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CURSO DE PARAPSICOLOGIA: Uma experiência brasileira.

 

Vera Lúcia Barrionuevo e Tarcísio Pallú*

 

Resumo

 

 

Resumo:    Este artigo apresenta uma visão panorâmica do ensino de Parapsicologia num dos principais Centros Educacionais de Curitiba: as Faculdades Integradas Espírita, onde se implantou a idéia central da formação do homem integral em seus aspectos sociais, culturais e espirituais. Os dados aqui apresentados englobam a intenção e os objetivos de seus idealizadores, as diversas abordagens propostas e experienciadas, e o delineamento do quadro atual do ensino.

   

Introdução

 

A partir da década de sessenta, em grande parte graças ao mérito e aos esforços de J.B. Rhine e sua equipe, a Parapsicologia tornou-se objeto de interesse e estudo em alguns dos principais centros educacionais em todo o mundo. Cursos de ensino e laboratórios experimentais foram ativados em diversos países, na busca da compreensão da fenomenologia parapsicológica: nos Estados Unidos, a John Kennedy University, a Duke University  e o Maimonides Laboratory; na Escócia, a University of Edinburgh; o Instituto de Freiburg, na Alemanha; a Universidade de Utrecht, na Holanda; e a Universidade de Andrah, na  Índia, são algumas dessas instituições.

 

No Brasil, a Parapsicologia teve suas raízes ligadas às implicações religiosas e filosóficas, o que veio a retardar seu embasamento científico. Um movimento, no entanto, destacou-se por sua persistência em manter a busca do entendimento da natureza humana associada ao fenômeno paranormal: o curso de Parapsicologia do Campus Universitário Bezerra de Menezes.

 

No intuito de registrar os antecedentes históricos do Curso de Parapsicologia, implantado em Curitiba no princípio da década de setenta, realizamos, desde 1993, diversas entrevistas com os responsáveis por sua criação e estabelecimento da linha filosófica e didática que se propunha a embasar e integrar seus programas de graduação e pós-graduação - os responsáveis pela implantação de sua realidade cotidiana: o sociólogo Octávio Melchiades Ulysséa, a psicóloga de linha transpessoal, Neyda Nerbass Ulysséa e o educador Carlos Alberto Tinoco, diretor da entidade em dois períodos (de 1980 a 1982 e de 1995 a 1999). Nossa intenção era avaliar o contexto sócio-filosófico-cultural da época de sua criação e sua evolução até o momento atual. Procuramos delinear os momentos históricos que se sucederam para apresentar uma visão panorâmica dos esforços que têm representado a luta dos seus integrantes para viabilizar uma linha profissional.
 

A Filosofia do implantador.

 

Na visão do professor Octávio Ulysséa, as ciências tradicionais têm cerceado o progresso das pesquisas em Parapsicologia, proibindo sua incorporação aos currículos das instituições acadêmicas. Preconceito e obstinação impedem-na de assumir um caráter oficialmente profissionalizante, o que significa que ainda não conseguiu alcançar resultados práticos e critérios capazes de responder à necessidade social - razão porque não tem sido valorizada, nem conseguido definir-se como carreira ou profissão. Apesar disto, os fenômenos paranormais continuam ocorrendo no mundo, manifestando idênticas características, independentemente de lugar ou país em que ocorram, com maior ou menor intensidade (Ulysséa, 1999).

 

A seu ver, a psiquiatria é um dos campos da ciência moderna que resiste em aplicar a Parapsicologia em seu contexto clínico, em associar a psi a seus estudos, ainda que se encontre, na literatura, ocorrências telepáticas entre pacientes e psiquiatras.  É verdade que os processos de aplicação de testes Esp são difíceis, em razão da dificuldade de adaptação experimental a doentes mentais; e o mesmo se dê com a obtenção de resultados estatísticos a respeito dos índices de Esp manifestados por esse tipo de paciente. Quanto à cura, por certo, será necessário um outro tipo de abordagem relacionada às técnicas de tratamento, por exigir terapias diferenciadas face à prática da fenomenologia paranormal. Seria necessária uma verificação das modificações estruturais ocorridas, capazes de produzir a chamada cura paranormal, bem como identificar o fator energético de interação. Os processos de cura paranormal, ainda que venham se mostrando úteis com relação às causas de natureza espiritual ou às intervenções psi na vida psicológica dos pacientes, ainda não progrediram suficientemente. Isto pode significar que tais proposições teóricas, no futuro, poderão considerar os processos de cura propriamente ditos, como incorporados ao campo dos estudos parapsicológicos (Ulysséa, 1999).

