Telepatia nos
experimentos Ganzfeld da UNIBIO:
1993-1996*
Vera Lúcia Barrionuevo e Tarcísio Pallú
* Queremos expressar nossa gratidão a Carlos Alvarado e Nancy
Zingrone por sua valiosa contribuição em termos da análise estatística de
nossos dados e revisão deste trabalho.
RESUMO:
Esta foi uma das
primeiras tentativas de realizar os experimentos Ganzfeld na América
Latina. A coleta de dados começou em outubro de 1993 e terminou em junho de
1996, quando o Ganzfeld Manual foi completamente desativado. As testagens
estenderam-se por igual período.
Este artigo inclui todas
as sessões formais de Ganzfeld, com emissor, no período designado; com
exceção da série-piloto, das cinco sessões anuladas, daquelas realizadas
para ensino e treinamento, e as de demonstração a personalidades visitantes
e cientistas.
Os dados aqui
apresentados englobam o trabalho em questão e consistem de uma única série.
Referem-se a sessenta testes válidos de ESP com emissor, onde participaram
49 sujeitos (20 homens e 29 mulheres). Os resultados encontrados são
modestos, com 31.7% de acertos diretos (z = 1.04; p = .30 bi-caudal), tendo
como medida de verificação da ocorrência de ESP os acertos diretos do juiz
independente, prioritariamente aos do sujeito, embora os demais valores
resultantes dos demais julgamentos sejam, também, apresentados. Usaremos o
efeito de magnitude (r) embasado na seguinte fórmula: z dividido pela raiz
quadrada do número de tentativas (Rosenthal, 199l, p.19).
INTRODUÇÃO
Os estudos de C. Honorton
e S. Harper, juntamente com os de W. Braud e de A. Parker, nos anos setenta,
mostraram os passos iniciais a serem dados na pesquisa que se tornaria uma
das mais promissoras no campo da Parapsicologia das próximas décadas (Alvarado,
1998). Os procedimentos Ganzfeld do Psychophysical Research Laboratories
(P.R.L.), de Plainsboro, NJ, do Institute for Parapsychology (I.P.), de
Durham, NC, ambos dos Estados Unidos da América do Norte, e da Universidade
de Amsterdam, Holanda, foram extensivamente descritos na literatura
parapsicológica (Bem, 1993; Bem & Honorton, 1994; Bierman, 1984; Honorton et
al., 1990; Kanthamani & Broughton, 1994), e provocaram uma onda de motivação
para a condução de experimentos utilizando a mesma metodologia, por parte
dos cientistas responsáveis pelos laboratórios de pesquisa dos Estados
Unidos da América do Norte (Kanthamani e Broughton), da Escócia (Morris,
Dalton, e Delanoy), Holanda (Bierman) e Suécia (Johansson e Parker), entre
outros, na Europa; e, mais recentemente, Brasil (Barrionuevo e Pallú) e
Argentina (Parra), na América do Sul.
No final dos anos
oitenta, o I.P. iniciou um projeto de replicação dos dados do P.R.L.,
utilizando o procedimento manual, encontrando resultados gerais modestos,
semelhantes aos de Charles Honorton, porém replicando os procedimentos
essenciais daquela metodologia (Broughton & Alexander, 1997).
A equipe de investigação
Barrionuevo e Pallú, à frente do Núcleo de Pesquisa Ganzfeld da Unidade de
Ciências Bio-Psíquicas (UNIBIO) das Faculdades Integradas Espírita, em
Curitiba, entre 1993 e 1996, conduziu uma série de experimentos de ESP, pelo
Método Ganzfeld, operado manualmente, utilizando alvos estáticos.
Com a intenção de
atualizar o ensino da Parapsicologia na Unidade de Ciências Bio-Psíquicas (UNIBIO),
foi fundado em 1993, o Núcleo de Pesquisas Ganzfeld. Na época, a temática
Educação em Parapsicologia tomava impulso. Nossa proposta era direcionar o
treinamento dos alunos, privilegiando uma linha de pesquisa, para cursos de
graduação, pós-graduação e extensão, questionando, desta forma, o papel da
Educação em Parapsicologia, e nossa função como educadores.
