EQM – UMA QUESTÃO POLÊMICA
Valter da Rosa Borges
Podemos
denominar de consciência extracorpórea a percepção que uma pessoa tem
do que ocorre no mundo exterior a partir de um referencial que não é o
seu corpo. Ou seja: ele se percebe como se estivesse “fora” do corpo e
a sua percepção é verídica.
Essa
“experiência fora-do-corpo” ou EFC, ocorre, na quase totalidade dos
casos, de maneira espontânea e pelas mais diversas causas, embora haja
pessoas que afirmam obtê-la voluntariamente, mediante a utilização de
certas técnicas.
Quando a EFC ocorre em situações
nas quais uma pessoa é considerada clinicamente morta, ela passa a se
denominar de “experiência de quase morte” ou EQM. Em conseqüência, a
EQM não é indício de sobrevivência
post-mortem, porque se
houvesse realmente morte estaríamos perante um caso de ressurreição.
No entanto, todos os que passaram por essa experiência têm a certeza
absoluta de que estiveram no mundo espiritual e que a morte não
existe.
A EQM só é uma experiência psi na
sua fase inicial, enquanto a pessoa se vê fora do corpo e percebe o
que ocorre ao seu redor. A partir da sua entrada no “túnel”, ela passa
a ser uma experiência que pode ser psicológica ou transcendental.
Embora Raymond Jr. tenha elaborado um padrão geral
para as EQMs nenhuma delas é igual.
Diferentemente das EFCs, que
podem ser voluntárias, as EQMs sempre são involuntárias.
A EQM é uma experiência única.
No entanto, há exceções: Helen Wambach “morreu” duas vezes e, na
terceira, não voltou. P.M.H. Atwater já "morreu" três vezes e continua
viva.
Segundo uma pesquisa feita, nos
Estados Unidos, pela Gallup, de 1980 a 1981, vinte e dois milhões de
norte-americanos passaram por uma EQM, significando que uma pessoa em
cada onze relataram essa experiência.
Atwater informa que 1/3 dos adultos que “morrem” passam por uma EQM. E que em crianças esse número é mais de 75%, conforme as pesquisas de Melvin Morse e Kimberly Clark Sharp, em Seattle, Washington. Por que essa experiência ocorre mais com crianças?
Melvin Morse constatou que mais
de 25% de adultos que, quando crianças, sobreviveram a uma EQM,
afirmam não poder usar relógios, porque eles não funcionam. Ele está
convencido que a EQM “modifica as forças eletromagnéticas que cercam
os nossos corpos e cada uma de suas células” e que este campo
eletromagnético sutil e poderoso fica permanentemente alterado pela
experiência de quase-morte”.
É importante ressaltar a coincidência entre os relatos de adultos e crianças.
Há varias hipóteses para a EQM, todas elas, no entanto, insatisfatórias, porque incompletas. As principais são: a) efeitos de drogas; b) falta de oxigênio no cérebro; c) sonho; d) alucinação; e) memória do nascimento; f) fatores culturais e religiosos; g) mecanismo psicológico de defesa contra o medo de morrer; h) excitação do lobo temporal.
Em estudo publicado em novembro de 1986 no American Journal of
Diseases of Children, o jornal pediátrico da Associação Médica
Americana, Melvin Morse observou que uma pessoa precisa estar na
iminência da morte para ter os sintomas de uma EQM. Segundo ele, essas
descobertas eliminaram a teoria que as EQMs são o resultado das drogas
ou da privação do sono ou que são meramente sonhos maus ou a
conscientização subconsciente da cirurgia.
Diz ele:
“Dos 121 pacientes entrevistados
que tinham sobrevivido a uma doença grave, mas que não se aproximaram
da morte, 118 não tiveram nenhuma experiência. Os três remanescentes
tiveram sonhos de monstros cobertos com uma roupa branca e coisas
semelhantes.
Enquanto isto, oito dos doze
sobreviventes de ataques de coração tiveram visões onde deixavam o
corpo e viajavam para outros reinos. Isto significa quase setenta por
cento, percentagem tão alta que elimina o elemento da casualidade ou
do erro estatístico. Além disso, não permiti voluntários na pesquisa.