 

Argumenta o professor Ulysséa que a Parapsicologia precisa resolver alguns dos seus problemas teóricos para poder integrar-se à comunidade científica sem sofrer qualquer tipo de rejeição preconceituosa. Poderia levantar a “identidade” da humanidade com a própria natureza.  Entretanto, não resta dúvida que, com o correr do tempo, acabará sendo também incorporada às ciências acadêmicas, desde que sua produção científica seja fundamentada em teorias verificáveis e capazes de promover novas experiências laboratoriais, ou que as anomalias identificadas tenham conseqüências capazes de abalar os paradigmas vigentes, centrados na “veracidade científica” (Ulysséa, 1999).

 

Acrescenta que, em termos de atuação pragmática, os campos deste exercício profissional começam a se definir progressivamente, em razão das exigências sociais. Em se levando em consideração que toda a prática do conhecimento científico necessita transformar o saber em utilidade, é preciso que se encontre sua aplicação em favor da sociedade. Em sua ótica, o ponto alto do curso seria o desenvolvimento de uma Parapsicologia “clínica ou terapêutica”, o que poderia promover um espaço profissional futuro, ou seja: “uma fatia” do mercado de trabalho para profissionalizar os parapsicólogos que atuariam num espaço entre o psiquiatra e o psicólogo. Seria preciso, no entanto, definir que espaço seria esse e criar condições de se contar com uma equipe multidisciplinar, que incluiria a participação de um sensitivo.

Considera ainda que, de qualquer forma, é certo e promissor que esteja crescendo o interesse das universidades e estabelecimentos de ensino e de pesquisas universitárias pela Parapsicologia. Alguns deles dispõem-se a investir em modelos laboratoriais. Hospitais e clínicas psicológicas começam a requisitar a participação de parapsicólogos, em favor da saúde da Psique. Cursos de pós-graduação na área começam a surgir. Concorda que a Psicologia transpessoal tem contribuído para esta aceitação.

 

Finalizando sua argumentação em prol de um futuro benéfico para o profissional da Parapsicologia, o professor Ulysséa estima que, graças à sua bem fundamentada formação acadêmica, o parapsicólogo pode passar a definir seu “espaço” de atuação, e começar a ser visto como um profissional, o que vem apresentar sua área como sendo um campo promissor. Mesmo assim, enquanto não vir assegurada sua presença nas Universidades, sem sofrer desagravo, a Parapsicologia continuará - por certo, submetida a preconceitos e interesses distorcidos (Ulysséa, 1999).

 

A História.

 

As Faculdades Integradas Espírita, de Curitiba, vêm oferecendo à comunidade brasileira, nos últimos vinte e seis anos, um programa de quatro anos de graduação em Parapsicologia e um programa de dezoito meses de pós-graduação em Estudos da Consciência. Esta instituição é parte ativa do Campus Universitário Bezerra de Menezes.

 

Estes cursos pretendem, ao apresentar o mundo da Parapsicologia Científica a seus estudantes, orientar-lhes os passos na direção das três áreas de atuação: Magistério, Aconselhamento e Pesquisa. Neste sentido, tópicos de Física, Biologia, Química, Fisiologia, Psicologia, Psicopatologia e Parapsicologia são incluídos num currículo multidisciplinar ao qual se acrescenta uma abordagem essencialmente humanística, com eventual enfoque transpessoal para a área de Aconselhamento; e a metodologia qualitativa e quantitativa para os Estudos de Casos Espontâneos (Barrionuevo, 1995).

 

Uma intencional linha filosófica idealiza a formação do aluno do Campus em seus diversos programas, e abrange o entrosamento de todas as disciplinas centralizadas na integração do ser humano como um todo.

 

Em sua primeira entrevista, gravada em 10 de setembro de 1993, o professor Ulysséa evidenciava o ano de 1969, como sendo o da criação do atual Campus Universitário, relembrando as fases constituintes do Curso de Parapsicologia - incorporado, hoje, à Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde dr. Bezerra de Menezes.

 

Num mesmo contexto, firmaram-se as raízes iniciais dos primeiros cursos, entre os quais, as do pioneiro Serviço Social, em 1975; e, posteriormente, as da Parapsicologia, dos Estudos Sociais e da Teologia. A mesma linha diretriz norteadora, inserida em cada um deles, continua sendo a meta que vem sendo perseguida com a determinação dos primeiros tempos, embora se reconheça as adversas características inerentes a cada campo, que reluta em integrar-se aos demais, na busca da própria identidade.