Nesse contexto,
analisamos as principais tendências pedagógicas e optamos por definir nosso
posicionamento de ensino, no Laboratório Ganzfeld. Assim, adotamos uma
perspectiva didático-pedagógica multidimencional com relação ao aluno em
formação, englobando treinamento e reflexão sobre a ocorrência da psi no
meio social. (Barrionuevo & Pallú, 1998)
Dada a dificuldade
financeira para se montar o protocolo automatizado, e aconselhados por H.
Kanthamani, a então responsável pela pesquisa de ESP do
Instituto de Parapsicologia, optamos pelo procedimento manual (Barrionuevo
& Pallú, 1998), mesmo cientes de não serem os alvos de imagens estáticas uma
escolha ideal para os experimentos Ganzfeld, por
serem menos bem sucedidos do que os alvos dinâmicos (Kanthamani &
Broughton, 1994).
O propósito do Núcleo de
Pesquisa era a implantação de uma abordagem didatico-pedagógica que
permitisse o aprendizado e o incentivo de adoção de uma metodologia de
investigação experimental. A educação de profissionais em parapsicologia
deve passar necessariamente pelo treinamento em metodologia de pesquisa,
sendo esta a maior contribuição para caminhar em direção ao que Alvarado
(1996) considera imprescindível para transformar em verdadeiramente
científica a Parapsicologia latino-americana.
A principal intenção
deste artigo é sintetizar os achados que abrangem aquele período de dois
anos e oito meses, e compará-los com os acertos diretos dos estudos
relacionados aos alvos estáticos do I. P.
MÉTODO
Os dados que formam a
base deste artigo incluem 60 testes realizados pelo grupo de Barrionuevo e
Pallú, que utilizaram os procedimentos padronizados Ganzfeld, com emissor,
mas contando, prioritariamente, com o julgamento de um juiz independente;
embora apresentemos, também, os valores resultantes do julgamento do
sujeito-receptor e do experimentador, como parte do protocolo. Alguns
relatos dessa pesquisa foram apresentados, em perspectiva histórica (Barrionuevo
& Pallú, 1998).
Participantes
Os participantes, 49
sujeitos (20 homens e 29 mulheres), com idade variando entre 12 e 67 anos
(média etária = 35,5 e SD (desvio padrão) = 13,5), todos voluntários não
pagos, eram estudantes, professores e funcionários das Faculdades Integradas
Espírita do Campus Bezerra de Menezes. Participantes adicionais incluíam
estudantes de outras Entidades educacionais, cientistas, personalidades
visitantes, e membros da equipe interessados.
Material
O Núcleo de Pesquisas
Ganzfeld englobava três salas inseridas numa das alas destinadas ao estudo
da Mente do Campus I das Faculdades Integradas Espírita (esquema anexo).
Como descrito em Barrionuevo e Pallú (1998), o terminal do receptor constava
de duas salas: o receptor era acomodado na primeira delas, protegida de som
exterior, pelo isolamento acústico da janela que dava para o muro da
instituição. Media 3m de comprimento por 2m de largura. A porta de ligação
com a sala da equipe técnica permanecia trancada durante o experimento. Numa
de suas extremidades, havia um balcão com torneira para água encanada e um
armário, onde o material esterilizado era guardado. Ao longo de seu
comprimento, uma maca reclinável para uso do sujeito, em frente à qual, duas
cadeiras acomodavam o experimentador e seu observador. Acima delas, uma
prateleira suspensa, onde foi instalada uma video-câmera; e entre ambas, a
mesa, onde estavam instalados os aparelhos de som: o de gravação da
mentalização do sujeito e o de escuta das instruções e indução da
estimulação Ganzfeld.
Adjacente a esta sala, ao
centro, o aposento destinado à equipe técnica ou sala de controle, com
dimensões de 3m de comprimento por 3m de largura, sem janelas, e duas portas
de ligação trancadas durante todo o experimento, onde se instalava a
biblioteca e onde todos os formulários que compunham a documentação
requerida se achavam arquivados. Era, também, onde se reuniam os
participantes do experimento, antes e após a testagem para o preenchimento
dos questionários. Esse material - traduzido e adaptado às nossas
necessidades, era uma versão sintetizada do formulário de Informações do
Participante e do formulário MBTI, adotados pelo I. P. Constituíam parte
importante dos dados coletados, por conterem questões sobre graus de
atenção, expectativa, motivação, estados de ânimo, e índices de relaxamento,
de atividade mental e alteração de consciência atingidos pelos
participantes, por sua própria ótica, durante o experimento.