Pelo contrário, eu entrevistei por um período de mais de dez anos os
sobreviventes de parada cardíaca. Ao agir assim, evitei que crianças
que pudessem ter montado uma história somente para serem incluídas na
pesquisa.
Também revi por completo os
registros médicos de todos os pacientes estudados, documentei
cuidadosamente drogas usadas, a anestesia, a quantidade de oxigênio no
sangue e os resultados de vários testes de laboratório. Misturei com
cuidado os meus pacientes de controle com os do grupo de estudo para
assegurar que tinham a mesma idade. Cuidei também para que em ambos os
grupos tivesse havido intubação, ou ligação com um pulmão artificial.
A razão para esta mistura foi
verificar se as experiências de quase-morte são alucinações provocadas
por drogas ou falta de oxigênio no sangue, como muitos médicos
acreditam. A resposta é não. Muitos pacientes que tiveram uma
experiência de quase-morte completa não tinham sido tratados com
nenhuma medicação alucinógena. O grupo de controle não teve nenhuma
experiência que lembrasse a quase-morte, a despeito de ter sido
tratado com drogas como morfina, Valium e Torazina, e agentes
anestésicos como o Dilantin, fenobarbitol, manitol e codeína. Os
pacientes também ficavam hipóxicos, apresentavam desequilíbrio
ácido-base e altos níveis de CO2, e com todas as
combinações que podemos imaginar, embora nada que pudéssemos chamar de
uma EQM.”
Kenneth Ring teceu considerações sobre a influência
das crenças religiosas e do conhecimento prévio das pessoas sobre EQM
na manifestação desse fenômeno:
“Quando chegamos à área de
crenças pessoais, no entanto, poderíamos esperar encontrar algumas
correlações definidas com EQMs. Pessoas com forte orientação religiosa
(o que é bem diferente de freqüência à igreja) ou profunda convicção
em uma vida após a morte poderiam aparentemente ter mais
probabilidades do que, digamos, agnósticos ou ateus, de passar por
EQMs.
Apesar da sensatez
dessa suposição, as descobertas de vários estudos diferentes
demonstram que isso não acontece. Na verdade, não existe diferença nem
no tipo nem na incidência de EQMs devido à orientação religiosa da
pessoa
—
ou falta de orientação. Certamente, um agnóstico ou um ateu pode
—
e realmente parece
—
ter mais dificuldade de aceitar a experiência e pode ser menos
inclinado a interpretá-la em termos convencionais do que um crente,
mas a forma e o conteúdo da EQM não mudam. Uma EQM é uma EQM para
qualquer pessoa que passe por ela.
Finalmente, podemos nos perguntar se ler ou ouvir
falar de EQMs antes do próprio incidente de quase morte pode tomar a
pessoa mais inclinada a ter uma EQM. Embora essa hipótese também
pareça razoável, mais uma vez os dados mostram que ela está errada.
Tanto Sabom quanto eu, em nossos
estudos; examinamos especificamente nossos dados para esse tipo de
relação e descobrimos que, ao contrário do que temíamos, pessoas que
possuíam um conhecimento anterior de EQMs apresentavam, na verdade,
menos probabilidades de passar por uma. Num grande estudo
metodologicamente sofisticado sobre EQMs, conduzido por Audette e
Gulley, simplesmente não existe relação entre essas duas variáveis.
Assim, o conhecimento anterior de EQMs definitivamente não
parece induzi-las ou torná-las mais freqüentes para os pesquisadores.
Em resumo, não existe
nenhuma prova convincente até agora de que fatores sociais ou pessoais
possam ter algum efeito decisivo sobre EQMs.”
Diz Raymond Mood Jr.
que muitos neurologistas
lhe disseram que as EQMs
“apresentam uma certa
semelhança com insultos apopléticos, particularmente no lobo
temporal”.
E afirma ainda que “poder-se-ia postular que a
impressão de luz intensa relatada por essas pessoas é simplesmente o
resultado de eventos causados por uma interferência no suprimento de
oxigênio aos lobos frontais”.
Wilder
Penfield descobriu que, estimulando o lobo temporal de alguns
pacientes, durante uma cirurgia cerebral, eles tiveram a sensação de
estarem deixando seus corpos. Se apenas alguns dos pacientes tiveram
essa sensação, a estimulação do lobo temporal não é a causa orgânica
inconteste da EFC.
