CONSCIÊNCIA E NÃO- LOCALIDADE
Carlos Alberto Tinoco
SUMÁRIO
Este artigo trata da questão da "não-localidade" em mecânica quântica e sua extensão à noção de consciência. Em seguida, define um modo de como investigar experimentalmente as propriedades não locais da consciência, replicando experimento já realizado no México por Jacobo Gringerg-Zylberbaum sobre o mesmo tema.
1- INTRODUÇÃO
Na década de 30, os físicos A . Einstein, B. Poldosky e N. Rosen (1) publicaram um artigo na Physical Review que ficou conhecido como "Paradoxo EPR" (Einstein-Poldosky-Rosen). O trabalho tinha por objetivo demonstrar o caráter incompleto da mecânica quântica, reforçando o ponto de vista do realismo materialista. Com o tempo, ficou provado que Einstein e colaboradores estavam errados e a mecânica quântica estava correta.
O problema do Paradoxo EPR pode ser descrito resumidamente, do seguinte modo. Um fóton, sob determinadas condições, pode se transformar num par de partículas, um elétron e um pósitron, com spins invertidos (up-down). A soma dos spins será sempre nula e eles sempre estariam invertidos. Seria como se o elétron girasse num sentido e o pósitron no sentido contrário. O spin seria como uma seta que apontaria, por exemplo, para cima no elétron e para baixo, no pósitron. Esta condição dos spins invertidos, paralelos e de sentidos opostos, seria uma condição constante, qualquer que fosse o sentido de um deles. Quando isto ocorre, se diz que o par de partículas forma um "singleto" ou "singlet".
Suponha-se agora que o par elétron-pósitron esteja caminhando de modo que a distância entre as duas partículas esteja crescendo. Quando a distância entre eles estivesse considerável, suponha-se que um equipamento pudesse alterar o sentido do spin do elétron. Para manter a condição up-down ou de spins invertidos e paralelos, o spin do elétron teria que sofrer uma rotação de modo a que ambos continuassem invertidos e de sentidos opostos.
Como a soma dos spins do elétron e do pósitron, antes e após a alteração, são iguais, podemos escrever:
Si S Sf = 0S=
Ou seja, a soma dos spins iniciais (Si), deve ser igual a soma dos spins finais (Sf).
O tempo que levará o pósitron para "perceber" que o spin do elétron foi alterado e que, portanto, o seu spin também deverá ser mudado de modo a manter a condição up-down, seria um tempo finito, pois, nenhum "sinal" entre o elétron e o pósitron deve caminhar com velocidade maior que a da luz. Isto, de acordo com a teoria da relatividade. Entretanto, o que se verificou experimentalmente foi uma mudança na direção do spin do pósitron, no mesmo instante em que o do elétron sofreu alteração, de acordo com previsões da mecânica quântica. Essa "instantaneidade" na mudança de direção dos spins foi experimentalmente verificada em 1982 por Alain Aspect e colaboradores, usando não um par elétron-pósitron, mas um par de fótons (2). Isto significa que a interação entre os spins do par de fótons ocorreu de forma instantânea, conforme estabelecido pela mecânica quântica. Einstein, Poldosky e Rosen acreditavam que a mudanca dos spins, não seria instantânea. Portanto, as previsões deles estavam erradas e estava correta a mecânica quântica.
Denomina-se "localidade" à idéia segundo a qual todas as interações ou comunicações entre objetos ocorrem através de campos ou sinais que se propagam no espaço-tempo, com velocidade igual ou inferior à da luz. Em mecânica quântica, denomina-se "não-localidade" à concepção segundo a qual pode haver entre objetos, comunicações com velocidades maiores que a da luz ou de forma instantânea, através do espaço-tempo. Seria uma totalidade intacta ou não separabilidade entre objetos que transcende o espaço-tempo. Goswami chama isso de "domínio transcendental" (3)
Pelo exposto, a interação entre o par elétron-pósitron no exemplo acima seria um exemplo de não-localidade. A troca de spins entre os fótons do experimento de Aspect, foi uma demonstração da não-localidade quântica.