Para alojar o agente
emissor, foram utilizadas duas salas, em diferentes lugares: a primeira
estava localizada no corpo do próprio Núcleo de Pesquisa Ganzfeld e media 3m
de comprimento por 2,5m de largura. Possuía uma janela para o exterior,
vedada, e duas portas de ligação trancadas durante o experimento. Nossas
medidas de segurança aconselharam a proporcionar maior distância entre
emissor e receptor. Assim, decidimos por sua transferência para uma sala
mais isolada, de medidas semelhantes, localizada no Centro Integrado de
Orientação em Parapsicologia.
Diferentes sistemas de
sonorização foram adaptados unicamente para uso do sujeito: O primeiro
transmitia instruções, estimulação e ruído branco (chiado como de uma
estação de rádio fora do ar, que propiciava ao sujeito um campo
auditivo homogêneo). As instruções gravadas orientavam-no a
descontrair, relaxar e liberar a mente, favorecendo, desta forma, imagens,
sons e sensações externadas à medida que surgiam. Os exercícios
progressivos de relaxamento físico e gradativa estimulação mental que lhe
eram transmitidos e o submetiam a uma espécie de indução a um estado
alterado de consciência, propiciavam-lhe acessar a seus conteúdos internos,
os quais externava para registro e posterior avaliação. Essa indução se
originara de material destinado ao mesmo fim e adotado pelo Instituto de
Durham, que traduzíramos e adaptáramos às exigências de nossa cultura. Um
segundo sistema era usado, apenas, para gravar a verbalização de sua
ideação.
Nosso conjunto de alvos
foi originado de uma grande coleção de postais (73%) e slides (27%),
adquiridos no Brasil, Europa e Estados Unidos. Formavam um total de 100
jogos-duplos, com 100 envelopes contendo um jogo de quatro alvos,
previamente arranjados de acordo com seu número de código, para manuseio do
emissor; e 100 envelopes duplicados, para servir ao julgamento do receptor.
As tabelas para seleção
dos alvos foram elaboradas pela equipe (Barrionuevo, 1994; Barrionuevo &
Pallú, 1998). Um sistema confiável de aleatorização custou-nos muitas horas
de planejamento e trabalho. Primeiramente, usamos várias tabelas de números
aleatórios e os copiamos de livros de estatística. Utilizávamos dados para
entrar nas seis tabelas que fizemos: cada uma representava uma das seis
faces do dado. Através das tabelas aleatórias, alcançávamos o alvo final.
Era um bom sistema para o conjunto de sessenta envelopes duplos; mas quando
completamos os cem envelopes duplos, julgamos que deveríamos modificar
aquele sistema para conservar as mesmas possibilidades de seleção para todos
os envelopes numerados. Assim, submetemos ao parecer de nossa supervisora
Kanthamani o planejamento que fizemos para confecção de dez tabelas com 100
números de dois dígitos cada (de 00 a 99), dispostos em dez colunas e dez
linhas. Dois mil dígitos de papel foram cortados e colocados numa caixa
fechada. À medida em que eram tirados, lidos e anotados compunham,
inicialmente, a casa das dezenas e depois a casa das unidades. Anotados,
eram devolvidos à caixa original para conservar as mesmas chances para o
próximo algarismo a ser extraído do lote. Assim, confeccionamos, em duas
etapas idênticas, as dez tabelas montadas. Cada um dos algarismos aparecia
vinte vezes por tabela e eram dispostos em cem números de dois dígitos por
tabela, para facilitar o processo de aleatorização. Isso perfazia um total
de mil números de dois dígitos, somando dois mil algarismos aleatorizados.