 

Nos primeiros tempos, não tendo modelos referenciais programáticos em que se pudesse apoiar, a grade curricular concentrou-se mais em palestras e seminários de especialistas das áreas fronteiriças da Parapsicologia. Estas serviam de embasamento às disciplinas que seriam, mais tarde, incorporadas ao currículo e administradas aos alunos, com a formação das primeiras turmas. Eram matérias fundamentadas em Psicologia, Metodologia Científica, Pedagogia, Biologia, Antropologia, Estatística, Parapsicologia e sua relação com as áreas afins, como a Medicina (terapias, hipnologia, radiestesia, fisiologia) e a Filosofia (religiões, crenças e magia), nos tópicos de história, fenomenologia e experimentos laboratoriais. Entre 1974 e 1976, houve a primeira tentativa extra-oficial de instalação da Faculdade de Ciências Biopsíquicas do Paraná, com os cursos de Parapsicologia e Yoga, sob a orientação do Professor Hernani Guimarães Andrade.

 

As atividades de ensino foram interrompidas em 1976, por falta de autorização oficial do Ministério de Educação e Cultura.  O funcionamento de cursos na área de pesquisa sobre assuntos de Parapsicologia foi analisado pelo parecer n. 515/80, de 09.05.80, expedido pelo Conselho Federal de Educação, para cursos experimentais e livres, o que lhe garantiu a autorização para implantação.

 

Entre os anos de 1980 e 1982, assumiu a direção da Faculdade de Ciências Biopsíquicas do Paraná o prof. Carlos Alberto Tinoco que, havendo concluído seu mestrado em Educação, montou o primeiro “currículo pleno” da instituição, numa abordagem essencialmente acadêmica. Seu conteúdo programático baseou-se, prioritariamente, em disciplinas pedagógicas, priorizando aquela área de atuação, no intuito de formar educadores em Parapsicologia. Baseou-se, também, em matérias ligadas à Física, visando objetivar a formação do pesquisador científico, com a montagem do primeiro laboratório de pesquisa experimental. Embora, apenas em caráter didático, atualmente, este ainda se encontra em atividade.

 

Na certeza de que os profissionais do campo devem aprender, primeiramente, a conhecer a si mesmos e a lidar com as próprias emoções, Neyda Nerbass Ulysséa montou, em 1982, um laboratório de sensibilidade renomeado posteriormente, como laboratório de vivências para auto-conhecimento e, mais tarde, conhecido simplesmente, por suas iniciais: “Vipac” - motivo de interesse e aprendizado, pelos estudiosos da Psi, a respeito do processo que a envolve (Barrionuevo, 1999).  Este centro de aprendizado interior foi elaborado, originalmente, com a duração de um único semestre, devido a ter sido objeto de estágio do curso de Psicologia de sua criadora. Foi, depois, ampliado para um ano, tendo em vista a integral aprovação, por parte dos alunos. Mais tarde, como resultado do aprendizado da professora Neyda, no programa de pós-graduação em Parapsicologia, ficou o sentido de que, da mesma forma que o psicólogo, aquele profissional deve vivenciar a própria potencialidade com relação ao fenômeno estudado. Em vista disso, o Vipac foi incorporado, como disciplina curricular, em todos os quatro anos do curso de graduação.

 

No período compreendido entre 1983 e 1989, sob a orientação do prof. Hernani Guimarães Andrade, alterou-se a grade curricular que introduziu sua nova experiência: a visão bio-psico-física do homem. Enfatizava a pesquisa do modelo biológico, levando à criação do Instituto Nacional de Pesquisa Psicobiofísica (I.N.P.P.). A abordagem, nessa fase, estendida a 1989, embora priorizasse a área da psicobiofísica, foi, por volta de 1986, se tornando, gradualmente, psicológica.

 

O primeiro movimento em prol da atividade de Orientação em Parapsicologia foi formado em 1987, quando Anna Elfriede Hoffmann e José Claury Linder de Freitas fizeram o estágio de graduação com seus orientadores, o médico Márcio Marinho e a psicóloga Márcia Drabowski. Formada a equipe de trabalho, conseguiram um espaço no Campus. Fundaram, em 1988, a Clínica Escola do Curso de Parapsicologia, cuja abordagem era preponderantemente psicanalítica. Nessa fase, instala-se o setor médico com três profissionais; o setor psicológico com cinco e o setor parapsicológico com nove profissionais e quarenta e seis estagiários. Mais tarde, o trabalho passa a ser executado, apenas, por parapsicólogos e estagiários do curso.

