escravidão.
É o Gênesis que
proporciona, talvez, o exemplo mais claro dos tempos bíblicos dos reis e,
certamente um dos mais citados hoje, quando se aborda a precognição: o de
José e seus sonhos. José que atribuía seu dom à providência divina, como
outros profetas de Israel, interpretou com exatidão o simbolismo dos sonhos
do Faraó (as sete vacas gordas, devoradas por sete vacas magras, as sete
espigas de milho boas devoradas por sete espigas de milho ruins), predizendo
que sete anos de fome se seguiriam a sete anos de abundância.
Com sua
previsão, José salvou da ruína o reino do Faraó e obteve, junto à família,
uma posição de grande poder e influência como havia previsto (em sonhos)
tidos na infância, quando junto à família.
Ouvi, peço-vos,
este sonho que tenho sonhado: eis que estávamos juntando feixes no campo e
meu feixe elevou-se e manteve-se ereto, e vossos feixes se puseram em torno
e prestaram obediência ao meu.(Gênesis 37:6, 7)”
Foi para evitar
que isso acontecesse que os irmãos de José, enciumados, venderam-no à
escravidão do Egito, um gesto que, mais tarde os levou ao destino ao qual
haviam pretendido escapar. (2)
Na Antigüidade
Clássica, destaca-se o caso de Sócrates. Ele se dizia acompanhado de um
intermediário entre Deus e o homem: “oráculo familiar dentro de mim” ou voz interior, a que, cientificamente, chamamos telepatia,
clarividência, precognição. Freqüentemente, em público, ele parava, ouvia, e
obedecia à voz ou transmitia seus avisos. Certa vez o oráculo interno instou
para que Sócrates avisasse o jovem Cármides de que não deveria participar de
certa competição esportiva. Cármides desprezou a advertência e acabou
ferido.
Em outra
ocasião, Sócrates e Timarco bebiam juntos e, antes de este partir para
executar um plano assassino, o “oráculo dentro de Sócrates avisou
Timarco de que não deveria ir, mas não mereceu atenção: Timarco foi morto”.
É outro exemplo de experiência
premonitória espontânea na Antigüidade, o sonho de Calpúrnia na noite que
antecedeu ao assassinato de César. Calpúrnia via a estátua de seu marido
jorrando sangue, sendo um sonho precognitivo de significado tão óbvio que
nenhuma interpretação exigia.
Um exemplo
registrado por Heródoto e que envolve Creso, o rei da Lídia, é interessante
e merece ser mencionado:
Preocupado com a
crescente militarização da Pérsia, Creso planejou consultar um oráculo, mas
sendo um tanto céptico, resolveu “testar” diversos oráculos a
título de experiência (provavelmente, como observou Whately Carington,
trata-se do primeiro exemplo concreto e documentado de pesquisa psíquica).
Creso enviou sete mensagens a sete oráculos diferentes, instruindo cada um
deles para que, no centésimo dia, a contar de sua partida, fosse perguntado
ao oráculo: “O que está fazendo agora o rei Creso, o filho de Alíates?” Os mensageiros deveriam, então, trazer a resposta por escrito.
A resposta vinda
de Delfos e a única correta, dizia:
Posso contar os
grãos de areia, posso medir os mares;
Escuto o
silêncio e posse dizer o que o mundo falou;
Oh!
surpreendo-me com o cheiro de uma tartaruga coberta com uma carapaça;
E cozinhando
agora num fogo com a carne de um carneiro em caldeirão;
Há bronze na
panela por baixo, e bronze na tampa em cima.
Foi tão preciso
o oráculo que dispensou qualquer interpretação. (3)
No século XIII,
são Tomás de Aquino, em sua discussão do instinto profético, observou que
ele não era necessariamente miraculoso. Seu contemporâneo, Santo Alberto
Magno, julgava-o mais comum a mulheres que os homens. Quinhentos anos
depois, Próspero Lambertini, ao escrever seu longo, culto e cuidadoso estudo “De Canonizationi”, distinguiu entre o miraculoso e o
insólito e reconheceu o último como ocorrendo entre os homens e animais
(inclusive insetos e peixes). Afirmou que a profecia natural entre os homens
parecia emergir mais freqüentemente durante o sonho que em vigília, e que
era rara entre pessoas instruídas e mais comum entre os iletrados e aquelas
mentes “não inteiramente absorvidas em paixões e ocupações externas”,
recorda-nos Renée Haynes, da Sociedade de Pesquisas Psíquicas de Londres.
Médico e
astrólogo francês, nasceu em Saint-Rémy (Provença), sendo o mais associado a
profecias e previsões que qualquer outro na mente popular. Astrólogo, médico
e profundamente enraizado na tradição mística judaica (era um judeu
convertido), entre suas profecias perturbadoras estão algumas que parecem
haver previsto: a Revolução Francesa, a ascensão de Napoleão e, talvez, o
domínio de Hitler. (4)
Quando coincidiu
cumprir-se sua predição sobre a morte trágica de Henrique II (que morreu em
um torneio), sua fama não conheceu limites, e muitos lhe atribuíram o dom
profético.
Por volta de
1547, começou a fazer predições, publicando, em 1555, um livro de profecias
em rimas, intitulado “Os Séculos” (Centúrias). Republicou a obra em
1558, aumentando-a e dedicando-a a Henrique II.
Compunham-se de
quadras grupadas às centenas, cada uma delas formando um século. Famoso em
todo o mundo por suas Centúrias, escritas em verso e de sentido cabalístico.
A maioria das
predições de Nostradamus chegou até nós com a publicação de suas Centúrias,
mas há uma história que se refere a algo ocorrido em sua juventude. Durante
uma viagem a Itália, teve a oportunidade de encontrar um guardador de porcos
que se havia tornado monge, chamado Felix Peretti. Nostradamus imediatamente
caiu de joelhos e dirigiu-se a Peretti como “Sua Santidade”. Anos
depois da morte de Nostradamus, Peretti se tornou o Papa Sixto V.