Para a seleção do alvo,
lançava-se uma das bolinhas numeradas (de 01 a 00) de um Globo de
Aleatorização, que apontava o número da Tabela (I a X) a ser usada (o
número 00 correspondia à décima tabela), observando-se a utilização única
do dígito que correspondia à unidade, e a obrigatoriedade de reposição
imediata da bolinha, para não prejudicar a aleatorização. A segunda bolinha
lançada definia a coluna. A terceira apontava a linha que cruzando a
coluna escolhida, indicava um dos números de dois dígitos, que integraria a
casa decimal do alvo. O quarto lançamento decidia qual dos dois dígitos,
referidos anteriormente, seria aproveitado na casa decimal do alvo. Se
fosse par, utilizava-se o algarismo da direita. Se ímpar,
utilizava-se o da esquerda. A escolha do algarismo referente à casa
da unidade seguia os mesmos passos que definiram, antes, a casa decimal
(lançamentos de no 5 a 8). Idêntico procedimento era executado
na escolha da letra correspondente ao alvo (lançamentos de no
9 a 12). Para que as chances permanecessem igualitárias, como as
letras dos alvos eram quatro (A-B-C-D), neste procedimento específico,
anulava-se as seqüências resultantes nos dígitos 9 e 0 e se aproveitava os
algarismos de 1 a 8, apenas. O que impedisse a clara definição do alvo
final anulava todo o processo que era reiniciado do primeiro
passo. A exceção contemplava a letra do alvo que exigia, apenas,
uma nova escolha da letra, com os mesmos passos dos lançamentos de no
9 a 12.
Os quatro alvos de cada
jogo foram selecionados o mais diversamente possível, e envelopados, de
forma alternada, com respeito aos motivos (pessoas, animais, paisagens,
cores, flores, cenas de humor e de emoção, obras de arte e arquitetônicas)
respeitando, sempre, a orientação de evitar que a mesma ordem fosse seguida
para as mesmas classes, impedindo assim, a votação tendenciosa. Antes que os
testes fossem efetuados, a equipe realizou três revisões dessa disposição.
Todos os alvos possuíam duplicatas, de forma que o julgamento fosse feito de
um jogo diferente daquele utilizado e manipulado pelo emissor; prevenindo,
desta forma, que eventuais marcas pudessem servir para identificação.
Procedimentos
A investigação passou por
três fases naqueles dois anos e oito meses, mas as providências básicas,
eram idênticas. As instalações não eram automatizadas. Por este motivo e,
por se tratar de um experimento manual, dependia-se de diversos auxiliares
para exercer as diferentes funções. Contamos, sempre, com a presença mínima
de dois Experimentadores (I e II) em adição aos dois principais
participantes: o sujeito-receptor e o agente-emissor: o primeiro
experimentador, para a sala do receptor, e o segundo para a sala do Emissor.
Julgamos haver necessidade de acrescentar a assistência de dois
Observadores: um para cada uma das salas. Eventualmente, um terceiro
Experimentador responsabilizava-se pela aleatorização e manuseio dos dados.
Como nos procedimentos do I. P., os participantes eram encorajados a trazer
seus próprios emissores. Quando isso não ocorria, um dos membros do
laboratório servia como emissor.
O esquema do experimento
incluía uma reunião inicial, entre as pessoas envolvidas, para discussão dos
procedimentos e orientação quanto ao papel exercido por cada participante.
Essa reunião era realizada antes da testagem, na sala da Equipe Técnica. A
intenção era fazer os participantes sentirem-se à vontade e criar um clima
positivo de expectativa pelos resultados, para que aquela fosse uma
experiência bem sucedida.
A seguir, era requerido
aos participantes - emissores e receptores, o preenchimento da ficha de
identificação pessoal e dos questionários (prévia e posteriormente às
sessões).
A seguir, juntamente com
seus observadores, os experimentadores tomavam suas posições, junto a cada
um dos sujeitos, em seus respectivos locais de teste, com as portas que
ligavam as dependências entre si, trancadas à chave.
Conduzido por seu
experimentador à sala de transmissão, cuja porta era imediatamente trancada,
o agente emissor, ao qual não eram dadas instruções de relaxamento por
sistema de som, recebia de seu experimentador orientação para que se
acomodasse calmamente numa poltrona confortável, respirando com lentidão e
profundidade, e tentasse aquietar e acalmar a própria mente. Enquanto isso,
o experimentador, sempre que não se contava com um terceiro elemento apenas
para controlar a sessão, efetuava a aleatorização do alvo, o qual entregava
ao agente emissor. Simultaneamente, passava para a Sala da Equipe Técnica,
fazendo-o deslizar por sob a porta trancada, o envelope-duplicata dos alvos,
que lá permaneceria, até o momento imediatamente anterior ao julgamento.
Durante os 30 minutos que
abrangiam o período total de emissão, o agente conservava o alvo em suas
mãos. A expectativa era de que tentasse continuar emitindo, de alguma
forma, e durante todo o tempo, o alvo em suas mãos.