 

Por iniciativa da professora Neyda e dos implantadores do setor, e, por uma questão de evolução natural do enfoque exageradamente clínico com relação à fenomenologia paranormal, houve em meados de 1989, uma reformulação geral que alterou seu nome para Centro Integrado de Orientação em Parapsicologia (CIOP), adequando-se às abordagens humanista e transpessoal. Estas abordagens vêm sendo trabalhadas, desde 1990, pelo professor Tarcísio Pallú - responsável pela revalidação e atualização desse trabalho ao nível em que se apresenta atualmente (Pallú, 1999; 2000). A visão cognitivista do fenômeno paranormal, adotada pelo professor Tarcísio, promoveu o desenvolvimento de um modelo teórico para o aconselhamento, assim como para o treinamento do futuro profissional. Sua fundamentação tem raízes nas Escolas da Geórgia e da Califórnia.

 

Muito embora seja o Brasil um celeiro profícuo de sensitivos e de significativos fenômenos a serem investigados, o ponto fraco da pesquisa brasileira tem sido uma base deficiente na Pesquisa Experimental (Barrionuevo & Pallú, 1998). Mas, de acordo com a História da Parapsicologia no Brasil, a nova geração dos profissionais pós-graduados vem se tornando, cada vez mais interessada em apurar e fortalecer a Pesquisa Científica (Barrionuevo, 1995).

 

No princípio da década de 90, já com a abordagem psicológica em desenvolvimento, o Diretor do Campus, professor Octávio Melchiades Ulysséa, desenvolveu sua idéia de modificar velhos pensamentos e atitudes, na tentativa de implantar um programa científico na Faculdade de Parapsicologia. Com sua autorização e incentivo, as bases cientificas de ensino foram solidificadas, acentuando-se o interesse pela pesquisa e por um discernimento mais apurado, com a adoção da nomenclatura Rhine e definições adotadas pelas escolas internacionais de Parapsicologia.

 

Nessa época, movidos pela idéia de estabelecer contatos, verificar o que se realizava na área da pesquisa internacional, sistematizar o conhecimento adquirido e aperfeiçoar noções e abordagens experimentais, professores e alunos foram incentivados a solidificar sua formação, pela freqüência ao curso de dois anos de pós-graduação em Estudos da Consciência, efetuado no próprio Campus; e por meio de participações em Congressos e Seminários sobre o assunto - realizados, especialmente pela Parapsychological Association (P.A.), e pelo “Curso de Verão” oferecido todos os anos pelo atual Rhine Research Center (antiga F.R.N.M.), de Durham, Carolina do Norte, uma das principais instituições de pesquisa do mundo da Parapsicologia científica (Barrionuevo, 1995). Com ênfase específica nas matérias concernentes à pesquisa, esse curso direciona-se a um programa de especialização em Parapsicologia.

 

O primeiro passo foi dado em 1990, quando o educador Joe Garcia realizou uma primeira visita aos principais centros norte-americanos de Parapsicologia, para uma investigação a respeito do que poderia ser apreendido e adaptado à realidade local. Com base em suas observações, houve - em seu retorno, a implantação de um novo programa de pós-graduação direcionado à área dos estudos da consciência - visão a ser aplicada, também, aos círculos transpessoais no laboratório de vivências. No ano seguinte, ao regressar do Curso de Verão da então Foundation for Research on the Nature of Man, o professor Joe Garcia trouxe consigo a idéia-semente de um laboratório de experimentos ganzfeld, que teve que ser postergada por falta de espaço físico.  Em 1993, os professores Tarcísio Pallú e Vera Barrionuevo foram, também, incentivados a se inscreverem para o Curso de Verão da F.R.N.M.  Como resultado desse incentivo e dos conhecimentos adquiridos durante o curso, sob a supervisão e orientação da pesquisadora daquela instituição, H. Kanthamani, ambos planejaram e montaram, naquele mesmo ano e, com objetivos didáticos, o primeiro laboratório para investigação ganzfeld no Brasil: o Núcleo de Pesquisa Ganzfeld.  Este foi o precursor do Laboratório Ganzfeld cuja equipe, atualmente, chefiada pelo professor Fábio Eduardo da Silva, vem recebendo orientação da pesquisadora americana Kathy Dalton, que o vistoriou em 1998, quando de sua estada em Curitiba.