2. CONSCIÊNCIA COMO FENÔMENO NÃO-LOCAL
Um experimento realizado pelo neurofisiologista mexicano Jacobo Grinberg-Zylberbaum (4) e colaboradores indica claramente que a noção de não localidade quântica pode ser estendida à consciência. O trabalho foi realizado no Instituto Nacional para el Estudio de la Concienci. Foi Wolf (5) quem primeiro postulou a noção de não localidade para a consciência. Vale salientar que várias experiências em Parapsicologia também apontam no mesmo sentido.
O experimento de Grinberg-Zylberbaum poderia ser replicado do modo descrito a seguir.
Dois sujeitos A e B que tenham história de telepatia espontânea e interação emocional, seriam instruidos a interagir durante um período de 30 a 40 minutos, até começarem a perceber a existência de uma "comunicação" entre eles, quando seriam envolvidos por uma blindagem de Faraday (espaço fechado e metálico que bloqueia os sinais eletromagnéticos). A e B seriam mantidos em compartimentos separados, sem possibilidade de comunicação sensorial entre ambos. Sem que nenhum deles soubesse, seria mostrado um sinal luminoso piscante a um deles. A escolha sobre a quem seria mostrado o sinal piscante, seria aleatória. Ao ser acendido o sinal luminoso em A ou B, isto provocará um potencial evocado no cérebro que recebeu o sinal luminoso piscante. O potencial evocado é uma resposta eletroencefalográfica produzida por estímulos sensoriais, capaz de ser medida pelo traçado eletroencefalográfico (EEG). Enquanto A e B mantivessem a "comunicação telepática", o cérebro não estimulado deverá registrar também um traçado EEG denominado potencial de transferência, algo que se assemelharia bastante à forma e à força do potencial evocado do cérebro estimulado.O aparecimento dos potenciais, evocado e de transferência, em A e em B, respectivamente, deverão ser observados de forma simultânea. O experimento de Gringerg-Zylberbaum que ocorreu do modo aqui descrito, seria uma evidência da não-localidade da consciência, uma vez que os cérebros-mentes de A e B seriam um sistema interligado não-localmente.
3. SOBRE A REALIZAÇÃO DA EXPERIÊNCIA DESCRITA ACIMA
Deve ser assinalado que alguns cuidados devem ser tomados, tais como, nem A nem B devem trocar informações sensoriais durante o experimento e nem ter comunicado qualquer experiência consciente associada ao surgimento do potencial de transferência. Deve ser garantido que o princípio da causalidade não seja violado.
Dois sujeitos C e D serão mantidos como referências na pesquisa e colocados em salas também separadas. Deles serão tomados traçados EEG, monitorados pelos pesquisadores. C e D, não estão em sintonia telepática.
Localizados numa outra sala, os experimentadores ou controladores receberão os traçados de A, B, C, e D e comandarão o acionamento da luz piscante para A ou B. Nenhum dos participantes deve saber qual dos dois sujeitos A e B deve ser estimulado pela luz piscante, cujo disparo será aleatório.
Ao final da experiência, os quatro traçados EEG serão comparados. Atenção especial deve ser dada aos traçados EEG de A e de B, uma vez que estiveram em sintonia telepática, sobretudo no instante em que a luz piscante for acionada.
Deve-se seguir o seguinte cronograma de atividades ou etapas:
1-acomodação dos sujeitos A, B, C e D nas suas respectivas salas, deitados em macas ou em cadeiras reclinadas;
2-instalação dos eletroencefalógrafos em cada um dos sujeitos e ligação dos fones de ouvido em todos eles;
3-durante os primeiros trinta minutos, deve haver um relaxamento induzido em A, B, C e D, comandado da sala dos operadores;
4-após o relaxamento, um "ruído branco" deve ser ouvido por A, B, C e D, acionado pelos experimentadores (sala E-ver figura anexa), durante doze minutos;
5-logo que seja acionado o ruído branco, os quatro eletroencefalógrafos devem ser ligados da sala E;
6-os quatro traçados EEG devem ser acompanhados desde o início em que foram ligados;
7-após transcorrido dez minutos de acionamento do ruído branco, uma das luzes piscantes instaladas próximo às faces de A e de B deve ser acionada aleatoriamente;
8-um estudo comparativo dos quatro traçados EEG deve ser feito, desde o início, até após o ruído branco cessar, atentando-se principalmente para os de A e B. É provável que os potenciais, evocado e de transferência apareçam simultaneamente nos traçados EEG de A e de B, no mesmo instante em que a luz piscante for ligada.