Preparado para o Ganzfeld
por seu experimentador, o receptor era acomodado na cama reclinável e, por
se tratar de região de clima frio, agasalhado na medida de seu conforto. A
seguir, eram presas em seus olhos as meias bolinhas de ping-pong, e
colocados os fones nos ouvidos; ajustado, a seu comando, o nível de som do
tape de orientação, indução ao Ganzfeld e emissão do ruído branco. Então a
luz vermelha (40 watts) era acesa e nivelada em intensidade que não o
incomodasse.
As responsabilidades do
experimentador do receptor incluíam: monitorar o receptor, registrar a
verbalização de sua ideação, durante o período de revisão, discutir seus
comentários, conduzir e participar da tarefa de julgamento e proporcionar o
"feedback", no final.
Após o período de
mentalização, e imediatamente antes de iniciar o período de julgamento, o
experimentador do receptor apanhava a duplicata do pacote aleatorizado na
sala da equipe técnica, abria-a e apresentava, simultaneamente, os quatro
possíveis alvos ao receptor. Então, ao mesmo tempo, ambos classificavam-nos
de 1o a 4o lugar, enquadrando, a seguir, as quatro
possibilidades numa escala de 0 a 99, de acordo com a similaridade entre a
imagem e mentalização registrada (Barrionuevo, 1994).
Quando o julgamento
terminava e as notas eram registradas, este processo era repetido pelo
controlador do experimento ou pelo observador; desta vez, com relação a um
juiz independente, elemento não participante de nenhuma das fases anteriores
do processo, e que apontava o alvo escolhido, baseado numa única
referência: a leitura da transcrição da mentalização do sujeito. Este último
procedimento revestia-se de especial importância dada a resolução de uso dos
valores referentes ao julgamento do juiz independente como a medida de ESP
no estudo, mesmo sendo apresentados os valores referentes aos demais meios
de julgamento. Além disso, julgamos oportuno enfatizar que, enquanto a
decisão do juiz independente não estivesse formalmente registrada, as portas
que isolavam os participantes e seus experimentadores, continuavam
trancadas.
Finalmente, após terem
sido cumpridas todas as etapas, o emissor e seu experimentador eram
convidados a dirigir-se à sala de recepção, onde revelavam a identidade do
alvo.
Análise Planejada
Como referido
anteriormente, a principal proposição dos nossos dados, era propiciar à
comunidade estudantil um embasamento teórico e prático bem fundamentado em
sua estrutura didatico-pedagógica quanto às questões gerais do Ganzfeld
(planejamento, organização, instalação, atuação e análises diversas).
No presente artigo,
estamos nos limitando à análise dos acertos diretos, apenas. Contudo, um
ponto que nos chamou a atenção, por parecer fazer bastante sentido, foi a
correlação encontrada entre a atenção às sensações físicas e os erros, já
que pessoas muito atentas ao próprio corpo dificilmente conseguem relaxar ou
atingir um estado alterado de consciência. Este assunto, no entanto, como a
análise dos dados restantes, provenientes dos questionários dos
participantes, foi deixado para trabalhos posteriores.
Planejamos, num momento
inicial, comparar nossos acertos diretos provenientes do julgamento dos
sujeitos, com os auferidos pelo Instituto de Parapsicologia (Kanthamani &
Broughton, 1994). Num segundo e definitivo momento, decidimos utilizar como
principal medida de ESP as classificações de acertos provenientes do
julgamento do juiz independente.
Resultados
Resultados Gerais
No geral, os
resultados do estudo conseguidos através do julgamento dos juizes
independentes não foram
Análise Planejada
Como referido
anteriormente, a principal proposição dos nossos dados, era propiciar à
comunidade estudantil um embasamento teórico e prático bem fundamentado em
sua estrutura didatico-pedagógica quanto às questões gerais do Ganzfeld
(planejamento, organização, instalação, atuação e análises diversas).
No presente artigo,
estamos nos limitando à análise dos acertos diretos, apenas. Contudo, um
ponto que nos chamou a atenção, por parecer fazer bastante sentido, foi a
correlação encontrada entre a atenção às sensações físicas e os erros, já
que pessoas muito atentas ao próprio corpo dificilmente conseguem relaxar ou
atingir um estado alterado de consciência. Este assunto, no entanto, como a
análise dos dados restantes, provenientes dos questionários dos
participantes, foi deixado para trabalhos posteriores.