 

Na primeira metade da década, o curso de Parapsicologia foi especialmente privilegiado pelas constantes visitas de um dos renomados representantes da Parapsicologia, o psicólogo humanista Stanley Krippner, o “Homem-Rede”, responsável maior pelo entrosamento de pesquisadores jovens e antigos, fruto dos Congressos, Seminários e cursos que ministra em todos os países que visita, em sua peregrinação constante em nome da ciência.

 

Em outubro de 1995, o campus recebeu a visita do historiador e parapsicólogo americano Carlos S. Alvarado, o então Presidente da Parapsychological Association, que é, ainda hoje, o Presidente da Associação Ibero-Americana de Parapsicologia (AIPA). Esta instituição é fruto de seu ideal de entrosamento entre os profissionais da Parapsicologia de língua não inglesa. O professor Alvarado foi convidado a ministrar cursos de atualização em Parapsicologia em diversas capitais brasileiras. Veio ao Curitiba com a esposa, a parapsicóloga Nancy Zingrone, recentemente eleita Presidente da P.A.

 

A presença de todas essas personalidades representantes de um universo onde a pesquisa experimental é usual objeto do cotidiano profissional resultou na atração dos alunos pela investigação científica.

 

Como fruto de todo este movimento em prol de uma formação bem fundamentada, a atual grade curricular do curso contempla as disciplinas que se reportam às necessidades básicas (História da Parapsicologia, Teorias e Modelos, Métodos e Técnicas de Pesquisa, Fundamentos da Orientação, entre outras) da formação do futuro profissional em Parapsicologia: o professor, o investigador, e o orientador.

 

A Educação do futuro profissional em Parapsicologia.

 

Da necessidade de formar um profissional pronto a responder aos desafios da realidade cotidiana, surgiu uma proposta diferenciada que satisfaz algumas exigências básicas de um programa didático, que deve ser coerente com a filosofia dos idealizadores: as disciplinas específicas de Parapsicologia privilegiam, desta forma, a visão humanista sem deixar de obedecer ao rigor científico. 

 

Assim, o programa curricular, de quatro anos de duração, apresenta a estrutura formal semelhante à de um curso universitário. As disciplinas acadêmicas obedecem às mesmas exigências, com idêntico número de horas-aula, e têm os mesmos parâmetros didáticos seguidos pelos cursos das demais áreas (aulas de física, biologia, metodologia científica, psicopatologia, e as diversas escolas de psicologia, entre outras) do conhecimento humano. 

 

Os professores utilizam a metodologia de ensino sob os mais diversos enfoques: dos tradicionais esquemas de apresentação de aulas expositivas, nas disciplinas ortodoxas, até a utilização de recursos de dramatização para o treinamento de formação específica.

 

Nos anos de aprendizado, os alunos têm a oportunidade de treinar sua aptidão profissional nos setores especialmente criados para aproximar o aluno do campo onde atuará.  A criação e implantação de um ambiente específico e apropriado ao exercício do treinamento deveram-se às dificuldades conseqüentes à necessidade de incluir o aluno no campo de ação, em sua fase de treinamento. Neste intuito, os laboratórios que utilizam técnicas apropriadas de pesquisa procuram promover a aproximação do aluno com os episódios de psi.

 

O treinamento do aluno na orientação, em sua preparação para atuar como conselheiro, tornou-se a área crucial do curso. Um dos principais requisitos de um treinando deve ser no sentido de aprender a diferenciar, no discurso do cliente, alguns elementos fundamentais para uma abordagem bem sucedida (Eppinger & Pallú, 1997). Na maioria das vezes, ocorrem experiências que contém, apenas, alguns elementos de psi, o que exige um acentuado grau de discernimento para diferenciação entre as experiências ordinárias e aquelas, raras, experiências paranormais de forma realista, praticamente literais. É necessário que o aluno tenha aprendido como o fenômeno psi interage com os componentes comportamentais e sociais do indivíduo.  Neste sentido, o trabalho vem sendo facilitado pelo desenvolvimento de um modelo de atendimento baseado no “processo cognitivo” do cliente.

 

Um dos programas de treinamento utilizados é o de dramatização, onde o aluno interpreta o próprio fenômeno, com base em suas características. É questionado pela turma a respeito de como é ser o fenômeno, do ponto de vista fenomenológico. Depois disso, monta-se um caso consistente, onde outro aluno desempenha a função de orientador para que, desta forma, compreenda seu desempenho nesta atividade profissional. Neste momento, privilegia-se a complexidade de um caso sugestivo de experiência psi, ou pseudo psi, com reação de forma disruptiva, o que vem caracterizar os casos mais comuns em atendimentos por parte dos parapsicólogos. Após cada atividade de simulação, faz-se a supervisão do caso; assim como as devidas observações para melhorar o atendimento.