As Centúrias são
quadras agrupadas em centenas e prefazem um total de 966. Atribui-se a cada
uma dessas quadras a visão de algum acontecimento futuro. Estão escritas de
maneira estranha, muitas vezes cheias de um obscuro simbolismo enigmático.
Seu caráter extremamente vago deixa-as abertas a interpretações mais amplas.
Esta é a principal acusação contra as predições de Nostradamus, vinda de
pessoas que supõem que um intérprete bastante hábil seria capaz de ler
qualquer coisa nelas. Por outro lado, Colin Wilam em The Occult chama a
atenção para o fato de que, considerando-se as Centúrias como um todo, a
grande quantidade de acertos diretos confirmados em suas predições à luz de
acontecimentos históricos posteriores é impressionante.
Nostradamus era
um francês de boa educação, versado nos caprichos da política de seu país e
bem situado na sociedade de seu tempo, não é de surpreender que entre as
mais obviamente significativas e exatas de suas previsões estejam visões de
fatos ocorridas posteriormente na história da França. Várias falam
diretamente sobre a Revolução – embora esta só tenha acontecido dois séculos
depois da morte de Nostradamus.
Duas quadras
costumam ser citadas freqüentemente como presságios da Revolução. Uma diz:
Os líderes da
cidade em revolta,
Em nome da
liberdade,
Trucidarão seus
habitantes sem distinguir idade ou sexo
E haverá gritos,
choros e tristes visões em Nantes.
Os estudiosos de
Nostradamus são quase unânimes em opinar que essa quadra é, com toda
probabilidade, uma previsão do sádico derramamento de sangue e dos
afogamentos que o louco Carrier ordenou em Nantes em 1793, sob os auspícios
do Comitê Revolucionário de Segurança Pública. Entre as vítimas de Carrier,
estavam mulheres e crianças de colo e, quando os pescoços dos bebês se
mostraram muito pequenos para a guilhotina e o instrumento se tornou por
demais lento para o massacre, Carrier mandou que os infelizes condenados
fossem colocados às centenas em barcos que então eram deliberadamente
afundados.
A Segunda
“quadra Revolucionária”, aceita em geral como a previsão das mortes de
Luís XV e Maria Antonieta é sinistra em seu detalhamento.
Pela noite virão
através da floresta de Reines
Duas pessoas
casadas, por indireta via; Herne, a pedra branca.
O monge negro em
cinza entraram em Varennes;
Eleito capeto,
causa tempestade, fogo, sangue e cortes.
Em junho de
1791, Luís XVI e Maria Antonieta tentaram fugir de Paris disfarçando-se –
ele com uma roupa cinza, ela de branco e escapando pelos apartamentos da
rainha. Chegaram até Chalon, antes de serem reconhecidos pelo chefe dos
correios da aldeia. Foram levados presos a Varennes, mantidos ali durante a
noite e devolvidos a Paris para serem decapitados. Luís XVI costuma ser
descrito como um homem de aparência monacal e foi o primeiro rei francês a
ser eleito pela Assembléia Constituinte em vez de valer-se da lei do Direito
Divino.
Nostradamus
escreveu três quadras que são atribuídas à profecia da ascensão de Hitler e
todo o derramamento de sangue que seu governo determinou. A mais citada
talvez seja esta:
Bestas famintas
enlouquecidas farão as correntes tremer;
A maior parte da
Terra estará sob Hister.
Numa gaiola de
ferro o grande será arrastado,
Quando o filho
da Alemanha observa o nada.
Embora pareçam
próximas da verdade, suas quadras de Hister estão sujeitas a controvérsias.
Muitas das
profecias de Nostradamus parecem referir-se a acontecimentos que ainda estão
por se realizar, em um tom perturbador. Uma, à qual se costuma atribuir a
previsão do “Fim do Mundo”, é assim:
Como o grande
rei de Angoulême,
no ano de 1999,
no sétimo mês,
e Grande Rei do
Terror irá descer do céu,
e, nessa época,
Marte reinará pela boa causa.
Enquanto
inúmeros estudiosos acreditam que o Grande Rei de Angoulême deve referir-se
a Genges Khan, pois Nostradamus aponta freqüentemente os mongóis como os de
Angoulême, as opiniões se dividem entre os que consideram que a quadra em
seu todo seja a previsão de uma grande guerra com bombas de hidrogêneo, a
tomada do mundo pelos orientais ou uma invasão de Marte. Até o momento,
ainda não presenciamos isso.
A maioria dos
pesquisadores de Nostradamus procuram demonstrar que suas profecias estão
relacionadas aos acontecimentos da Revolução Francesa ou à Segunda Guerra
Mundial ou ainda a um futuro distante. Daí, forçou o aparecimento de uma
nova e importante tradução (para o inglês) crítica das Centúrias,
questionando toda essa abordagem ao trabalho de Nostradamus.
Em seu The
Profhecies and Enigmas of Nostradamus, o historiador francês Liberté Le Vert
sugere que, na verdade, muitos dos acontecimentos a que se referem as
quadras das Centúrias sejam alusões a fatos que ocorreram durante o período
de vida do próprio Nostradamus: a retirada do Imperador Carlos V (em vez do
exílio de Napoleão em Elba), as rebeliões políticas na Bretanha do século
XVI (em vez dos graves acontecimentos que envolveram a posterior execução de
Carlos I na Bretanha) ou acontecimento ligados ao rio Danúbio (o Hister, a
que se atribuem as quadras de Hitler). Le Vert argumenta que sempre que
Nostradamus tentou profetizar acontecimentos mais distantes “ele
geralmente esteve equivocado.”