Planejamos, num momento
inicial, comparar nossos acertos diretos provenientes do julgamento dos
sujeitos, com os auferidos pelo Instituto de Parapsicologia (Kanthamani &
Broughton, 1994). Num segundo e definitivo momento, decidimos utilizar como
principal medida de ESP as classificações de acertos provenientes do
julgamento do juiz independente.
Resultados
Resultados Gerais
No geral, os resultados
do estudo conseguidos através do julgamento dos juizes
independentes não foram significativos (z = 1.04, p = .30
bi-caudal, r = .13).A tabela 1 apresenta estes resultados juntamente com
aqueles obtidos pelos demais juizes.
Nossa pontuação de
acertos (31.7%) mostrou-se levemente mais expressiva do que aquelas obtidas
pelas séries manuais conduzidas pelo Instituto de Parapsicologia (27.6%,
Kanthamani & Broughton, 1994). Comparamos, além disso, o efeito de
magnitude do nosso estudo (r = .13) àquele obtido pelas séries do I. P.
(r =.06, por nossos cálculos), seguindo os procedimentos estatísticos
recomendados por Rosenthal e Rosnow (1991, p. 495). A comparação não
mostrou uma diferença significativa (z = -.49, p = .62,
bi-caudal).
Tabela 1:
Resultados Gerais do
Estudo
|
Tipos de juízes |
N
|
% de Acertos Diretos |
z
(Acertos Diretos)
|
p
(bi-caudal) |
r
(efeito de magnitude) |
|
Juízes Independentes |
60 |
31.7 % |
1.04 |
.30 |
.13 |
|
Participantes (sujeitos) |
60 |
30 % |
.75 |
.46 |
.10 |
|
Experimentadores |
60 |
28.3 % |
.45 |
.66 |
.06 |
Nota:
A fonte utilizada para medida de significância global do estudo foi a
classificação dos Juizes Independentes. A informação estatística referente
aos Juizes participantes e experimentadores deve ser considerada, apenas,
como estatística descritiva. O efeito de magnitude (r) foi calculado pela
divisão do z (acertos diretos) pela raiz quadrada de N e pela utilização dos
valores absolutos do resultado. Todas as análises posteriores dos nossos
resultados estão relacionadas ao Juiz Independente.
Nossos arquivos conservam
registro dos participantes que declararam não ter tido experiência psi
anterior e daqueles participantes que relataram ter tido experiências psi
anteriores - entre os quais, de pessoas que já tiveram experiências fora do
corpo, médiuns, e pessoas tidas como sensitivos ou psíquicos. Na revisão
de Kanthamani & Broughton, das Séries Manuais do Ganzfeld, realizadas no
I.P., descobriram que pessoas que relatavam experiências psi obtinham
percentuais de acertos maiores do que aqueles que não relatavam tais
habilidades. Esta relação também é encontrada nos estudos Ganzfeld do P.R.L.
e em vários outros estudos feitos em outros laboratórios.
Guardamos, ainda,
registro das relações entre os emissores e os receptores.
No Instituto de Parapsicologia e em outros laboratórios foi descoberto que
percentuais de acerto mais baixos são obtidos quando os participantes
(receptores) são pareados com emissores que sejam membros da equipe do
laboratório e, de certa forma, desconhecidos dos receptores. Em alguns
estudos, os amigos têm sido os emissores mais bem sucedidos, e, em outros
estudos, os emissores de maior sucesso, são os membros familiares
biologicamente relacionados ou esposos e companheiros. Embora o resultado
global de nosso estudo não seja significativo, interessou-nos descobrir se
estes padrões de resultados seriam replicados em nossos dados (sentimo-nos
levados a fazê-lo por causa da baixa expressão de nosso estudo de 60
participantes, que é inferior ao número mínimo de 100 participantes
recomendado pela estatística Dra. Jessica utts, como o menor número
necessário para obter significância global, dado o fraco efeito psi
apresentado no Ganzfeld).
A Tabela 2 mostra os
resultados desta comparação.