4-RECURSOS DO PROJETO
Para a concretização do projeto aqui esboçado, serão necessários os seguintes recursos, materiais e humanos:
4.1. Recursos Materiais
O material a ser usado na pesquisa é o seguinte:
MATERIAL QUANT. V.UNITÁRIO VALOR TOTAL
1-Salas dispostas de acordo com
desenho anexo 05
2-Eletroencefalógrafos de 12 canais 04
3-Instalações elétricas para toma-
das simultâneas de 4 traçados ele-
troencefalograficos (colocados em
A, B, C e D)
4-Dispositivo para acionar luz
piscante em A ou B
5-Macas de pacientes 04
6-Escadas de ferro para macas 04
7-Travesseiros baixos 04
8-Cobertas de lã 04
9-Mesa de trabalho (2,2 x 0,70) 01
10-Cadeira estofada com braço 02
11Papel borrão (bloco) 04
12-Canetas esferográficas 10
13-Lápis HB 10
14-Borracha de grafite 06
15-Microcomputador Pentium III
300 MH,64 MB Ram c/ impres-
sora, monitor, teclado 01
16-Gaiolas de faraday 2,0x1,2x1,8 02
17-Mesa pequena de distribuição de
som (comandada da sala E) com
respectivas instalações para contro-
le de som em A, B,C e D
18-Microfones de ouvido 04
19-Gravador de som p/ fita K-7 02
20-Fita de relaxamento induzido
c/ duração de 30 minutos(K-7) 04
21-Fita K-7 com gravação de ruído
branco 04
TOTAL......................................................................................
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4.2.Recursos Humanos
As pessoas envolvidas no presente projeto são as seguintes:
FUNÇÃO QUANTIDADE PAGAMENTO (US$)
1-Coordenador Geral 01 800,00
2-Sujeito A (que tenha interação telepática com B) 01 300,00
3-Sujeito B (idem com A) 01 300,00
4-Sujeito controle (C e D) 02 200,00
5-Operador de eletroencefalógrafo 04 500,00
6-Especialista em EEG e em potenciais evocados 01 700,00
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------- TOTAL 10 3.000,00
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Todos os integrantes do projeto serão pagos após a conclusão do mesmo, ou seja, após a conclusão do relatório final.
5.CRONOGRAMA DE REALIZAÇÃO DO PROJETO
O projeto seguirá o seguinte cronograma de realização:
1-Seminário com os participantes 10 dias
2-Simulação da experiência (2 simulações) 2 dias
3-Realização da experiência 1 dia
TOTAL 13 dias
6. CONCLUSÃO
Ao
final da experiência será elaborado um Relatório Final da Pesquisa, contendo
descrição detalhada do experimento e parecer técnico sobre a entre A e B.
7. NOTAS DE REFERÊNCIAS
1-EINSTEIN,A, PODOLSKY,B., ROSEN, N. Can quantum mechanical description
of physical reality be considered complete ? Physical Reviw 47:777-80; 1935;
2-ASPEC,ª; DALIBARD,J.; ROGER, G. Experimental test of Bell`s inequalities using time-varying analyzers. Physical Reviw Letters 49: 1804,1982
3-GOSWAMI, Amit. O universo autoconsciente. Rio de Janeiro, Ed. Rosa dos Tempos,1999, pg. 322;
4-GRINBERG-ZYLBERBAUM,J; DELAFLOR,M; ATTIE,L;GOSWAMI,ª The EPR paradox in the human brain; (inédito); In:GOSWAMI ,ª In: O universo auto consciente, RJ, rosa dos Ventos, 1998, pg. 337;
-GRINBERG- ZYLBERBAUM, J. Cration experience. México, Instituto Nacional para
el Estudio de la Concienci, 1988;
-GRINBERG-ZYLBERBAUM, J., RAMOS,J. Patterns of interhemispheric correlation during human comunication. Internacional Journal of Neuroscience 36:41-54,1987.
5-WOLF,Fred Alan. Taking the quantum leap. San Francisco, Harper and Row, 1981;