De acordo com a
notável estudiosa, senhora Franceyates, o novo trabalho de Le Vert prestou
uma grande colaboração à história e a Nostradamus, ao proporcionar pela
primeira vez um texto e uma tradução confiáveis das poesias de Nostradamus,
varrendo as desprezíveis interpretações que séculos de exploração de baixo
nível haviam deixado encobertas. Ela acredita que só Le Vert conseguiu
desvendar o verdadeira Nostradamus.
O sonho é a
linguagem, por excelência, do insconsciente.
Para Sigmund
Freud, a sua função é a da guardo do sono e de realização dos desejos.
Na concepção de
Carl Gustave Jung, o Sonho é a uma auto-representação, uma forma espontânea
e simbólica, da situação atual do inconsciente”, incluindo entre seus
fatores determinantes, a telepatia. (5)
Os sonhos são
mensagens criptomnésicos e telepáticas que, durante a vigília, não tinham
alcançado o nível da consciência.
É o sonho a
expressão típica da vida inconsciente. Nele não temos o relacionamento de
tempo e espaço, da vida psíquica vigílica. A sua manifestação é
freqüentemente simbólica e fortemente emocional, irracional, com relações
pré-lógicas e mágicas.
Morfeu faz
desaparecer todas as dimensões que se conhecem, substituindo-as por outras,
em que as coisas mais absurdas se tornam naturais e, dentro dos limites
dessas novas dimensões, as pessoas conseguem desdobrar-se, multiplicar-se e
encontrar-se a si próprias.
No sonho, os
mortos revivem e os vivos podem passar por uma morte efêmera. Pode-se voar,
entender os animais e as coisas e comunicar-se com eles, conseguindo até
efeito extraordinário, praticando crimes e atos estranhos ao cotidiano de
vida. O mesmo indivíduo, em estado de hipnose não o faria, se fosse
contrário à sua programação básica. Na hipnose, verifica-se uma ação,
enquanto que no sonho, ocorre uma representação simbólica.
Extremamente
significativo e alucinante é o sonho de um jovem autor teatral que se viu
sentado na platéia, assistindo à apresentação de uma peça. Ao mesmo tempo,
ele via-se no palco representando todos os papéis. De repente, levantou-se
olhando para trás, percebeu que o teatro estava repleto de centenas e
centenas de pessoas idênticas a ele.
Os pesquisadores
chegaram à conclusão de que, mesmo que não recordemos nossos sonhos,
produzimo-los várias vezes por noite, em média três ou quatro vezes. Mas é
muito pouco ou nada, o que se recorda ao acordar. Alguns, todavia,
lembram-se de todos os sonhos e sonham o que desejam. Alguns exercícios
podem ser úteis para a memória e controle dos sonhos.
Experiências com
sonhos começaram a ser realizadas. Na década de 50, Nathaniel Kleitman,
trabalhando no laboratório da Universidade de Chicago, conseguiu registrar
estranhos movimentos oculares que eram produzidos durante certa etapas. Seu
ajudante, William Demet, batizou este período de “Rapideye Moviments”,
abreviado como REM. Acrescentam-se a essas descobertas, experiências
vivenciadas por exploradores em contato com tribos chamadas primitivas que,
segundo foi observado, podem controlar seus sonhos conforme suas vontades.
São
características dos sonhos: o raciocínio integral não se manifesta com
facilidade; a faculdade crítica fica diminuída; muitas imagens não
correspondem ao real, podendo aparecer deformadas; dificuldade de o sonhador
lembrar-se das seqüências das imagens; dificilmente o enredo de um sonho é
continuação do sonho anterior; as excitações sensoriais podem agir na
produção da fantasias; as imagens dos sonhos podem refletir-se no mundo
real; as figuras são vistas com intensidade inferior à da vigília; as
lembranças das imagens não são tão fortes; as imagens são lógicas, vagas e
cambiantes; os sonhos não vivenciam cheiros ou sabores, já que as células
nervosas enviam estímulos apenas à visão e à audição.
As referências ao futuro e que perturbam nosso conceito
usual de tempo, ocorrem ao dormir, quando as barreiras entre consciência e
inconsciência são enfraquecidas. Na cultura da Índia, a ESP é mais aceita e
menos inibida, portanto, que na cultural Ocidental.
Na linguagem
descritiva dos percipientes, os sonhos são relatados como vívidos e
realistas; freqüentemente lembrados em seu encadeamento; podem não acontecer
certos detalhes; alguns aspectos considerados insignificantes aparecem
idênticos, quando a experiência ocorre; o sonhador pode ficar fortemente
impressionado, perdendo, às vezes, o sono pelo resto da noite; parecem uma
fotografia impressionante do fato, quando este vem a ocorrer (forma
pictórica, sem disfarces); fica gravado na mente do sonhador; a recorrência
que, em algumas pessoas força a credibilidade no sonho.
Se o ser humano
pode modificar o fato, retardá-lo ou antecipá-lo para seu bem, da família e
da comunidade. Ele é um ser livre, podendo programar o inconsciente para que
mova a realidade, segundo suas necessidades e interesses. (6)
Se o ser humano
é capaz de desenvolver a capacidade de precognição ou premonição é porque
ela deverá ter uma finalidade construtiva para o indivíduo e a espécie. O
consciente, a mente racional torna o ser humano livre e dono do seu destino.
Daí, o nível inconsciente trabalhar mais com probabilidades que com o
destino.
O fenômeno de
premonição é um anteprojeto programado a nível inconsciente, não ainda em
fase de execução, mas em estado potencial, podendo o agente psi reforçar a
programação, alterá-la parcialmente, invertê-lo.
Alguém sonha
várias vezes que perdeu a pedra do anel. Ao despertar, sente-se aliviado,
por constatar ser apenas um sonho. Tempos depois, perde a pedra do anel. A
dinâmica inconsciente avisara do anteprojeto da perda do anel. Não sabendo
ouvir ou interpretar a informação, perdeu a oportunidade de evitar a perda.