Tabela 2
Resultados de análise específica por experiência psi e tipo de emissor
|
|
N |
%
(acertos diretos) |
z
(acertos diretos) |
p
(bi-caudal) |
|
Geral |
60 |
31.7 % |
1.04 |
.30 |
|
Sem experiência psi
anterior. |
19 |
26.3 % |
-.13 |
.88 |
|
Com experiências ou
habilidades psi. |
18 |
38.9 % |
1.09 |
.28 |
|
Emissor: membro da
equipe. |
15 |
33.3 % |
.45 |
.66 |
|
Emissor: amigo. |
34 |
29.4 % |
.40 |
.68 |
|
Emissor: membro da
família. |
4 |
25 % |
-.58 |
.56 |
|
Emissor: cônjuge, sócio,
companheiro. |
7 |
42.9 % |
.65
|
.52 |
|
Novatos em Ganzfeld. |
44 |
27.3 % |
.17 |
.86 |
|
Experimentados em
Ganzfeld. |
16 |
43.8 % |
1.44 |
.15 |
Como pode ser observado,
pela tabela acima, as 18 pessoas que foram classificadas como portadoras de
habilidades ou de experiências psi, obtiveram um percentual de 38.9% de
acertos diretos.
Embora este resultado não
seja, por si, significativo, produziu um efeito de magnitude pouco maior do
que o dobro da magnitude do estudo global. Além disso, os 7 participantes
cujos cônjuges atuaram como emissores obtiveram um percentual de acertos
diretos de 42.9 %, o que, mesmo sem significância, por si só, também esteve
próximo ao dobro de grandeza do efeito de magnitude do estudo global.
Seguindo o exemplo de Kanthamani & Broughton (1994, p. 188), nós gostaríamos
de examinar nossos dados para encontrar aquelas pessoas portadoras de
habilidades ou experiências psi e tenham tido seus cônjuges atuando como
emissores. Contudo, houve uma única sessão conduzida, na qual um receptor
com experiência psi tinha como emissor seu cônjuge; de forma que não
podemos catalogar um "modelo curitibano de sucesso" (Deve ser anotado, para
futura referência, que este casal obteve um Acerto Direto em sua sessão). Ao
contrário dos estudos realizados no Instituto de Parapsicologia, nossos
membros de grupos familiares biologicamente relacionados (N = 4) produziram
um percentual de acertos de apenas 25%, e um escore z de Acertos Diretos
que espelhou o fato de que este pequeno grupo produziu, principalmente,
erros em suas tentativas.
Finalmente, Kanthamani &
Broughton descobriram que os Novatos (pessoas que jamais foram submetidas a
uma sessão de experimento Ganzfeld anteriormente) obtiveram um percentual de
Acertos Diretos mais elevado do que as pessoas que eram participantes
Ganzfeld experimentados (1994, p. 187). Nós nos interessamos em verificar se
este padrão seria ou não encontrado em nossos dados. Como pode ser
verificado na tabela 2, nossos novatos (N = 44) obtiveram um percentual de
Acertos Diretos de apenas 27.3%; conseguindo, assim, escores devidos,
basicamente, ao acaso. Por outro lado, nossos participantes Ganzfeld
experimentados (N = 16), que participaram de 2 a 4 sessões, cada, em
experimentos Ganzfeld anteriores, obtiveram um percentual de Acertos Diretos
de 43.8%. Este percentual de Acertos, embora não significativo, ( z = 1.44,
p = .15, bi-caudal), foi associado a um efeito de magnitude de r = 0.36,
quase três vezes a magnitude do estudo global.
DISCUSSÃO
Da mesma forma que
Kanthamani e Broughton (1994), julgamos importante a questão de aprender a
orientar quanto aos esforços de replicabilidade, especialmente no contexto
didático. Neste particular, obtivemos bastante êxito.
Resumimos, neste estágio
do exame de nossos dados, algumas observações que devem ser feitas:
Como não realizamos
testes automatizados, não pudemos verificar a opinião expressa por aqueles
autores (1994), quanto a ser mais seguro dizer que os alvos de imagens
estáticas permanecem sendo uma escolha não ideal para os experimentos
Ganzfeld. Nossa equipe, como as de outros possíveis replicadores, não
contava com equipamento de vídeo para a apresentação de alvos, embora
dispusesse de um projetor de slides, concernente a 23 % do conjunto de
alvos.
Julgamos bastante curiosa
a correlação negativa de nossos dados com relação aos obtidos pelo I. P.
concernentemente ao percentual de acertos obtidos pelos participantes
novatos comparados com os obtidos pelos participantes experimentados.