Melvin Morse observou que a
estimulação elétrica do lado direito do lobo temporal do cérebro,
especificamente no sulco de Silvius, pode produzir visões místicas,
audição de música sublime, imagens de anjos e de parentes falecidos e
a retrospectiva panorâmica da vida. Porém não explicitou se isso
aconteceu em todos os casos por ele observados.
Segundo Melvin Morse, o Dr. Joseph Atkinson, gastroenterologista, em Illinois, com a ajuda de um professor de farmacologia, criou uma mistura de gases composta de dióxido de carbono e oxigênio, denominando-a de Meduna, como homenagem a L. J. Meduna, médico húngaro que foi o primeiro a desenvolvê-la para tratamento de problemas como a gagueira. O tratamento consistia em várias sessões, nas quais os pacientes inalavam o gás durante alguns segundos de cada vez. Eles relatavam, freqüentemente, que tinham a impressão de estarem morrendo, atravessando um túnel e avistando uma luz intensa, tal como ocorre numa EQM.
Informa Raymond Moody Jr. que as
sensações de ser levado através de um túnel escuro são reveladas com
freqüência por pacientes submetidos à anestesia - em especial com
éter.
Segundo alguns pesquisadores, a
experiência do túnel é provocada por uma reação do cérebro à presença
de níveis cada vez mais elevados de dióxido de carbono (CO2) na
corrente sangüínea.
Michael Sabom demonstrou a
falsidade dessa afirmativa, quando mediu os níveis de oxigênio no
sangue de um paciente, no exato momento em que ele experimentava uma
poderosa EQM, e verificou que estavam acima do normal.
Para Raymond Moody Jr.,
impressão de luz intensa relatada por essas pessoas pode ser o
resultado de eventos causados por uma interferência no suprimento de
oxigênio aos lobos temporais.
Segundo Melvin Morse, os organismos agonizantes emitem uma intensa quantidade de energia eletromagnética, ou luz. Diz ele:
“Quando as células morrem e o
material genético começa a se expandir como o faz no momento da morte
uma poderosa carga de energia eletromagnética é liberada. Esta
luz é algo que as pessoas que tiveram EQM realmente vêem, não é
uma alucinação. Em raras ocasiões, outras pessoas relataram ver esta
luz irradiando das pessoas agonizantes.
Tal carga teria um grande efeito sobre todo o corpo, incluindo o lobo temporal direito do cérebro, a área exatamente acima do ouvido direito, à qual chama de "a sede da alma". Em pesquisa anterior, descobrimos que esta parte do cérebro é geneticamente codificada pela experiência de quase-morte. Outros pesquisadores descobriram que esta é a área onde ocorrem as experiências místicas. Isto pode explicar por que, quando o resto do cérebro está morrendo, esta área tem energia para funcionar a um nível mais elevado do que em qualquer outra época.”
Os neurocientistas documentaram
a existência dos circuitos do misticismo dentro do lobo temporal. É
através deste mecanismo neurológico que possuímos a capacidade de ter
experiências fora do corpo; vermos pessoas de branco, algumas das
quais parecidas com parentes falecidos; ouvirmos música celestial;
passarmos por uma recapitulação tridimensional da vida - todos os
elementos de uma experiência de quase-morte, exceto a experiência
transformadora de luz. A experiência de luz não pode ser ativada
artificialmente, mas somente no momento da morte ou durante algumas
visões espirituais muito especiais.
Morse assinala que a experiência
da luz não tem origem conhecida no cérebro. Numerosos pesquisadores
científicos têm documentado que cada elemento da EQM - a experiência
fora do corpo, a viagem pelo túnel, a visão de parentes mortos, a
recapitulação da vida, visões do céu - pode ser localizado no lobo
temporal direito.
Carl Sagan, entre outros,
questiona a possibilidade da criança guardar recordação do momento do
parto, o que explicaria a causa da EQM. Tal hipótese, porém, é
inverificável.