O agente psi
sonha e acontece; sente e acontece; vê e acontece. O processo inconsciente
pode programar a intuição, reforçar a previsão, alterar a previsão e
modificar as previsões negativas. Às vezes, o precógnito não pode fugir do
evento. (7)
Quando se
percebe algo que, para os outros pode ainda ser futuro, para quem o percebe,
já se fez presente. Daí, poder-se agir sobre ele, poder-se modificá-lo:
relatividade do tempo e adaptação do ser humano a ritmos temporais
diferentes.
O anúncio
precognitivo pode ser transmitido de várias maneiras, tais como intuições,
vozes, aparições, sendo os sonhos a sua mais freqüente manifestação, segundo
dados estatísticos do Society por Psaychical Resecarch (SPR). Em 1951, a
pesquisa estabeleceu um percentual de 68%. (8)
Há sonhos
premonitórios sobre mortes, acidentes, doenças, tragédias, prêmios em jogos,
incidentes triviais etc. Pode ser anunciado por pessoa viva ou por pessoa
morta. Freqüentemente o evento precognitivo é comunicado sob forma de
símbolos. Daí, tornar-se difícil a interpretação. Uma censura do ego pode
amenizar e disfarçar uma informação traumática, vinda do inconsciente. O
evento precognitivo pode referir-se a eventos próximos ou remotos. Pode
repetir-se, como ocorreu com o naufrágio do Titanic, em que O’Connor sonhou
duas vezes com o acidente.
Os sonhos
precognitivos mais freqüentes se referem a crises pessoais, seguindo-se de
parentes e amigos. Há, todavia, temas agradáveis, como a felicidade de
ganhar em jogos; a concretização de uma viagem desejada; melhoria de emprego
etc.
Quanto ao
intervalo de tempo entre precognição e eventos confirmatórios, as
experiências precognitivas não compreendem grandes extensões de tempo, como
décadas ou séculos (segundo se dá com a profecia tradicional. Muitas se
cumprem dentro de minutos, horas ou dias. O fato é que não se conhece nenhum
limite para essa forma de psi.
A verdadeira
precognição refere-se a acontecimentos surpreendentes, triviais ou trágicos,
que nenhuma inferência permitiria prever. Detalhes exatos e objetivos
eliminam o acaso ou diminuem a probabilidade de sua ocorrência. Registro por
escrito, com data, corroborado por testemunhas idôneas, ou relato oral a uma
ou várias pessoas, garante a autenticidade do precognição. Daí documentos e
testemunhas idôneas são importantes no reconhecimento do fenômeno
extra-sensorial espontâneo. (9)
Segundo Charles Richet, a
precognição é inesperada e imprevista para o próprio paragnóstico.
O parapsicólogo
holandês Willem Tenhaeff, primeiro professor titular de Parapsicologia numa
universidade, em seu livro Telepatia e Clarividência, chamou aos videntes do
futuro de proscopistas e à precognição, proscopia (memória do futuro).
Em suma, quanto
mais vaga e quanto mais geral é a predição, tanto mais probabilidade tem de
vir a ser cumprida. Outrossim, precognições confirmadas são extremamente
raras, esporádicas e excepcionais.
A precognição e
a livre-escolha coexistem naturalmente. Não há 100% de precisão na
adivinhação do futuro, pois se isso ocorresse, teríamos acentuadas
implicações em nossa filosofia de vida. Não haveria a liberdade de escolha e
mesmo que uma pessoa fosse informada que iria sofrer um desastre de trem,
por exemplo, ela não poderia evitá-lo. A precognição, nesse caso, perderia o
sentido.
Nos estudos de
precognição, até hoje, quer em casos espontâneos já registrados, quer em
qualquer dado escolhido em experiências de laboratório houve indício de
precisão. Ao contrário, é uma faculdade tão imprevisível que dá aos cépticos
boas razões para questionar a sua existência.
As noções de
tempo e espaço constituem uma criação da mente humana. São apriorísticas,
segundo o filósofo Immanuel Kant. Não são uma propriedade das coisas, nem se
originam de nossa observação do mundo exterior. Ao contrário, o mundo
exterior tem o tempo e o espaço como pré-requisitos. O fato de que as coisas
sejam simultâneas ou sucessivas já supõe o tempo como algo pré-existente,
assim como o espaço já está implicado na justaposição ou separação das
coisas. Não podemos eliminar o tempo e o espaço das coisas, porque todos os
objetos da nossa experiência existem sob o domínio dessas duas formas de
percepção. Mas nada indica que essas duas formas sejam necessárias para além
do mundo mental dos seres humanos.
Eterno Presente:
a existência total da Terra é um fenômeno espontâneo. O nosso “EU”
limitado vê como fenômeno sucessivo, enquanto o “EU” transcendental
pode sintonizar-se com a instantaneidade. Daí, os clarividentes verem, por
assim dizer, indiferentemente, o passado, o presente e o futuro.
Eterno Retorno:
hipótese lançado por Leon Perom e aceita por Nietsche e pelos estóicas.
Segundo os defensores dessa hipótese, as combinações do Universo, não sendo
ilimitados, teriam que se repetir um dia. Desse modo, o futuro não é mais do
que um passado que se vai repetir.
Sioncronismo de
Jung: a precognição seria uma coincidência significativa acausal entre um
conteúdo psíquico e um fato físico. Sua teoria não pode ser testada em
laboratório de parapsicologa, porque elimina a causalidade e favorece a
coincidência, o acaso significativo.
Hipótese do Dr.