No resto, de forma geral,
nossos dados confirmam os escores de percentual modesto e não significativos
do Instituto de Parapsicologia, para alvos estáticos. São comparáveis no
que diz respeito aos acertos e ao efeito de magnitude. O escore percentual
do I.P. foi de 27,6 %; e o nosso foi levemente mais encorajador(32 %);
evidenciando que demos ênfase aos acertos diretos resultantes do julgamento
dos Juízes Independentes.
Mesmo assim, isso não significa que nossos resultados sugiram a ocorrência
de ESP. Verificando os resultados do julgamento dos sujeitos receptores (30
%), vimos que aqueles emparelharam um pouco melhor que estes últimos.
Sabemos que a
possibilidade de obtenção de resultados significativos seria maior com uma
quantidade mais numerosa do que a oferecida pelos sessenta
testes utilizados neste estudo. Da mesma forma que a de tantos outros
experimentos Ganzfeld, o número insuficiente de testagens do presente estudo
pode haver afetado a força de nossa análise. Ainda que a realização de um
grande número de testes, neste tipo de estudo, não seja fácil, e embora os
resultados apresentados estejam próximos aos obtidos ao acaso (25%), o fato
de que as pessoas fortemente relacionadas (como, em nosso caso, cônjuges e
sócios) e as portadoras de psi tenham tido melhores percentuais de acertos
que as outras, como encontrado nos outros estudos Ganzfeld, parece sugerir
que seria possível obter resultados mais significativos com um número maior
de testagens, o que julgamos bastante encorajador para futuros experimentos.
ALVARADO,
C. S. Hacia una Parapsicología Científica en América Latina.
Revista
ALVARADO,
C.S. ESP and Altered States of Consciousness: An Overview of Conceptual and
Research Trends.
Journal of
Parapsychology, 62,
27-63, 1998.
BARRIONUEVO, V.
Seguindo o Rastro de Charles Honorton, Curitiba: edição da autora, 1994.
BARRIONUEVO, V. & PALLÚ,
T. Ganzfeld: Uma Perspectiva Didática, Actas del III Encuentro PSI,
realizado em Buenos Ayres, Argentina novembro/1998).
BEM, D.
The
Ganzfeld Experiment, Journal of Parapsychology 57 (2), p.p. 101-110,
1993..
BEM, D. &
HONORTON, C. Does PSI Exist? Psychological Bulletin (115) pp. 4-18,
1994.
BIERMAN, D.J.
The Effect of Ganzfeld Stimulation and Feedback in a Clairvoyance Task,
Research in Parapsychology 1983.
BIERMAN, D.;
BOSGA, D.; GERDING, H. & WEZELMAN, R. Anomalous information Access in the
Ganzfeld:
BROUGHTON,
R. & ALEXANDER, H. Autoganzfeld II: an attempted replication of the PRL
ganzfeld research. Journal of Parapsychology, vol.61(3). p.209-226,
1997
HONORTON
C., BERGER, R. et al. PSI Communication in the Ganzfeld,Experiments with an
Automated Testing System and a Comparison with a Meta-analysis of Earlier
Studies), Journal of Parapsychology 54, 1990.
KANTHAMANI,
H. & BROUGHTON, R. Institute for Parapsychology Ganzfeld-ESP experiments:
The Manual Series. Paper presented at the 37th Annual Convention of the
Parapsychological Association,
ROSENTHAL, R. Meta-analytic procedures for social research (revised edition).Newbury Park, CA: Sage, 1991. e Anexo:
M MApA com
especificações.
1 - 1. Sala do Receptor :
compr. 3 m x 2 m larg.
passagem p/sala da equipe
técnica (trancada durante todo experimento) cama reclinável, duas cadeiras, pia , armário, mesa, filmadora e aparelhagem
de som
2 - Sala
da Equipe : compr. 3 m x 3 m larg.
3 - Sala do Emissor I :
compr. 3 m x 2,5 m larg. janela (vedada) para o
pátio do Núcleo de Pesquisa porta p/ sala da equipe técnica
(trancada durante todo o experimento)
4 - Sala do Emissor II:
comp. 2,5 m x 2 m larg.
OBS.: Apenas o emissor e os experimentadores eram admitidos no C.I.O.P. durante o experimento