Carl Becker, professor de
filosofia de uma universidade em Illinois argumenta que as crianças
não se lembram de terem nascido e não dispõem de recursos para reter a
experiência no cérebro porque:
a)
percepção da criança é pobre demais para ver o que
acontece durante o nascimento;
b)
os recém-nascidos não podem distinguir figuras;
c)
os recém-nascidos não reagem diante da luz, a menos que
haja, no mínimo, 70% de contraste entre a luz e a escuridão;
d)
eles raramente
conseguem focalizar ou fixar-se em um objeto, e, mesmo quando o
conseguem, somente podem examinar uma pequena parte dele por um curto
período de tempo;
e)
os recém-nascidos têm uma “focalização distorcida”, o
que significa que mesmo quando conseguem focalizar, fazem-no apenas
sobre um segmento próximo e altamente contrastante do objeto e não
sobre o objeto por inteiro;
f) metade de todos os recém-nascidos não consegue coordenar sua visão sobre objetos que estejam a mais de um metro de distância. E nenhuma criança com menos de um mês pode focalizar internamente um objeto a um metro e meio de distancia;
Alega-se que a EQM é um
mecanismo psicológico de defesa contra o medo de morrer.
Raymond Mood Jr. se insurge contra essa hipótese, alegando que “as EQM
em crianças refutam essa teoria, pois elas possuem percepções da morte
bastante diferentes das dos adultos.”
E, mais adiante:
“As crianças ainda não têm
nenhum desses condicionamentos culturais. E, geralmente, aquelas que
passaram por uma EQM não conhecem esses temores mais tarde. Elas
sentem pouco medo da morte e com freqüência falam com carinho de suas
experiências. Algumas das crianças com quem conversei expressaram o
desejo de "retornar para a luz.”
Se a EQM é um mecanismo de
defesa contra a morte, como explicar por que as pessoas, intimadas a
retornar à vida física, quando no Além, advertidas de que a hora de
sua morte ainda não chegara, relutam em obedecer ao comando e o fazem
a contra-gosto?
Efeitos orgânicos da EQM
Melvin Morse reconhece que
P.M.H. Atwater foi a primeira
pessoa a afirmar que a EQM modifica a fisiologia cerebral. E também
quem primeiro observou que a EQM modifica significativamente os campos
eletromagnéticos que circundam a pessoa humana.
Morse constatou que mais de 25%
de todos os adultos que sobreviveram a EQM, quando criança, afirmam
não poderem usar relógios.
Atwater observou
modificações fisiológicas nas mais de três mil com que teve contato e
que passaram por uma EQM. Do seu relato, destacamos as seguintes
alterações mais importantes no comportamento fisiológico daquelas
pessoas: a)
mudanças substanciais nos níveis de energia; b) maior sensibilidade à
luz, especialmente à luz do sol como também ao som e ao volume dos
sons; c) mudanças no funcionamento de seus cérebros; d)
mudanças no seu metabolismo, com melhora nos processos digestivos; e)
melhoria da saúde em geral, porém com aumento de alergias para os
remédios alopáticos; f) queda da pressão sangüínea e diminuição do
ritmo do pulso;
g) hiperestesia táctil, gustativa e olfativa; h) sensibilidade para a
eletricidade e campos geomagnéticos; i) maior sensibilidade a fatores
meteorológicos, tais como temperatura, pressão, movimentos do ar e
umidade; desabrochamento ou aumento de aptidões parapsicológicas e
atividades curativas por imposição de mão.
EQM e curas espontâneas.
Atwater afirma que curas espontâneas podem acontecer depois que a pessoa volta à vida. Diz ela:
“Existem pessoas que,
repentinamente, ficaram livres do câncer; tumores cerebrais
desapareceram; um homem com AIDS emergiu da experiência sem um sinal
da doença no corpo. A comunidade médica está totalmente confusa
tentando explicar isso. A verdade é que os sobreviventes
da Experiência de Quase-Morte passam por uma transformação tão
grande que ficam parecendo estranhos
para aqueles que os conheciam
antes; até as fotografias tiradas antes e depois podem mostrar
essa diferença.”
Sensibilidade anormal à luz e ao
som.
Atwater constatou, em sua
pesquisa, que entre os sobreviventes de uma EQM, 73% apresentaram uma
sensibilidade anormal à luz e ao som. Desenvolveram maior capacidade
de perceber campos elétricos e magnéticos, afetando equipamentos
eletrônicos, computadores, gravadores, aumentando ou diminuindo a
intensidade luminosa de lâmpadas elétricas e queimando-as em alguns
casos. Seus relógios não funcionam, e objetos metálicos se movimentam
sozinhos na proximidade deles.