Wasserman: o futuro já se encontra latente no presente como padrões
potenciais de todos os acontecimentos possíveis. Discorda de Bergson que diz
que o futuro está sendo criado em cada momento. Para ele, os padrões de
todos os acontecimentos possíveis se situam fora do tempo e nem todos sairão
de seu estado potencial, convertendo-se em fatos físicos.
Hipótese da
liberdade de escolha (da autora). Toma-se por base a interação entre os
elementos de um arranjo qualquer. A nível inconsciente, os fatos do mundo
físico são captados sob forma simbólica, reúnem-se livremente, tendo muitas
possibilidades para conduzir o futuro. Tudo indica que a liberdade de
escolha se verifica pelo processo de interação entre os dados na formação
dos arranjos psíquicos. É uma previsão, em que os fatores se encontram em
estado potencial, podendo caminhar para atualizar-se. O percipiente tem o
sonho precognitivo que se realizará ou não, tudo dependendo do seu curso não
ser interrompido por algum fator circunstancial. Caso o seja, o sonho
precognitivo, não acontecerá, resultando daí a sua imprecisão, que tanta
polêmica causa entre os cépticos. A liberdade de escolha anula o
determinismo, o que vem corroborar que, na precognição, nada existe
determinado, mas se trata de um futuro em formação, podendo concretizar-se
ou não, na realidade. Caso os arranjos psíquicos passem de potência a ato, o
fato previsto ocorre. Caso contrário, permanece, em estado latente.
PRECOGNIÇÃO E
EXPERIÊNCIA CIENTÍFICA
O Dr. Joseph
Bank Rhine comprovou, em 1933, a evidência da precogniação através da
experiência científica. Rhine não é apenas um pesquisador, é também um
pensador. E um pensador capaz de tratar os resultados de suas experiências,
não apenas de maneira matemática e lógica, mas também emocional. Em “The
Reach of the Mind”, sua primeira frase é socrática: “Vós e eu os
seres humanos, o que somos? E ele mesmo responde: “Ninguém o sabe”.
O professor Soal
que sempre teve de lutar muito para conseguir êxito no terreno das
pesquisas, havia concluída de maneira negativa o rigoroso exame de seus
experimentos com 160 sujeitos, em que obtivera 128.350 respostas sem que
pudesse ultrapassar a barreira do acaso. Carington adverte-o quanto aos
desvios e Soal resolve cuidar do problema, verificando que dois sensitivos,
Mrs. Stewart e Mr. Shackleton, eram precognitivos. Shackleton colocou-se à
disposição de Soal e as experiências se realizaram durante a guerra de 39 –
45. Destaque-se que o sensitivo não era apenas precognitivo, mas também
retrocognitivo. Nos desvios examinados por Soal, ele havia adivinhado ora a
carta anterior ora a posterior, não acertando nunca no alvo. Era um
sensitivo deslocado no tempo e, por isso mesmo, mais valioso.
As experiências
de Soal não eram feitas com as cartas Zener, mas com as suas próprias,
constando de uma série zoológica: E-Elefante; G-Girafa; P-Pelicano; Z-Zebra
e L-Leão. Havia-se cansado de lidar com as figuras geométricas e criou
cartas coloridas, pois Soal se enfartara das figuras negras e geométricas de
Zener, atirando no mar os seus maços. Elas reagem à frieza geométrica e à
severidade da cor negra.
Mais tarde, Soal
conseguiu realizar algumas experiências com Mrs. Stewart, sendo bem
sucedido. Depois da guerra, ela realizou novas experiências com Soal, quando
se verificou que a sensitiva havia perdido o dom da premonição. Não
adivinhava mais a carta seguinte, mas a chamada carta O, que corresponde ao
presente, a carta objetivo. Com essas experiências, Soal doutorou-se pela
Universidade de Londres.
Um caso típico
de precognição é o de Wathely Carington. Ele abria um dicionário, tomava a
primeira palavra utilizável para o caso, fazia um desenho e o afixava em seu
gabinete. O sensitivo captava a distância, não aquele desenho, mas o que
seria feito no dia seguinte. Entretanto, nem o próprio Carington sabia qual
iria ser esse novo desenho que dependeria da palavra a ser-lhe novamente
oferecida pelo dicionário.
Carington
explica essa ocorrência através da hipótese do associacionismo paranormal.
Havia um sistema de relações inconscientes que permitiu o processo de
precognição telepática, como uma forma de comunhão mental.
PREGNOSE NA
ANTIGUIDADE
Sócrates
dizia-se acompanhado de um intermediário entre Deus e o homem: “Oráculo
familiar dentro de mim” ou voz interior, a que cientificamente chamamos
telepatia, clarividência, precognição. Freqüentemente, em público, ele
parava, ouvia e obedecia à voz ou transmitia seus avisos. Certa vez, o
oráculo interno instou para que Sócrates avisasse o jovem Cármides de que
não deveria participar de certa competição esportiva. Cárides despregou a
advertência e acabou ferido.
Em outra
ocasião, Sócrates e Timarco bebiam juntos, antes de este partir para
executar plano assassino, o “oráculo” dentro de Sócrates avisou
Timarco de que não deveria ir, mas não mereceu atenção: Timarco foi morto.
Em Roma, o sonho
de Calpúnia, na noite que antecedeu ao assassinato de César, é um exemplo de
experiência premonitória espontânea na Antigüidade, Calfúnia viu a estátua
de se marido jorrando sangue, um sonho precognitivo de significado tão óbvio
que nenhuma interpretação exigia.
Predições
astrológicas não são pregnoses, pois têm por base as coordenadas do lugar e
hora exata de nascimento, conhecimento de signos, casas de horóscopo e
outros cálculos. A verdadeira precognição, porém, não é calculada, não é
discursiva, não é inferencial. Acontece imprevistamente.
Antigas técnicas
de pregnose ainda sobrevivem. Os gregos usavam o sufixo mantéia para derivar
o dom do adivinho. Entre outras, destacam-se:
1.