 

Outra maneira de treinar o aluno é através da promoção de debates éticos, relacionados às contingências do dia-a-dia da Parapsicologia. O estagiário aprende a avaliar o grau de responsabilidade e as conseqüências de atitudes e decisões tomadas em casos extremos ou de dificuldades que envolvam sua interpretação pessoal em situações que podem ocorrer no atendimento a clientes. Através desses debates lhe são dadas oportunidades de novas percepções, novas concepções e posicionamentos.

 

O planejamento e a execução de práticas de oficinas (workshop) também é adotado, como treino, na promoção das técnicas de divulgação do trabalho do profissional. Parece ser uma boa técnica levar o estagiário a planejar, desenvolver e avaliar a atitude de instruir colegas em novas abordagens do conhecimento relacionado à pesquisa e à orientação em Parapsicologia. Treina-se, desta forma, o estagiário no trato de temas profissionais e no desempenho das atividades educacionais, tendo em vista que os desafios favorecem a elevação do senso crítico do futuro prestador de serviços.

 

Considerações finais.

 

A intenção primeira das técnicas adotadas no ensino da Parapsicologia é fazer com que o aluno perceba, de seu próprio ponto de vista, quais serão as necessidades emergentes dos clientes, para poder direcionar uma proposta de atendimento condizente, tanto no caso da pesquisa quanto nas situações de treinamento e de Orientação. A diversidade de enfoques, bem como a das diversas disciplinas limítrofes, caracteriza-se por favorecer ao futuro parapsicólogo uma visão abrangente da natureza humana.

 

Com respeito ao trabalho desenvolvido pelo Centro de Orientação, este parece apresentar o mais bem sucedido resultado obtido pelo profissional do campo, até o presente momento. Isso se deve às características de reequilíbrio e harmonização interior oferecidas ao portador de fenomenologia psi desagregadora, através de elucidação e aconselhamento.

 

Excelentes "equipes" têm sido formadas, não apenas por professores; mas, também, pelos alunos que se unem a eles e compartilham de esforços e esperanças, estagiando nos laboratórios de pesquisa, como parte do programa curricular; ou atuando como sujeitos nos experimentos. É real a intenção de se fazer um trabalho amplo sobre os pontos levantados na investigação da fenomenologia espontânea, e induzida nos experimentos laboratoriais.  Há momentos de desânimo, outros de expectativa; e, alguns, de inesperadas vitórias que impedem de fraquejar porque existe uma meta a atingir: fortalecer as bases do ensino e aprimorar a formação dos estudantes para que possam desfrutar, no futuro, do respeito que merecem – por sua condição de alunos e professores de uma respeitada instituição de pesquisa científica voltada a oferecer aos colegas da Parapsicologia brasileira uma excelente justificativa para sua escolha profissional.

 

 

Referências Bibliográficas:

 

 

B  BARRIONUEVO, V.L &  PALLÚ, T.R.  Parapsychology and the Ganzfeld in Brazil, artigo publicado no P.A. News, February/June, 1995.

 

B  BARRIONUEVO, V.L. O primeiro curso universitário de parapsicologia no Brasil, Jornal Gazeta do Povo, outubro de 1995.

 

B  BARRIONUEVO, V.L &  PALLÚ, T.R.  Ganzfeld: uma perspectiva didática. Em Actas do III Encuentro Psi 1998, Buenos Aires 13-15 de Novembro, 1998, pp. 14-26.

 

BARRIONUEVO, V.L.  A Mulher na Parapsicologia. FatorPsi, vol.1 (2), outubro1999, pp.37-53.

 

EPPINGER, R. & PALLÚ, T.R.   Sonhos, Parapsicologia e Aconselhamento. Curitiba: [ s.n.], 1997.

 

Pallú, T.R.  Orientação em Parapsicología: aplicação prática. FatorPsi, vol. 1 (1), julho 1999, pp. 11-22.

 

Pallú, T.R.  Orientação em Parapsicología: reações a psi. FatorPsi, vol. 1 (3), março 2000, pp. 61-71.

 

ULYSSÉA, O.M.   A Parapsicologia: um paradigma emergente, rumando para o novo milênio. Discurso proferido em 26 de outubro de 1999.