A EQM produz efeitos
psicológicos, entre os quais: a) redução ou extinção do medo da
morte e maior gosto pela vida; b) conscientização da importância do
amor; c) sensação de
união com todas as coisas; d)
valorização do conhecimento; e)
maior responsabilidade pela própria vida; f) ampliação do vigor
e da atividade mental e física; g) aparente rejuvenescimento; h)
reavaliação das coisas
materiais da vida; i) profundo
senso de missão; j) mudança
carismática na personalidade; l) desenvolvimento súbito ou gradual de
aptidões psi; m) prazer pelo conhecimento enciclopédico.
Kenneth Ring constatou que,
depois desta experiência, os “sobreviventes da EQM gostam mais de si
mesmos”. Ele afirma que “as EQMs tendem a conferir nova identidade
pessoal ao sobrevivente, assim como causar grandes mudanças em seu
comportamento.”
E, mais adiante:
“Após a EQM, os indivíduos
tendem a mostrar uma apreciação maior da vida e preocupação e amor
maiores pelos outros seres humanos, enquanto diminui seu interesse em
status pessoal e posses materiais. A maioria dos sobreviventes também
declara que vive depois com um sentido de finalidade espiritual
ampliado e, em alguns casos, que procura um entendimento maior do
significado essencial da vida.”
Kenneth Ring observou que “os
sobreviventes da EQM tendem a passar para uma orientação espiritual
geral - em vez de religiosa - quanto à vida” e que ele denominou de
“orientação espiritual universalista”, a qual é constituída por sete
elementos essenciais: a) uma tendência a se caracterizar como pessoa
espiritual em vez de religiosa; b)
uma sensação de estar interiormente próximo de Deus; c)
uma perda de ênfase nos aspectos formais da vida e da adoração
religiosa; d) uma
convicção de que existe vida após a morte, apesar de crenças
religiosas; e) uma
abertura à doutrina da reencarnação (e uma simpatia geral pelas
religiões orientais); f) uma crença na unidade essencial por trás de
todas as religiões; g) um desejo de uma religião universal abraçando
toda a humanidade.
Diz Atwater:
“Alguns sobreviventes da
Experiência de Quase-Morte sentem-se como se tivessem sido “expulsos
do paraíso”, tendo revivido, quando na verdade prefeririam lá ficar. A
maioria deles sabe que não é tão perfeita como parece que eles
deveriam ser, considerando onde estiveram. Nenhum deles afirma que é
santo. Os estados de depressão podem ser longos, a experiência pode
tanto parecer uma bênção quanto uma maldição. No entanto, muitos
também planam suavemente pelos efeitos posteriores, com pouco ou
nenhum desgaste, ou choro, que evidencie algum tipo de conflito, como
se estivessem sobre “um tapete mágico voador”. O apoio da família é um
fator muito importante.”
Observa, ainda que os sobreviventes da EQM, embora continuem a sentir raiva, medo, ciúmes e impaciência, não permanecem assim por muito tempo. São mais maleáveis e ponderados, predispostos a aceitar a responsabilidade pessoal e buscar soluções justas.
Nas crianças, porém, Atwater observou um comportamento diferente do adulto.
“As crianças e aqueles que
vivenciam o fenômeno durante a infância simplesmente crescem sendo o
tipo diferente de pessoas que são, tentando entender por que todos não
são como eles. Mas as crianças que já eram crescidas o bastante para
comparar suas vidas anteriores com o que elas são agora tornam-se em
geral rebeldes ou excessivamente retraídas na escola. São elas que
enfrentam o maior desafio, pois raramente seus conselheiros acreditam
no que dizem.”
EQM & kundalini
Kenneth Ring diz ter encontrado relações entre a EQM e o despertar da kundalini. E Atwater assegurou que “a maior parte dos pesquisadores pensam que a Experiência de Quase-Morte é uma irrupção da Kundalini e, constantemente, crescem as evidências que apóiam suas teorias”.