Quiromancia: adivinhação pelas linhas das mãos.
2.
Cartomancia: vaticínio pela disposição de cartas em jogos de baralhos.
3.
Cristalomancia: vaticínio pela leitura da bola de cristal (também
substituída por copo d’água).
4.
Numerologia: vaticínio pelo significado oculto dos números e suas influência
no caráter e no destino dos indivíduos.
5.
Oniromancia: vaticínio pela interpretação dos sonhos.
6.
Radiestesia: vaticínio, usando-se forquilha ou varetas de mental,
localizando fontes de água mineral, poços etc.
O homem arcaico
recorreu a tudo que se possa conceber para atingir o conhecimento do futuro:
fenômenos da natureza, eventos sociais, objetos, pedras, plantas e animais.
Ao indivíduo
céptico, alguns desses recursos ou todos eles, parecem ingênuos, cômicos,
superstições absurdas. Contudo, encarados como focos de concentração da
mente, como norma de aquietar o cérebro em ondas alfa, trazem à tona da
consciência processos subliminares.
A precognição
tem sua incidência maior através do sonho, sendo este a linguagem simbólica
do inconsciente.
Carl Gustavo
Jung demonstrou a importância da mente inconsciente de cada indivíduo (como
Sigmund Freud), cujos impulsos sombrios moldam a conduta, mas só acessíveis
por meio das saídas criativas, como sonhos, fantasias ou obras de arte e,
assim mesmo, em termos simbólicos. A análise que fez de seus próprios
sonhos, levou-o a afirmar a existência de outro tipo mais amplo de
inconsciente, a que denominou de inconsciente coletivo Para Jung, o
inconsciente coletivo pertence a toda a humanidade, sendo expresso em
arquétipos ou símbolos primitivos, mitos ou histórias folclóricas com temas
e formas comuns, encontrados em todas as culturas, em qualquer época. Essas
imagens e história não foram concebidas por experiência individual, mas
constituem herança comum de toda a humanidade.
Às vezes, Jung
conferia ao inconsciente coletivo um poder paranormal de previsão dos
acontecimentos. Acreditava, por exemplo, que uma série de sonhos que teve no
final de 1913, cheios de imagens de corpos esfolados, mergulhados em mares
de sangue, fora um presságio do conflito que irrompeu na Europa em 1914 – A
Primeira Guerra Mundial.
A definição da
mente, em suas interpretações atingiu uma compreensão nova que transcendia o
escopo da discussão entre materialistas e dualistas.
E o que dizer
dos cépticos e crentes na fenomenologia psi?
Rhine acentua o
aspecto contraditório do nosso tempo: enquanto nas Faculdades de Teologia
preparam-se jovens pregadores instruídos em velhos princípios de fé, nas
Faculdades de Medicina, a poucos metros de distância das primeiras,
formam-se jovens médicos instruídos nos princípios das descrença. E ambos, o
sacerdote e o médico vão operar no meio social, muitas vezes encontrando-se
aos pés do mesmo leito, cada um com sua verdade particular, oposta e
irredutível à verdade do outro. O mesmo enfermo, todavia, aceita e ajusta as
duas verdades, diante dos dois perigos que enfrenta: o da morte e da
sobrevivência.
E afirmou,
ainda: as experiências de ESP e PK demonstram que a mente está livre das
leis físicas. E acrescentava: “Estas investigações oferecem a única
comprovação indiscutível que pode contribuir para a solução do problema da
liberdade moral”.
Charles Richet
propôs no Traité de Metapsychique a teoria do condicionamento da percepção
extra-sensorial à crença. Soal comprovou em experiências de voz direta,
realizadas em Cambridge, a importância desse possível condicionamento. O
sensitivo católico, ao perceber uma visão extrafísica luminosa, empresta-lhe
as características do santo de sua devoção ou o sensitivo espírita que lhe
dá a forma de um espírito de pessoa sua conhecida estão condicionados pela
crença.
A precognição
oferece dois problemas ainda não solucionados: a) a inacongruência no tempo,
efeito antes da causa: o homem conhece um fato que ainda não aconteceu, logo
o efeito acontece antes da causa; b) o conflito entre determinismo e
livre-arbítrio: o homem é livre, podendo interferir para evitar uma pregnose
indesejável, como se explica a pregnose que se confirma contra a vontade e o
esforço do homem.
Formou-se um
paradoxo: ou é valida e acontecerá de todo jeito; ou é inválida, não havendo
necessidade de interferir, nem de fugir ao destino e liberdade.
A pregnose não é
conhecimento absoluto do futuro, mas de futuros optativos, ainda em
formação. As situações prováveis permitem que, um futuro condicional seja
predito, mas podendo haver lugar para a intervenção para que se altere o
indesejável, sem haver contradição lógica.
Atualmente os
psicólogos concordam que todos os sonhos são simbólicos, não proféticos e
que representam pessoas, lugares e coisas significativas para os problemas e
conflitos emocionais da vida real. Concordam também que as imagens criadas
nos sonhos, sendo um produto da própria mente do indivíduo, assumem uma
forma condicionada, não só pelo seu passado como também pela sua
personalidade. Entretanto dessa e de inúmeras outras teorias, ainda não são
desconhecidos todos os motivos que nos levam a dormir e a sonhar. Os sonhos
continuam a ser um mistério para quem os estuda e os pesquisas.
Todavia,
profecia, precognição, premonição ou presciência constituem uma evidência,
percorrendo o tempo desde a Antigüidade até os nossos dias, mesmo que ainda
não saibamos os mecanismos e leis que regem esse fenômeno para a elaboração
de uma teoria geral da fenomenologia psi.
1)
Entre os
escritos proféticos, há páginas consideras obras-primas da literatura
universal, como os capítulos 52 e 53 de Isaías, 36 e 37 de Ezequiel.
Apresentavam-se como defensores do povo e freqüentemente se opunham às
classes dominantes, criticando a prepotência e exploração dos sacerdotes
(Ez. XXXIV). O seu tema central pode ser considerado o da aliança entre Deus
e Isrrael, que propunham restaurar pela purificação espiritual. Os profetas,
dada a íntima ligação entre religião e estrutura social no judaísmo
teocrático, foram igualmente reformadores sociais. O Messias que anunciavam,
evoluiu em sua figura de guerreira e rei vencedor temporal para a imagem de
um salvador espiritual que vem revelar o verdadeiro culto e que consiste em
fazer a vontade de Deus. Foram ainda os defensores intransigentes do
monoteísmo, lutando contra os chamados profetas de Baal, deus pagão. Os
cristãos admitem que os profetas foram inspirados pelo Espírito Santo
(Concílio de Nicéia) e isso se fundamenta nas epístolas de São Paulo e nos
próprios Evangelhos, que procuram justificar os atos de Jesus com citações
deles. Essa tendência levou alguns grupos cristãos a confundir misticismo e
profetismo: anabatistas, quapers. São Paulo (I. Cor. XIV) procurou
disciplinar os abusos que podiam surgir do dom da profecia nas comunidades
primitivas.
2)
Para o
livro do Gênesis, o sonho era profético. Todavia, para surpresa dos
estudiosos contemporâneos, os irmãos de José interpretaram seus sonhos de
acordo com a psicologia moderna: viram nele um jovem ambicioso que se
deixava levar por fantasias de poder, pretendendo que seus irmãos o
reconhecessem como chefe.
3)
Na
tradição grega, o Oráculo de Delfos foi o mais famoso local da profecia,
situado na base do monte Parnaso, no lugar que Zeus havia indicado ser o
centro da Terra, esse oráculo dominou a vida política e religiosa da Grécia,
desde os tempos dos povos minoanos até o advento da cristandade.
Poucos
gregos daquela época tomariam qualquer decisão importante sem antes fazer
uma peregrinação a Delfos, em busca da orientação do Oráculo.
Os
oráculos eram dados por uma jovem sacerdotisa – Pítia – em estado de transe,
graças à indução de alguns vapores que saíam de uma fenda na rocha, sobre a
qual ela se sentava. Outros dizem tratar-se de auto-sugestão. De acordo com
os dados modernos sobre percepções precognitivas, evidencia-se o fato de que
as visões em Delfos ocorriam num estado alterado de consciência. Durante o
estado de transe de Pítia, Apolo, o Deus da Verdade, concedia-lhe uma visão
do futuro do peregrino.
Tudo leva
a crer que muitas das “profecias” fossem, verdadeiramente, pequenos
conselhos oferecidos por sacerdotes que, muitas vezes, atuavam como
intermediários na interpretação das mensagens da sacerdotisa.
4)
Nostradamus nasceu em Saint Rémy, em 1503 e faleceu em 1566. Estudou
filosofia em Avignon e Medicina em Montpellier, graduando em 1529. Fez
fortuna como médico, exercendo a profissão com rara magnanimidade e coragem,
especialmente por ocasião de epidemias. Conquistou desde cedo uma grande
reputação, graças a seus brilhantes trabalhos médicos durante a eclosão da
praga no sul da França. O êxito no tratamento da praga deveu-se amplamente à
sua insistência sobre a importância do ar fresco e do desinfetante no
combate à doença, embora nenhum dos dois (e nem mesmo a existência dos
germes) tenha sido reconhecido de maneira generalizada até o século XIX.
Eficaz em
suas medidas higiênicas contra várias epidemias, foi invejado e atacado por
seus rivais de profissão diante do êxito popular, retirando-se à vida
solitária de estudo, a fórmulas farmacêuticas. Publica-as, atribuindo-lhes
propriedades ocultas. Foi médico de Carlos IX e alcançou grande aceitação na
corte.
Dedicando-se à astrologia, fez prognósticos que foram apreciados no seu
tempo, sendo admirado e protegido por Catarina de Médicis. Compilou
almanaques com anúncios meteorológicos certos (série que começou no ano de
1550).
Parece
que algumas de suas profecias vieram a confirmar-se e sua fama atingiu tal
elevação que passou a ser requisitado por reis e príncipes europeus. O
significado das adivinhações, todavia, sempre foi motivo de controvérsia, em
razão de que algumas delas prediziam acontecimentos de um futuro muito
distante. É célebre sua profecia dos afogamentos de suspeitos em Nantes,
levado a efeito, em 1793, pelo Comitê de Segurança Pública, e que se acha na
33ª quadra do V “Século”, Les Prophéties, muito imitadas na França e
Itália e que na Espanha (já no século XVIII, influenciaram, de algum modo,
Torres Villarroel.
Mesmo em
nossos dias, diversos autores tem-se aplicado seriamente em interpretar os
tenebrosos oráculos do profeta. Em 1781, as predições de Nostradamus, foram
condenadas pela Congregação do Índex.
Havendo
sido um homem generoso e realmente doutor é, nos dias de hoje, difícil
discernir entre o charlatanismo deliberado de sua parte e o fanatismo de
seus numerosos admiradores.