Atwater informa que, depois de uma EQM, vinte por cento das pessoas começaram a ter “memórias” da chegada ao planeta Terra como imigrantes vindos de um outro mundo. Eles descobriram que eles é que eram os alienígenas! Ela própria tem memórias alienígenas.
Esse efeito da EQM pode ser interpretado como um distúrbio psicológico de “falsa memória”.
EQMs negativas
Maurice Rawlings relatou vários
casos de EQMs em que os pacientes se viram precipitados em regiões
infernais. Afirmou que quase todos os casos de EQMs por ele atendidos
e outros de que teve conhecimento oriundos de tentativas de suicídio
tiveram como resultado experiências em ambientes que os pacientes
descreveram como sendo o Inferno.
Scott Rogo fez uma comparação
sumária dos elementos principais de uma EQM assustadora ou infernal
com a de conteúdo eufórico:
Fase 1: A pessoa sente medo e
experimenta sentimentos de pânico ao invés de paz e alegria.
Fase 2: Assim com na mais
clássica EQM, ele passa pela experiência de deixar o corpo.
Fase 3: Similarmente a EQM
clássica, a pessoa morta entra numa região escura ou vazia.
Fase 4: Em vez de experimentar a
presença reconfortante e figuras religiosas, de amigáveis familiares
falecidos ou uma grande luz, ela é subjugada por uma sensação de
pressentimento e da presença de um força maligna.
Fase 5: A pessoa finalmente
entra num ambiente infernal, diferente da beleza e paz do Elísio da
EQM clássica.
Segundo pesquisa de Atwater, uma
em cada sete pessoas passa por uma EQM infernal. Observou, porém, que
nenhuma criança passou por esse tipo de EQM.
Ainda não se encontrou no
cérebro uma região que, estimulada, produza uma experiência similar a
de uma EQM assustadora e infernal.
As pessoas que tentam o suicídio
e têm uma EQM seja ela positiva ou negativa raramente o tentam de
novo.
EQM e relações interpessoais
Raymond Mood Jr. diz
que, desde 1985,
vem lidando, na sua prática psiquiátrica, com problemas de dificuldade
nas relações interpessoais das pessoas que passaram por uma EQM.
“Comecei em
1985, com o que chamo de“prática espiritual”, quando percebi que
muitas pessoas que passam por experiências espirituais incomuns têm
dificuldade para integrá-las em suas vidas.
E prossegue:
“Como elas estão perturbadas
pela experiência, muitos recusam-se a ouvi-las, talvez até imaginando
que são loucas. Mas, na perspectiva de quem passou por uma EQM, algo
de muito importante aconteceu, alterando-lhe a vida, e ninguém parece
disposto a escutá-la com simpatia. Precisam, portanto, de alguém que
compreenda a experiência para ouvi-las.
Surpreendentemente, elas recebem
muito pouco apoio de seus familiares, quando começam a explanar sua
experiência. Com freqüência, as acentuadas mudanças de personalidade
que acompanham uma EQM causam tensão na família. Por exemplo, pessoas
que, durante anos, reprimiram suas emoções tornam-se, de súbito, mais
abertas, depois de uma EQM. Isto pode ser muito embaraçoso quando são
casadas. Para seus parceiros, é quase como se, agora. estivessem
casados com uma pessoa diferente.”
E esclarece a sua postura
perante o problema:
“Para aliviar essas tensões,
ocasionalmente formo grupos de pessoas que passaram por uma EQM, para
que elas possam, juntamente com seus maridos e esposas, compartilhar
os efeitos da experiência em suas vidas familiares. Elas descobrem que
outras famílias estão tendo os mesmos problemas e tentam aprender a
lidar com a nova pessoa.”
Mas, reconhece:
“Os pesquisadores mostraram que
a freqüente ocorrência do divórcio após uma EQM é devida às
transformações na personalidade da pessoa.”
Reações negativas.
Atwater lista as reações
negativas e positivas mais comuns entre os sobreviventes da EQM.
Reações negativas:
a) raiva, por terem sido revividos e forçados a sair de onde
quer que estivessem; b) culpa,
por não sentirem falta nem se preocuparem com as pessoas que lhes são
caras; c) desapontamento,
pela descoberta de que estão novamente revestidos pelos seus corpos
físicos e que terão novamente de respirar, comer e ir ao banheiro; d)
horror, se suas experiências foram assustadoras ou infernais ou
desagradáveis; e)
embaraço, quando querem falar mas não conseguem ou têm medo; f)
depressão, quando percebem que agora devem retomar suas vidas
anteriores e têm de encontrar um meio de levar adiante suas vidas
comuns, independentemente do que aconteceu com eles.
Reações positivas: a) êxtase, devido ao milagre, beleza e glória da experiência; b) excitação, porque se sentem muito privilegiados por terem passado por essa experiência transformadora; c) gratidão, porque algo tão incrível tenha acontecido com eles; d) admiração, porque se sentem impossibilitados de falar ou de achar as palavras para se expressar; e) evangelização, um desejo imediato de contar aos outros as boas novas sobre a morte, Deus e o poder do amor; f) humildade, pela grandeza do episódio e do que ele pode acarretar
Tempo para a integração da
consciência.
Atwater descobriu que são
necessários sete anos para que o sobrevivente da EQM comece a integrar
a sua experiência. Os três primeiros anos são os mais desafiadores,
porque durante essa fase o sobrevivente está mais desorientado e as
pessoas que lhe estão próximas não entendem o que está ocorrendo.
Transcorridos os sete anos, de conformidade com o bom êxito dos reajustes feitos pelo sobrevivente, a vida se torna mais fácil, pois ele entra em sintonia com o ritmo da vida
Melvin Morse propõe a hipótese de que a sede da alma é nos lobos temporais, porque, virtualmente, todas as experiências mediúnicas e místicas começam neles. Diz ele:
“A
experiência de quase-morte provavelmente acontece no lobo temporal
direito, um ponto no cérebro logo acima do ouvido direito. Minha
pesquisa e a de outros cientistas feita a cinqüenta anos confirmam
este ponto como sendo a localização da EQM”.
E mais adiante:
“Os neurocientistas documentaram a existência dos
circuitos do misticismo dentro do lobo temporal. É através deste
mecanismo neurológico que possuímos a capacidade de ter experiências
fora do corpo; vermos pessoas de branco, algumas das quais parecidas
com parentes falecidos; ouvirmos música celestial; passarmos por uma
recapitulação tridimensional da vida – todos o elementos de uma
experiência de quase-morte, exceto a experiência transformadora de
luz.”
A respeito da experiência da luz, Melvin Morse faz o seguinte comentário:
“A experiência de luz não pode ser ativada
artificialmente. Ela só é ativada no momento da morte ou durante
algumas visões espirituais muito especiais. A visão espiritual da luz
amorosa resulta em transformações na personalidade que verificamos em
nosso grupo de estudo. As transformações mais intensas e duradouras
foram verificadas em pessoas que viram a luz”.
Melvin Morse chegou a seguinte conclusão:
“As experiências de quase-morte são um exemplo de
uma experiência psicológica que pode ser anatomicamente localizada no
cérebro”.
E mais:
“Deus está
em cada um de nós, e a capacidade de percebê-lo está localizada no
lobo temporal direito, dentro da cissura de Sílvio.”
Essa síntese que fizemos dos mais diversos aspectos
da EQM é apenas uma tentativa de mapeamento e visão panorâmica dessa
singular experiência humana. O aprofundamento de cada um desses
aspectos demandaria a produção de vários livros específicos para uma
compreensão mais ampla da complexidade da EQM, dos problemas que ela
suscita e de novos questionamentos que possam ser levantados com a
evolução das pesquisas sobre essa fascinante experiência psíquica.
BIBLIOGRAFIA
Atwater, P.M.H.
Muito Além da Luz. Nova
Era. Rio de Janeiro. 1998.
Mood J., Raymond A.
Reflexões sobre Vida depois
da Vida. Nórdica.
Rio de Janeiro. 1983.
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A Luz do Além.
Nórdica. Rio de
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Morse, Melvin & Perry, Paul. Transformados pela Luz. Nova Era. Rio de Janeiro. 1998.
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Do Outro Lado da Vida.
Editora Objetiva. Rio de Janeiro.1992
_________________________ Visões do Espírito. Nova Era. Rio de Janeiro. 1998.
Ring, Kenneth.
Rumo ao Ponto Omega.
Rocco. Rio de Janeiro. 1996.