5)
Carl
Gustave Jung, dento do campo psíquico, destaca-se como um dos principais
investigadores da vida mental. Rompeu com Sigmund Freud por este não dar uma
explicação completa da mente. As apreensões da mente humana, segundo Freud,
teriam a sua causa na repressão dos instintos sexuais Jung foi mais adiante,
entendendo a mente como não-localizada na psique. E muitas de suas idéias
foram fruto de suas experiências pessoais, particularmente de seus sonhos. “Dia após dia vivemos bem além dos limites da nossa consciência”. “Sem
sabermos, a vida do inconsciente também se desdobra de nós...
comunicando-nos coisas... fenômenos sincronisticas, premonições e sonhos”. Para ele, o homem possui uma herança psíquica definida como também
física. São expressões necessárias à vida que se manifestam
tanto psíquica como fisicamente. São “disposições universais da mente”,
correspondendo a categorias da imaginação e não da razão. Jung chamou-as de
arquétipos. Estes se traduzem em família em sonhos, mitos, fantasias
espontâneas e visões. Ao conjunto dessas formas universais em pleno
dinamismo, Jung chamou de inconsciente coletivo.
6)
Sonho em
que a pessoa conseguiu escapar. É o caso de um homem que planejava viajar de
trem um certo dia. Na noite que antecedeu a viagem, ele teve um sonho em que
via seu trem sofrendo um acidente e via a si mesmo gravemente ferido. O
sonho fez com que ele mudasse os seus planos de viagem e não se feriu. Mais
tarde, leu no jornal que o trem em que pretendia viajar havia, realmente,
sofrido acidente. Esse caso ilustra um dos principais paradoxos que se
levantam nas imprecisões da precognização imaginária.
7)
Sonho
precognitivo em que o protagonista não pode fugir do evento.
Um
ferreiro, trabalhando em uma fábrica, deixou-se apanhar por uma roda
hidráulica. Sabia ele, que a roda hidráulica necessitava de reparo e uma
noite, sonhou que, ao se encerrarem as atividades do dia seguinte, o gerente
o deteve para fazer o conserto e que seu pé escorregou e se prendeu na
engrenagem, sendo gravemente ferido e mais tarde, amputado. Pela manhã
contou o sonho a sua mulher e resolveu que estaria ausente, quando fosse
procurado para consertar a roda. Durante o dia, anunciou o gerente que a
roda entraria em reparo, logo após a saída dos operários, à tarde.
O
ferreiro, entretanto, resolveu afastar-se antes da hora. Foi para um bosque
situado na vizinhança e ali tencionava esconder-se. Ao chegar a um local
onde havia certa quantidade de madeira pertencente à fábrica, surpreendeu um
sujeito que furtava algumas peças de pilhas. Partiu ao seu encalço, com o
intuito de apanhá-lo, mas ficou de tal maneira excitado que chegou a
esquecer-se inteiramente da resolução anterior. E, sem que se desse conta
disso, regressou à fábrica justamente na hora em que os trabalhadores se
retiravam. Não poderia esquivar-se à recomendação recebida. E, sendo o
ferreiro mais categorizado da fábrica, cabia-lhe o trabalho na roda.
Decidiu, enfim, que o faria com especial cuidado. Apesar de todas as
precauções, seu pé escorregou e foi apanhado pela engrenagem, tal como no
sonho, com tanta infelicidade que ficou esmagado, obrigando-o a ser
conduzido para a enfermaria de Bradford, onde a perna foi amputada acima do
joelho. Dessa forma, cumpriu-se, integralmente, o sonho profético.
8)
Sonho
Precognitivo de Morte da Própria Pessoa
(ocorrência
rara) – É o caso do sonho do Presidente dos Estados Unidos Abraham Lincoln
que assim o descreve:
“Parecia
haver um silêncio mortal à minha volta... e então ouvi soluções contidos,
como se muitas pessoas estivessem chorando. Achei que tinha saído, de minha
cama e estava andando no andar térreo. Ali o silêncio era rompido pelos
mesmos soluços contidos, mas as pessoas enlutadas não podiam ser vistas. Fui
a todos os cômodos; não havia ninguém dentro de nenhum deles, mas o mesmo
som lastimoso de aflição chegava até mim, enquanto eu ia passando... Fiquei
intringado e alarmado. O que poderia significar tudo isso? Cheguei à Sala
Leste, onde entrei. A surpresa pelo que havia ali, me fez passar mal. Diante
de mim estava o catafalco sobre o qual repousava um corpo envolto em roupas
de funeral. Ao redor, havia soldados portados em guarda; um grande número de
pessoas encontrava-se na sala, algumas olhavam enlutadas para o corpo, cujo
rosto estava coberto, outras choravam penalizadas. Perguntei: ‘Quem
morreu na Casa Branca?’ ‘O presidente... ele foi assassinado...’
Essas, foram as
palavras de Abraham Lincoln a seu biógrafo Ward Will Lamar, em março de
1865. Disse o Presidente: ‘Não consegui mais dormir naquela noite e,
desde então, fiquei estranhamente incomodado’. Algumas semanas mais
tarde, o Presidente foi assassinado por John Booth.
É importante
destacar que, nos momentos que precederam à morte do Presidente Lincoln, o
seu cachorro teria começado a correr por dentro da Casa Branca ‘como que
em delírio e uivando continuamente de modo fúnebre’.”
9) Sonho
Precognitivo de Acidente com a Comunidade (ocorre a recorrência). O
Titanic, um navio de declarada insubmergibilidade (departamento estranque),
naufragou, tragicamente, na noite de 14 para 15 de abril de 1912, matando
1502 pessoas. O Sr. J. O’Connor tinha reserva de passagem para si e para a
família nesta viagem. Mas, uns dez dias antes da data destinada à saída do
navio, O’Connor sonhou que via o navio com a quilha ao ar e a bagagem e os
passageiros flutuando ao redor”.
O’Connor para
não assustar seus familiares e amigos, não contou nada. O sonho se repetiu
na noite seguinte. Ainda assim, ocultou-o. Tendo então, recebido notícias da
América que se poderia retardar sua viagem, decidiu prestar ouvido ao sonho
e mandou cancelar sua reserva no “Titanic”. Pôde, então, contar o
sonho a seus amigos, como explicação do motivo de não viajar. Não queria
correr riscos, uma vez que a viagem não era urgente.
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